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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Quer presente: faça uma festa

Parte de minha família mantinha relações com outra, que vieram nos anos 60, de Curitiba morar em Irati. Como eram conhecidos de bancos escolares da capital, visitavam-se em alguns finais de semana. Mas, tinha a sogra da amiga da casa visitada, que morava junto e participava dos encontros. Sempre a sogra... Como morava em área campestre, próxima a cidade, havia cultivo de frutas e hortaliças com abundância. A dita sogra, costumeiramente, tinha uma sacola de verduras preparada para dar de presente aos seus visitantes, com a condição que as visitas não tivessem nem um “engasgo” durante o encontro. Essa sacola, via de regra, ficava aparente, desde a entrada até a saída dos visitantes. Porém, se houvesse qualquer opinião contrária à decana da família anfitriã, o regalo ficava onde estava, ou seja, os visitantes não levavam o presente.
A palavra presente quer dizer tudo aquilo que se dá, de forma gratuita, a alguém com o intento de fazer este mais feliz, em sinal de atenção, confiança, amor ou amizade.
A doença não marca hora. O médico sim. Contudo, a emergência de um atendimento a um doente, também não tem horário marcado para ocorrer. Se você souber de um parente, um amigo ou qualquer pessoa que estiver doente e, possuir o remédio para amenizar seu sofrimento você não daria a essa pessoa? Apenas se você fosse um desnaturado.
Pois é, no estado do Paraná parece que isso não está acontecendo. Vemos situações em que equipamentos e veículos ficam estacionados, dias e dias, em frente às prefeituras, após serem adquiridos. Mesmo sendo necessária a imediata utilização desses equipamentos para executar serviços emergenciais, como por exemplo, a recuperação de estradas rurais.
Se não bastasse esse modelo utilizado pelo baixo clero, também, o governo estadual faz o mesmo, para não dizer: pior. Recentemente, adquiriu centenas de ônibus escolares e os depositou, há tempos, nas ameias do Palácio Iguaçu. Os municípios que seriam beneficiados, mesmo estando “adoentados” de transporte escolar, somente receberão o presente quando houver uma festa, ou seja, se existir platéia eleitoral. Dizem que falta licença do departamento de trânsito ou seguro do veículo. Complicadíssimas essas tarefas não? Tem explicação lógica essa ignóbil atitude? Só em repúblicas de empedernidos governantes.
É, a situação está mais para madrasta má do que para a sogra que não dá o presente se não é bajulada.
A palavra responsabilidade e educação estão fora de moda em nosso país, mas nem por isso o povo deve se calar. Alguns governantes e políticos criticam a imprensa, no entanto, usam a imprensa oficial para atacar seus adversários, mesmo que com uma audiência pífia.
A liberdade de imprensa é um direito constitucional. Já foi o tempo da mordaça. As palavras devem ser vistas e ouvidas e, os que as escrevem e as falam devem responsabilizar-se pelas mesmas. Vivemos num período “democrático”. O povo deve lutar para a continuidade de uma imprensa livre e responsável, custe o que custar.
O pretenso presente do Estado seria uma obrigação e não se necessitaria que o prefeito agradasse a sogra ou a madrasta para recebê-lo.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

Época do pára-quedismo

Pelo visto já iniciaram as mobilizações para as eleições de 2010. Vamos falar inicialmente dos cargos às cadeiras da Assembléia Legislativa. A região centro-sul já teve alguns representantes crioulos como deputados estaduais. Nos anos passados tivemos o iratiense João Mansur. Depois Canoco. Mais tarde, Tico Lopes, Toti Colaço, Gilberto Agibert Filho, Nelsinho Dal Santos e, atualmente Felipe Lucas, que muito bem representaram nossos rincões. Só que caberia até dois representantes daqui da região, o que melhoraria sobremaneira a nossa influência no cenário estadual. O universo de votos é substancial.
É dito pelas esquinas que o acerto de políticos daqui por candidatos de fora já corre solto. Já tem gente daqui pegando a parcela inicial e deixando candidato nato que apoiou na eleição passada de lado. O que não faz o vil metal, não?
Fidelidade partidária é um aspecto indispensável ao fortalecimento das instituições políticas, porém nessa pré-época eleitoral aparecem muitos Joões, Pedros, Luizes, Valdires, Zécas, Nelsons, e um sem fim de estrangeiros.
Aqui, lideranças natas sempre existiram. O que ocorre é que a lacuna existente de representatividade dos mesmos, nos tempos em que vivemos, ocorreu por não se ter deixado espaço algum para projeção dessas lideranças. Isso em nível de região e de estado.
Que bom se houvesse um apoio maior aos nossos candidatos. A região poderia, com certeza, eleger mais de um, basta haver consciência política, união e o certo bairrismo saudável.
Os pára-quedistas políticos que caem em nossa região são muitos. Mas, o mais lamentável é que eles são trazidos por pessoas daqui de nossa terra. Uma vez ou outra acompanhar um candidato de fora tudo bem, mas sempre, vira uma profissão. São os verdadeiros gigolôs das eleições. Usam a democracia com o intuito de proveito próprio, de acerto de cargos para as benesses de seus apaniguados.
Quais os reais interesses e o porquê não deixaram crescer lideranças? Pelo mesmo motivo que não se educa o povo. Porque é mais fácil de manuseá-lo, com a política rasteira.
Os forasteiros vêem à nossa terra com uma desfaçatez ímpar. Possuem uma retórica diabolicamente convincente. Tem uma máscara permanente no rosto. Têm assessores ardilosos que vão ludibriando o povo, com promessas e jantares. Aliás, assessores bem remunerados. Praticam uma verdadeira prostituição política, utiliza-se de artifícios para ludibriar as mentes alienadas.
Pois é, e isso tem cura? Tem se quisermos. Se os mais esclarecidos saírem para as ruas, para os bairros para a luta do discernimento dos que tem menos informações. Participar de discussões políticas. Esquecer diferenças pessoais e brigar pelo que está mais perto de nós. Utopia? Pode ser. Só saberemos se tentarmos.
Devemos recrutar a coragem. Marchar combatendo os aproveitadores gordos e lustrosos que aparecem por aqui. Lutar com mais consistência nas épocas eleitorais. Conscientizar o povo da importância do seu voto. Esclarecer sobre a vida pregressa dos candidatos. Vigiar e cobrar hoje, amanhã e sempre.
Vamos fazer a revolução pré e pós-eleitoral. Vamos honrar a nossa terra elegendo políticos decentes e comprometidos com a região. Sob o risco de permanecer sempre os mesmos, aos moldes de certos senadores.

Dagoberto Waydzik
Dagoberto@irati.com.br

Quando a farra vai diminuir?

Festa e mais festa no reino do Lago Paranoá. E nem chegou o dia de São João, ainda.
Agora a farra das passagens aéreas. Os deputados, senadores, familiares, amigos, quase familiares estão na oba oba. Eles dizem que isso vem de muito tempo. E daí? Por causa do costume de ser ladrão não se pode corrigir nunca? Ora, se algo errado é descoberto, voluntária ou involuntariamente deve-se sanar a “falha”. Ou porque se passou despercebido pela imprensa ou pelos tribunais a vigarice torna-se jurisprudência?
De acordo com os números oficiais a Câmara Federal gastou R$ 9,8 milhões de reais em passagens aéreas nos três primeiros meses desse ano. Vejam bem, quase 10 milhões de reais em três meses para 567 deputados federais, ou seja, uma média de R$ 17.284,00 por deputado. Só de passagens aéreas. E tem gente que mora por lá mesmo. Tem gente boa que não abusa, mas tem os que levam sogra, namoradas e amantes. Sem contar aqueles que vendem, clandestinamente, suas passagens para algumas agências de viagem, fato esse só agora apurado por uma comissão de sindicância da Câmara.
Numa época em que precisei de tratamento para uma enfermidade, em que o nosso estado não tinha tratamento, essas mesmas passagens aéreas me foram negadas pelo sistema de saúde estadual. Ainda bem que eu tinha como financiar esse gasto para procurar melhorar minha condição física. E a pessoa que não pode? Devia pedir a um deputado.
Se nossa capital federal fosse localizada na região sudeste, talvez houvesse uma pressão maior e o baile seria mais organizado e a orgia mais discreta.
Muitos plenários municipais e estaduais também permanecem em vôo, ou seja, não estão nem aí, nem sequer prestam atenção com o que acontece em suas próprias sessões parlamentares. Não ouvem o colega, lêem jornal em plenário, saem da sessão por longo período, e por aí afora.
E nós, da classe média principalmente, vamos pagando: imposto de rendas, IPVA, ICMS, IPTU, ISSQN, ITBI, contribuição aos conselhos de classes, contribuição (sic) aos sindicatos, assinatura anual de telefonia, licenciamento de veículos, pedágios rodoviários, taxa de inspeção veicular, talão de estacionamento em vias públicas, taxa de uso de sanitários públicos, criança esperança, MST, e outros tantos e tantos impostos. Além dos 567 deputados federais, 81 senadores, deputados estaduais, vereadores, prefeitos e donas “marisas leticias” afora. É a “dita dura” democracia, mas a fraca, porque a forte é bem diferente.
Quando da malversação do dinheiro público as pessoas envolvidas deveriam ser afastadas do cargo até o final da investigação. Que esperança!
No nosso sofrido Brasil, os interesses particulares de detentores de cargos públicos, continuam sobrepondo ao do interesse da população.

Dagoberto Waydzik
Dagoberto@irati.com.br

Publicidade pública

A publicidade é uma atividade profissional dedicada à difusão pública de idéias, associadas às empresas, produtos ou serviços. A publicidade ajuda uma marca a ser mais admirada, mais desejada e, conseqüentemente, mais consumida.
Você acha correto fazer propaganda de obras públicas, pagas pelo governo federal, governos estaduais e municipais? Estes utilizam espaços em jornais, revistas, rádios e canais de televisão para inúmeras informes publicitários desnecessários, como se fossem vender alguma mercadoria. Também, se utilizam desse expediente as concessionárias de estradas, estatais de energia, a Petrobrás, as quais não têm concorrentes setoriais, então, o porquê dessas publicidades, usando o suado dinheiro do povo? Será que o montante gasto não é cobrado em tarifas da própria população?
Pois é, vemos e ouvimos inúmeras propagandas desse tipo em veículos de comunicação. Essa ocorrência é muito maior em ano de eleição!
“Linha verde, creche tia Joana, quadra da piazada, pavimentação na rua tal, posto de saúde da caixa prego, Pac’s” e, assim por diante. Isso não deveria ocorrer nunca! A publicidade de órgão público, a nosso ver, somente é válida para atos institucionais, como uma campanha de saúde pública, combate à dengue ou, uma mudança de sentido de rua, talvez, num programa de reciclagem de lixo. No mais, é propaganda puramente eleitoral, fora da regra do jogo e, talvez, da legalidade, mas, de qualquer forma, imoral.
Será que é necessário fazer propaganda de um posto de saúde, sendo que o verdadeiro necessitado, o doente, irá procurar por esse atendimento, se o mesmo estiver em condições de uso?
Como se faz para prestar contas disso? Talvez com “maquiagens”. O que os Tribunais de Contas pensam disso? Há alguma ação para impedir ou, pelo menos, minimizar essa incoerente prática?
Com tanta carência de recursos, como dizem essas entidades, usa-se o dinheiro público para se pavonear com propagandas. Obras que, muitas vezes, são executadas com grandes empréstimos que comprometerão várias administrações futuras.
Qual a posição dos poderes públicos, como o legislativo, que deveriam fiscalizar essa prática nefasta para os cofres públicos?
Conta-se um caso recente, do prefeito da cidade de Barueri, que recebeu uma televisão LCD para uso público e a mesma estava na casa de um parente seu, ou seja, não onde deveria estar. E, ainda, esse prefeito teve o desplante de entrar na justiça para que o programa não fosse ao ar. Ocorrem, ainda, casos de prefeituras que recebem roupas e doações de outros países e, muitas vezes, distribuem o melhor da mercadoria ao seu pessoal e, o que sobrar vai para a plebe. Isso, também, amiúde, ocorre com produtos da Receita Federal.
E as possíveis falcatruas da Assembléia Legislativa do Paraná, será que vão cair no esquecimento daqui a alguns dias? Cadê nossas entidades governamentais, ou não governamentais, públicas e privadas, que não se manifestam?
Tomara o povo cobre desses detentores de poder o uso racional de seus tributos. Afinal, é um abuso fazer propaganda desnecessária com o nosso dinheiro. Ainda, há a chance das urnas darem o troco aos deputados não os reelegendo.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

O grande banquete

É muito bonito ver uma mesa posta, com fartura de comida, bebidas, louças, talheres e toalhas finas. Porém, é lamentável ver que, quem paga esse banquete não possa usufruir dessas regalias, da entrada até a sobremesa e, somente possa comer as pequenas sobras que caem da mesa.
Há muito tempo isso vem ocorrendo, notadamente com o repasse das verbas arrecadadas pelo governo federal aos municípios. A Federação usufrui do “banquete da arrecadação”, proporcionado pelos municípios e pelos estados e, não convida os patrocinadores para o evento, realizado no longínquo salão de festas de Brasília.
Participei de uma explanação enfática do prefeito da cidade de Irati e ficou claro que a situação dos municípios, médios e pequenos, é realmente preocupante quanto aos compromissos financeiro impostos pela última constituição.
A responsabilidade pela saúde e pela educação foi repassada para o estado e aos municípios, principalmente a esses últimos. Mas, a contrapartida do governo federal não vem como deveria vir.
Se falarmos da diminuição do repasse do Fundo de Participação dos Municípios, do ICMS, somada à crise, que insistem em dizer que não existe, mas é latente no estômago dos menos favorecidos e, o pior verificar a grande onda de violência que assola o país, se não houver uma mudança urgente nesses repasses financeiros a situação ficará caótica para a população.
Existe a possibilidade da regulamentação de uma emenda constitucional de número 29, pasmem de 13/09/2000, que regularia os parâmetros de gastos da saúde, minimizando a carga das prefeituras. Essa medida, se ratificada, acrescentará cerca de 15 bilhões de reais por ano aos estados e municípios. Com esses recursos os municípios poderiam fazer mais, em favor da população, sem aumentar outros impostos municipais, como ISS e IPTU, cujo montante pouco representa para a manutenção das atividades, em comparação com o FPM, mas é bastante pesado aos contribuintes.
E o que nós, simples mortais, podemos fazer para alterar essa situação?
Pressão aos deputados federais, aos senadores e ao governo federal. A imprensa expondo essas feridas, de norte a sul do país. Também, com as entidades constituídas, sindicatos, associações, clubes de serviços, entidades de classes, enviando manifestações, solicitando ações emergenciais às autoridades dos poderes legislativos e executivos. Ainda com as universidades despertando para também com o seu dever cívico e, principalmente com o povo berrando aos quatro ventos para ser ouvido. E nem precisa fazer aliança com “Judas” para se conseguir o que é de direito do povo, como disse, recentemente, nosso presidente, em infeliz declaração.
Nós paranaenses temos bons representantes na Câmara e Senado Federal, embora ela esteja bastante desconexa do governo estadual, mas é preciso que o povo exerça mais seu direito de se manifestar, cobrando e dando força a esses representantes. Devemos nos unir como fazem os nordestinos e os gaúchos que, quando a causa é para o bem de seu rincão, esquecem suas cores preferidas e se abraçam na luta até conseguir o que desejam.
É necessária maior participação de líderes, autoridades e do próprio povo em movimentos da defesa do municipalismo. Nesse encontro que houve na Prefeitura Municipal de Irati, além dos funcionários da prefeitura, da imprensa, não havia nenhuma autoridade de outros setores. Nem presidentes de entidades, tampouco líderes comunitários e do povão, não havia sequer meia dúzia de pessoas.
Reclamar é direito, mas participar é fundamental.
Dagoberto Waydzik
Engº civil

ESTÓRIA DO REINO “DO SEM NADO.”

Era uma vez um reino localizado num cerrado tropical. Tinha um clima bem seco, mas com um grande lago chamado Para lá de oá. Naquele local havia muita, mas muita fartura mesmo. Havia bastantes mordomias, vários faz de contas, existiam assessores para tudo e para todos. Tudo, tudo pago pela grande carga de impostos de um sofrido povo de um reino maior que se chamava a República Federativa do Barril.
Tinham naquele reinado do Barril várias turbas, ditas como organizações visando disputa para poder político.
Havia os Pés Mais Descarados do Barril, os Demonetes, os Pés Tortos, os Pés Tinhosos Barrileiros, os Pés Descalços Tratantes, os Pés Verdosos; Pés Lisos e outros nanicos.
Já teve nesse reino várias estórias cabeludas, a de um tal de Roubam Carteiras o qual já foi comandante do reino e, se afastou por que estava mal cheiroso. A do Misbel Tender, dissimulado e aproveitador de momentos da política do cerrado e, que já mostrou galanteios para uma tal de Dil Ma Dita Dura. A do Jeca Sarnissauro, dono de vários reininhos, e que era o grande coronel do Reino do Sem Nado, com grande influência e que só enxergava e ajudava a quem lhe interessava para se manter no poder. Pula de galho em galho. Aliás, hoje é do partido chamado de Pés Mais Descarados do Barril, que era a antiga Arre Iena, ávido como uma hiena.
O reino era uma verdadeira farra. Havia gratificações de pagamento de horas extras em época de férias, contrato de prestação de serviço a preços exorbitantes, prestação de serviços de servidores empregados do reino para fazer tarefas particulares, aliás, coisas de privadas.
Uma contaminação geral e letal para o reino do Barril.
Ora, mas quando um morador corajoso do reino, o tal de Jabá Vai Com Celos, denunciou tudo isso, foi um Deus nos acuda. Falou que seus colegas queriam cargos para praticar mais e mais falcatruas e atos corruptos. Foi parar nas geleiras do reino, principalmente pelos seus colegas dos Pés Mais Descarados do Barril.
Vejam que só no período de solstício de verão, foram pagos mais de seis bilhões de dinais em horas extras fantasmas para mais de 3.500 assistentes do Sem Nado. Tudo autorizado por um cacique chamado E Daí Vou Mais, ou seria Oba Aí Molha Mais, amigão do Roubam Carteiras.
Era uma quadrilha instalada no Cerrado Barrileiro. O reino cada vez fedia mais. Lá os apaniguados tinham tudo e os contrários não tinham nada. Lógico, que havia gente boa por lá: tal de Jé Fer São Peris; ou o Pieter Simon, e ainda o descendente da Távola Redonda, o Arthur.
E o povo do Barril ia pagando toda essa farra dos podres.
Pior é que o Monastério Pudico não fazia nada. Só restava rezar, mas não rezar junto com alguns bispos que eram vizinhos do cerrado, tinha que ligar direto para Deus, que diziam por aí que também era barrileiro.
No comando da orquestra do Barril estava um molusco da classe cefalópede, que deveria viver nos mares, mas vivia mais nos ares e, sempre afirmava que não tinha medo de marolas.
Tinha ainda nesse reino estórias também mais do sul, de impérios e feudos menores, que vamos contar em outras ocasiões.
Somente com muita educação, moral e cívica aquele reino iria melhorar.
Essa estória tem tudo para o povo do Barril gritar um começar de novo. Apagar as trocas de favores e bajulações que existiam entre os membros daquele reino. Pois, as sociedades conformistas são cultoras da paz de cemitérios.
Nessa estória qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência.


Dagoberto Waydzik
dagobertowaydzik@blogspot.com

O prazer e a importância de se caminhar

Há quase duas décadas eu e minha esposa praticamos caminhadas pelas ruas da cidade de Irati. É o caminho dos que passam da idade para prática de esportes mais contundentes. Na época, pelo que me recordo, tão somente já o faziam: o Ronald e a Sarita e o Nagib com a Olguinha. Hoje, é muito bom ver a grande quantidade de pessoas caminhando pela cidade. Provocam uma cumplicidade saudável e alegre. Não há classe social, idade ou local para depararmos com os diversos caminhantes.
Teoricamente, não sou a pessoa mais indicada para falar dos benefícios desse exercício, mas, foi depois que fui acometido por uma séria doença, que constatei a importância que isso teve na minha recuperação física.
Porém, seria salutar, além da prática esportiva, a realização da caminhada para realização de tarefas do dia a dia, do trabalho, das visitas, da ida à escola, ao lazer, outros afazeres.
Quando se anda a pé, a cidade fica (mais próxima) menor do que nos parece quando só nos deslocamos de carro ou ônibus. Os veículos motorizados dão muitas voltas. Para o caminhante, não há contramão, não existe retorno e nem é preciso procurar vaga para estacionar.
A caminhada é uma experiência gratificante. Além de uma mudança no meio de transporte, é uma nova percepção da cidade. Sente-se o frio, o calor, os cheiros, os ruídos, o movimento dos veículos e das pessoas, enfim, sente-se o pulsar de uma comunidade. Sem falar da satisfação de realizar caminhos diferentes para conhecer novos lugares.
Que tal, quando possível, a pessoa ser o seu próprio veículo de deslocamento. O quanto o meio ambiente e a próprio cidadão não iria lucrar.
Há de se salientar, também, que para que isso ocorra deve haver calçadas em bom estado, o que na maioria das cidades não ocorre. A manutenção da calçada é de responsabilidade do proprietário do imóvel em frente a ela, a questão é que não há fiscalização pública para isso. Ainda há um sem número de obstáculos colocados nas calçadas como: propagandas em cavaletes, árvores mal locadas, entulhos e materiais de construção civil e até as famosas caçambas que deveriam estar dentro da própria construção, quando possível. Mas, está mais do que na hora de se falar sobre a educação sobre as calçadas, e do quanto todos nós perdemos com a desordem generalizada em que as mesmas se encontram nas cidades. As pessoas precisam ser conscientizadas de que calçada é parte de uma via, por onde indivíduos precisam fluir tanto quanto na rua propriamente dita.
Outro fator importante seria a colocação de sanitários, fixos ou móveis, no perímetro urbano, o que é uma falha muito grande em quase todas as cidades. Os poucos que porventura existem muitas vezes encontram-se fechados e, aí como se arranjam os caminhantes?
Além disso, é necessário que os motoristas sejam mais polidos com os pedestres, não buzinem desnecessariamente, não estacionem sobre as calçadas, espere as pessoas atravessarem uma faixa de pedestre.
Caminhar ainda é uma das poucas formas gratuitas de relaxar, exercitar-se e garantir qualidade de vida em geral.
Isso deve ser resgatado nas cidades. Mais do que uma reordenamento urbano, talvez as boas coisas de um tempo que não volta mais: resgatar as pequenas alegrias do dia-a-dia, tão prejudicadas pelo ritmo intenso da modernidade, a gentileza, a simplicidade no jeito de ser e de viver, o respeito pelas tradições.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

O povo nas ruas

No dia 15, próximo passado, várias cidades do Paraná mostraram seu descontentamento diante dos escândalos da Assembléia Legislativa do Paraná, noticiados diuturnamente pela mídia estadual. A cidade de Irati não ficou de fora.
Embora muitos torcessem o nariz para a manifestação, promovida pela OAB, creio que, quem foi, cumpriu seu papel como cidadão e, o evento foi válido para o exercício da democracia. A sociedade civil exerceu o importante papel de solicitar o funcionamento adequado das instituições. As ideias só ganham efetividade quando partilhadas pela comunidade.
Certamente, o movimento está provocando desarranjo intestinal em muita gente envolvida nesses escândalos, sejam aos atores políticos, ou aos fantasmas da ópera.
Não é fácil de colocar o paranaense nas ruas, ainda mais quando não há show no local ou comida de graça. A história é antiga. A timidez e acabrunhamento são patentes nesse rincão. Não se obriga uma pessoa a gostar disso ou daquilo. Sem falar da cômoda omissão das pessoas em casos como esses e, o individualismo que leva cada um a pensar em seu próprio bem-estar e nos seus objetivos particulares.
Porém, mesmo com a pouca participação popular, isso não quer dizer que a população está a favor dos fatos praticados pelos mandatários da Assembléia Legislativa do Paraná. Há uma indignação coletiva diante desses escândalos. O comentário é intenso e, com certeza o resultado das investigações é esperado com ansiedade e otimismo, para que se tornem realidade as transformações estruturais esperadas.
Estranhamente, o atual presidente da Assembléia, quando argüido, por um repórter, sobre a reunião na Boca Maldita, em Curitiba, respondeu: “quero ver quem vai pagar a conta desse movimento”. Pasme, essa resposta é uma atitude cínica diante de tudo aquilo que parece estar envolvido.
Não tenho nada pessoal contra o cidadão e, nem contra seus simpatizantes, contra os seus eleitores do passado, ou, ainda, contra os outros componentes da mesa diretora. Todavia, os problemas denunciados devem ser investigados a fundo. Mas a fundo mesmo, desde a atual mesa diretora até as das administrações anteriores.
Hoje, o pensamento da sociedade paranaense se dirige para a apuração eficaz e célere dos atos desses entes públicos. Se isso não for feito antes das próximas eleições, pelo menos que o eleitor responda com um “não” à reeleição desses possíveis candidatos.
O cidadão é corresponsável pelo destino de sua comunidade, da sua cidade, do Estado do qual faz parte. A escolha é livre, mas cada um deve apropriar-se do dever cívico de forma integral e, essa escolha trará conseqüências futuras para todos.
Não podemos deixar que cubram os olhos do povo com o capuz da ilusão e de um resultado fictício dessas investigações.
Nossa obrigação é lutar por uma sociedade sem exploradores e nem explorados.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

O FUTURO DO TRABALHADOR INFORMAL NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Uma das maiores fábricas do mundo, a construção civil, acolhe um grande número de trabalhadores, mas também representa o maior índice de acidentes. Os riscos são grandes, segundo o OIT (Organização Internacional do Trabalho) ocorrem, por conta da construção civil, 355 mil acidentes fatais anuais no mundo.
A primazia do menor preço em obras, principalmente públicas, contribui para esse quadro.
A falta de segurança para os trabalhadores, principalmente no mercado informal, é patente, pois o treinamento da mão de obra é inexistente.
O aquecimento desse setor é extremamente salutar, mas deve-se refletir qual o resultado para o trabalhador, no futuro, esse mercado de trabalho informal lhe trará.
A deficiência de cultura preventiva impera no mercado da construção e, é principalmente presente nessa informalidade.
Essa informalidade resulta numa ausência de responsabilidade social dos órgãos governamentais, que na ânsia de galgar estatísticas favoráveis em suas planilhas, mascara essa informalidade e, até, muitas vezes incentiva-a com o aceite de financiamentos de entidades públicas a diversas edificações, principalmente populares, diretamente ao interessado, sem passar por uma empresa que enfrenta o alto custo da legalidade.
Pergunta-se: onde o trabalhador dessa informalidade buscará seus direitos de um pecúlio de aposentadoria? Que leis trabalhistas o protegem? O que os sindicatos fazem nessa hora, com os “gatos” da construção civil?
Essa sede ao maior lucro possível é uma concorrência desleal com as construtoras que pagam o preço, muitas vezes, de ter que demitir bons funcionários por não ter um resultado favorável no confronto com o mercado informal.
Se existe essa informalidade é porque, muitas vezes, o governo cerra os olhos para a necessária fiscalização dessa prática. Também, porque há a existência de clientela na população que se presta a essa situação. Entretanto, depois, essa mesma freguesia, reclama do resultado e da qualidade final da sua obra. Sem falar que a regularização legal do empreendimento é bastante trabalhosa, contudo possível pela anuência dos órgãos concernentes a essa legalização, como INSS, cartórios, prefeituras, órgãos governamentais, entidades bancárias. Mesmo que sendo legal, mas prejudicial às empresas formais.
Nenhum trabalhador, contudo, se sentirá valorizado e seguro, com relação a esse trabalho, com a informalidade de seu cargo que é itinerante, nesses tipos de empreendimentos.
Observamos que com o advento de nossa Constituição Cidadã, em 1988, muito se buscou resgatar os indispensáveis direitos coletivos, fundamentos principais da democracia garantidos em direitos de segunda geração, os ora chamados direitos sociais, econômicos e culturais, onde passou a exigir do Estado sua intervenção para que a liberdade do homem fosse protegida totalmente (o direito à saúde, ao trabalho, à educação, o direito de greve, entre outros).
Da mesma forma se adentrou nos direitos de terceira geração, que ultrapassam a visão individualista, superando a bifurcação entre o público e o privado. aprimorando os conceitos da sustentabilidade, e até mesmo evoluiu-se na abordagem da necessidade do cumprimento da função social da propriedade. Parece-nos que as coisas se encontram em um estado de inércia no que se refere à necessidade do desenvolvimento formal do país a bem, e em prol do posto de trabalho legal, e que esses valores carecem de um decisivo resgate.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

Produto diploma

Sobre a educação no Brasil se pode comentar de suas inúmeras fases. Desde a etapa do primário, que é a base do futuro educacional de uma pessoa, até a educação superior, onde a maioria almeja chegar. No todo vemos diversos pontos que deveriam ser aprimorados.
Ocorre que, nesse interstício, muito se pode agregar ou se deixar passar em vão.
O ensino de primeiro grau, a meu ver, poderia ser mais eficiente. Só não o é devido a inúmeras causas, como: condições econômicas da população, má remuneração dos professores, falta de maior investimento do governo, entre outras.
O terceiro grau, ou seja, ensino superior é o ápice do desenvolvimento educacional de qualquer estudante. Porém, hoje, de certa forma, está se banalizando essa etapa. Atualmente, muitas faculdades estão sendo criadas, em todo canto de nosso país, com critérios duvidosos. Se assim não o fosse não haveria, por exemplo, a avaliação da Ordem para os bacharéis em Direito, após cinco anos de estudo. O tão falado exame da Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB. Além do acovardamento de muitas universidades, na omissão das questões de cidadania, optando pela estúpida subserviência aos sistemas governamentais vigentes.
Contudo, o maior gargalo parece estar no ensino médio e técnico. Lógico que o país precisa de bons profissionais advindos das universidades, com devidas atribuições para exercer o saber científico, o saber da academia. Porém, num país em desenvolvimento, é extremamente necessário que se invista no ensino técnico profissionalizante. É com essa formação que se equilibra a mão de obra prática e intermediária em todos os setores da cadeia produtiva. Os verdadeiros “mãos na massa”.
Nesse setor, a região do município de Irati obteve uma grande conquista com a recente instalação do IFET, o Instituto Federal de Tecnologia. Essa instituição, certamente foi uma das maiores conquistas políticas para a região. Ensino público, gratuito e num dos degraus mais carentes da escada escolar. Nossa cidade terá um substancial desenvolvimento em médio e longo prazo.
Parabéns aos políticos e lideranças que uniram forças para que a concretização dessa conquista. São dessas demonstrações de união que nosso povo necessita. Esse bairrismo é saudável e traz um resultado positivo, necessário e não fictício. Campanha eleitoral é uma coisa, todavia, o interesse da população deve ser colocado acima de divergências partidárias e pessoais. Tomara que esse exemplo continue a ser praticado em outras lutas, como a duplicação de nossa BR-277, o maior repasse de verbas federais, pelo não fechamento das Apaes e, porque não a luta por mais universidades federais. Sim federais, pois vejam o Paraná tem seis universidades estaduais, pagas pelo governo estadual. O Rio Grande do Sul tem apenas um, o restante são todas federais, pagas pelo governo federal, isto é, também com o dinheiro do Paraná.
É certo que o maior investimento que um governante pode fazer, num país em desenvolvimento, é na educação. Esse investimento sempre trará resultados positivos para que a nação cresça com harmonia, qualidade de vida e justiça social. O resultado será um mundo mais conexo, um mundo mais entendível com menos beócios.
Salve a vinda do IFET. Viva a vinda dessa indústria limpa. Salve a indústria do conhecimento.
Dagoberto Waydzik
Engº Civil

Pirajopya py Tupãssi

Pirajopya significa pescador na língua guarani. E é lá pelas bandas do berço do povo guarani que estivemos pescando há pouco tempo, no Pantanal mato-grossense.
A região é uma das maiores planícies sedimentares do mundo. Ocupa uma área de aproximadamente, 230 mil quilômetros quadrados. Estende-se pelos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, além da Bolívia e do Paraguai, onde termina no chaco paraguaio. Existem alguns morros isolados nessa imensa planície inundável.
Trata-se de um similar de um imenso vale, que apresenta um relevo semi-plano e, cuja declividade de suas águas, é de apenas 15 centímetros por quilometro. Por isso, há uma dificuldade de drenagem e de escoamento das águas da chuva, o que provoca na época das chuvas, de novembro a março, grandes inundações. Contudo, na seca aparecem as praias, as lagoas e os corixos com seus camalotes floridos.
O gosto de uma pescaria é respirar o ar puro, é ver o sol nascer, navegar pelo rio e descobrir o sentido maior da vida que pulsa em cada ser, animal ou vegetal. No pantanal tudo surpreende, até mesmo à noite, quando não se vê, mas se escuta os sons dos animais e do vento. É um paradoxo, mas é como se ouvir o silêncio.
Acordar cedo é como sentar na primeira fila para assistir um espetáculo. Pouco a pouco aparecem os artistas. Os biguás, os papagaios, as capivaras, as ariranhas, os jacarés. O cheiro do mato faz esquecermos os odores da cidade. O tuiuú, a ave símbolo do pantanal, finge-se de estátua, com parte e suas pernas submersas aguardando para disputar um peixe com a garça branca. O aroma vai crescendo com a intensificação dos raios solares. No mato vemos rastros das onças pintadas e enormes cobras sucuris nos barrancos. Os animais aparecem com muita facilidade. Tudo isso é proporcionado por uma excursão de turismo ou pescaria.
O pantanal é um palco em constante mudança, onde o espetáculo acontece a todo o momento, bastando que os espectadores, ao visitá-lo, estejam atentos aos seus sentidos.
Apanhamos o barco hotel Tupãssy (Mãe de Deus na língua Guarani) e, com ele navegamos o Rio Paraguai, no sentido acima. Esse rio possui uma extensão de 2621 quilômetros, nasce na Serra de Araporé, no estado de Mato Grosso e deságua no Rio Paraná. O barco hotel possui bom conforto, segurança e uma tripulação treinada e competente.
O companheirismo numa pescaria é regra de ouro e, todos são iguais desde o mais rico turista até o mais simples e importante piloteiro. Esse sujeito é um pantaneiro servidor dos pescadores. Pessoa simples, é uma figura interessante, leva a sério sua profissão atendendo ao turista da melhor maneira possível. Fala três idiomas, o espanhol, o português e o guarani, sua predileção, para desgosto dos turistas, que não entendem nada, mas esse idioma muito influenciou a nossa língua. Por exemplo, as palavras: jaguara, araponga, caucau, eichu, guará, itu, jacaré, mandió (mandioca), entre muitas outras. Pergunto ao piloteiro onde fica a entrada do Rio Nabileque? “Ele responde: é atrás daquele pé de carandá”. Depois soubemos que carandá é uma palmácea típica e abundante do pantanal.
Os ribeirinhos respeitam a natureza, mais que em muitos outros lugares e também, que muitas pessoas pelo no Brasil afora. Quase não se vê poluição produzida por esses pescadores. Infelizmente, não se pode dizer o mesmo de fazendeiros vizinhos que proporcionam enormes queimadas prejudicando o ecossistema do entorno.
A gastronomia é diversificada devido à fartura de alimentos existentes, o que também influenciou algumas comidas brasileiras. Como a moqueca, que é o preparo do peixe pelo processo do moquém, apiloando, envolvendo em folha de bananeira e assada em brasas e cinzas.
Come-se bem, desde um caldo de piranha até alguma caça ou, frutas do local. A capivara, oferecida a nós é abundante por lá e, também é criada em cativeiros, assim como o jacaré. Dizem os pantaneiros que quando ingerida essa carne, libera as toxinas do organismo. Limpa o sangue e, através do suor ficam os resíduos dessas impurezas na pele do indivíduo. A pessoa que se alimenta dela deve banhar-se intensamente, pois podem formar-se feridas na pele do vivente. O cozinheiro do barco hotel preparou um saboroso prato com capivara, criada em cativeiro, disse ele. Tiveram companheiros que não comeram de jeito nenhum. Ou o sangue estava muito limpo ou, não gostam de agredir a água.
Brincadeiras à parte, o fato é que a região é fascinante e todos que tiverem a oportunidade devem conhecê-la, respeitá-la e preservá-la. É um grande patrimônio da natureza.

Dagoberto Waydzik
dagobertowaydzik@blogspot.com.br

O Brasil também é feito por loiros de olhos azuis

Houve um tempo, em que algumas pessoas estampavam, com orgulho e saliência, um decalque no pára brisa de seu carro com o dizer: “O Sul é meu país”, incitando, com essa frase, uma possível divisão do país entre estados mais ricos de estados mais pobres. Atitude essa, sem levar em consideração os vários tipos de riquezas culturais, naturais e dimensionais da nossa nação. No fundo, uma atitude inepta e de puro preconceito.
Nosso presidente falou que a culpa da crise mundial é de pessoas loiras de olhos azuis, tal declaração, no mínimo, pode ser taxada de ranço preconceituoso.
Esse mesmo governo instala cotas raciais nas universidades e, agora até pretende, através de projeto de lei, que tais cotas sejam estendidas para tudo: empregos, lugares nos teatros e cinemas e por aí afora. Tal propósito, no mínimo é uma afronta a inteligência dos cotistas e, gerará mais preconceito.
Quando se nega, através de uma secretaria pública de saúde, um tratamento a distância de saúde a um paciente por entender que ele é um pretenso adversário político ou supor que ele tenha posses, pratica-se um ato de preconceito.
A grande mídia está de certa forma, desvirtuando o caso do cidadão, rico e deputado do Paraná que causou um acidente fatal em Curitiba, pois está pesando a pena na condição social e profissional do mesmo e não exatamente no fato. Que se odeie o pecado, mas não o pecador. Isso é apelativo, é macambúzio, é tornar corriqueira a tragédia e é, também, preconceituoso. A justiça deve ser praticada. Os fatos devem ser apurados, se culpado, deve ser punido, mas não tornar o réu um bode expiatório. A comoção pública é grande e verdadeira, contudo os julgadores devem ser ímpares e não se deixarem levar pela “atmosfera sensacionalista”, pelo agravamento do sentimento, pois todos os outros casos, alguns até bem próximos de nós, devem ser esclarecidos de forma isonômica, independente de classe social, profissão ou cor da pele. Longe de ser a favor, ou contra a quem quer que seja, devemos sim, ser a favor da verdadeira justiça. Até somos pelo fim da imunidade parlamentar, fora do foro do parlamentar.
A palavra preconceito significa o conceito ou opinião formada antecipadamente, sem conhecimento ou maior consideração dos fatos. É um pré-julgamento. É um conceito exarado de maneira casual. Por causa disso, diversas vezes, o diferente é segregado, julgado inferior, enfim castigado psicologicamente e até, em alguns casos, fisicamente. O preconceito separa as pessoas, segrega comunidades e entrava o progresso econômico e espiritual de um povo.
Com o pretenso projeto de lei desse governo, que é populista, é como afirmar que os pardos e negros são inferiores intelectualmente. E, pergunto: os negros ricos, também auferem o benefício dessa lei? Todo esse proselitismo é um preconceito estulto.
Durante toda a história da civilização ocidental, sempre fomos favoráveis a explorar, definir e julgar. Quando foram descobertos novos povos, como na América, as primeiras perguntas foram: não são iguais a nós e, o que podem nos oferecer? Os que não eram iguais em termos de cor, crenças, idiomas eram considerados inferiores.
Parece que no Brasil querem pintar até a alma do cidadão.

Dagoberto Waydzik
Engº Civil - dagoberto@irati.com.br

Nem tudo o que reluz é ouro

Em uma sociedade, quando injusta, o poder pode ser vendido e comprado, dado e tomado. Contudo, a autoridade não pode ser comprada, nem vendida, nem dada e nem tomada, mas a verdadeira autoridade, não daquele que se diz autoridade, por ser detentor de um cargo, qualquer que seja.
Autoridade diz respeito a quem você é como pessoa, ao seu caráter e, à influência que exerce sobre terceiros. Já poder é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer a sua vontade.
Uma das coisas que mais impressiona é a audácia das pessoas desonestas. Pousam de boazinhas e, diversas vezes assumem a posição de líderes facilmente. Ninguém consegue disfarçar essa essência por muito tempo. Ninguém se corrompe de repente. Na população brasileira existem muitas pessoas íntegras e inteligentes. Não são tolas e falhas na percepção. Porém, muitas vezes, há a comodidade de se calar frente às injustiças, às falcatruas de terceiros. É censurável prestigiar essa comodidade de um único ser em detrimento de vários semelhantes. As vantagens desonestas de alguns causando a ruína de outros.
Nesse país, os culpados estão inventariados, fichados e, em várias ocasiões, nada se faz. Algumas pessoas mentem descaradamente, ajoelham-se em igrejas, beijam criancinhas e até participam de campanhas beneficentes. Com que propósito? Somente com o intuito de aparecer. Jesus nos ensinou que: “nem a mão esquerda deve saber o que faz a direita”. Referiam-se a trombeta que os hipócritas faziam quando davam qualquer coisa aos pobres.
Nossa comunidade mede a importância das pessoas pelo modelo do carro, das cilindradas de uma motocicleta, do castelo de sua fazenda, do valor de sua bicicleta, do luxo de suas casas ou da potência de seu barco. Não importando como isso tudo foi conseguido. E o progresso moral? Julgamos os ladrões de galinhas, mas nem sempre os grandes golpistas. É uma hipocrisia. Todavia, um dia o povo enxerga que o ouro que reluzia era pirita, ou seja, o ouro dos tolos, o ouro falso.
Para que nesse mundo haja a verdadeira justiça é preciso que os que ouviram não façam ouvidos moucos e olhos cegos. Que não se julguem pelas aparências. Todos devem assumir a sua responsabilidade perante a população em que vivem e deixar de lado o faz de conta. A omissão também é um defeito.
A título de ostentar probidade, não se deve simular ignorância e nem ser conivente com a dilapidação do capital ético do país. Falta aos nossos dirigentes, à elite, aos abastados o compromisso com a coisa pública. Acima de tudo falta civilidade.

Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

Negócios de família: “trazparentes”

A essa altura dos acontecimentos é inevitável deixar de comentar os escabrosos escândalos dos diários secretos da Assembléia Legislativa do Paraná, devidamente denunciados pelo jornal Gazeta do Povo e pela Rede Paranaense de Comunicação.
Diz a lei que ninguém pode ser considerado culpado antes de ser julgado. De ter o direito da ampla defesa e do contraditório. Mas, no caso das últimas notícias, denunciando o presidente Nelson Justus, o mínimo que se pode esperar é que o privilégio de seu cargo não atrapalhe as esperadas investigações do Ministério Público e, talvez, do Tribunal de Contas. E, que se investigue toda a diretoria da mesa que assinou a documentação mencionada.
Se montarmos um organograma, ou melhor, uma árvore genealógica das pessoas envolvidas nessas denúncias chega-se a uma interação entre a Prefeitura Municipal de Guaratuba e a atual diretoria da Casa de Leis de nosso Estado. Um suposto nepotismo.
Vejam a posição dessas pessoas. A prefeita de Guaratuba, Evani Justus, é cunhada do presidente da Assembléia, que foi funcionária do gabinete do cunhado até 2007. Seu esposo, Gil Fernando Justus, é atual secretário de Finanças de Guaratuba e irmão de Nelson. Cláudio Nazário da Silva, que é hoje o presidente da Câmara, foi nomeado funcionário do gabinete da presidência da Assembléia em abril de 2007.
Em novembro de 2009, a Polícia Federal deflagrou em Guaratuba a Operação Palmito, onde prendeu 18 pessoas acusadas de extração ilegal de palmito, no litoral. Duas pessoas dessa conexão faziam parte do estafe e da folha de pagamento da casa de leis do Paraná.
Praticamente todos os mandatários de partidos políticos da cidade de Guaratuba que apoiaram a então candidata a prefeita hoje estão lotados na folha de pagamento da Assembléia, segundo noticiou a Gazeta do Povo do dia 06/04/2010. Urge que se verifiquem essas coincidências, não?
Também, lá na cidade “Guarda chuva”, segundo a Gazeta do Povo, é abrigada uma rádio em que são sócios: a filha do ex-diretor Abib Miguel, o presidente Justus e um ex-diretor da presidência da casa dos deputados. Mais coincidências...
De acordo com o mesmo jornal, está, ou estava há pouco tempo, recebendo altos salários da Assembléia a advogada Beatriz Grossi Maia. Esta senhora, que o presidente disse não conhecer, mas assinou uma procuração para ela representá-lo em ação judicial. E, o pior é que a noticiou-se que a mesma nem expediente fazia lá.
Nara Leoni Ferreira é esposa de um dono de jornal daquela cidade e foi nomeada para o gabinete da presidência.
O que pensar de tudo isso? Será que existe uma grande generosidade dos mandatários da Assembléia com alguns sortudos? Ou que o dinheiro do povo é distribuído somente aos amigos do rei?
E pensar que os simples mortais sofrem para manter uma pequena empresa com os altos impostos e pagamentos do merecido e justo salário de seus empregados. Também os diversos pais que penam para manter uma família. Sem se aprofundar nas necessidades do povo, citamos apenas a carência de uma rede de saúde decente, ou a falta de segurança no nosso Estado. Enquanto isso, no mundo do “não sabia de nada”, o dinheiro do povo é distribuído levianamente sem, muitas vezes, a devida labuta de quem o recebe sem qualquer retorno social.
Tem muito mais denunciado e a ser apurado, por aquele órgão de imprensa. Tomara que o Ministério Público, Polícia Federal e o Tribunal de Contas não deixem tudo isso virar uma “pizza ao Cury”. Porém, quiçá que principalmente o povo e, os simpatizantes desses deputados, que talvez até então não os conhecessem por completo, não cometam o erro de reelegê-los nas próximas eleições.
O Paraná merece transparência e não “trazparentes”.

Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

Melhor que limpar é não sujar

Você notou que as cidades estão ficando cada vez mais sujas? É lamentável a atitude das pessoas que jogam papéis, xepas de cigarros, copinhos e outros lixos nas calçadas, seja pelos pedestres ou de dentro dos automóveis. Mesmo em lugares onde existem lixeiras públicas.
É notória a falta de lixeiras nas ruas e praças das cidades, mas a atitude de poluir o meio ambiente não se justifica, pois se pode levar esse lixinho até a casa e depositá-lo no devido lugar. Ninguém gosta que se jogue o lixo em frente de sua residência. As prefeituras devem colocar mais lixeiras nas ruas e manter equipes de limpeza em lugares públicos, mas se a população não fizer a sua parte de nada adianta essas medidas. Veja o quanto não se economizaria com a diminuição dos serviços de varrição feita pelos garis.
Em frente de cada casa deveria ser obrigatória a colocação de pedestais ou suportes em gradis para o depósito do lixo domiciliar, o que em muitas residências não ocorre e, assim os cães de rua fazem a festa e espalham esse lixo.
Reciclar e reutilizar são o toque de “Midas” da conservação do meio ambiente. É muito grande o volume de lixo que vai para os aterros sanitários, diminuindo sobremaneira a vida útil dos mesmos.
Infelizmente, hoje, o ser humano atravessa um momento de inflexão em sua trajetória. O homem esticou demais a corda e está vendo a chegada da degradação da natureza. Porém, apesar dos maus presságios, ainda há tempo de evitar um caos maior.
Urge a obrigação de uma mobilização da sociedade para uma conscientização sobre o que é civilidade e urbanidade. Isso se deve a necessidade urgente de remodelar nossa maneira de viver, de sermos verdadeiros cidadãos. A premissa que o principal é ser livre para “ser” e principalmente, “ter”, é desastroso. Pois, atualmente, não se aplica essa expressão liberal francesa “laissez faire.”, que significa que o Estado deve interferir o mínimo possível na vida do povo. Devemos sim, nós moradores das cidades, agir de forma a cuidar da água, economizar energia, minerais, além de controlar a poluição e o lixo produzidos.
E, isso deve ser levado a cabo pelas municipalidades, colocado como uma das principais diretrizes, através de campanhas de conscientização da população, principalmente dos mais jovens.
O desprezo e o despreparo, aliados a um consumismo desenfreado é a doença que está atingindo a todos. Daí a necessidade de se exigir as políticas de combate aos agentes poluentes. De se incentivar a reciclagem, a começar pelas escolas. Do incentivo do consumo equilibrado pelos consumidores. De uma educação ambiental, para não enfrentarmos enchentes logo ali há algum tempo. De economia de água e energia. De buscar fontes alternativas de energia. Mas o principal, de respeitar o meio ambiente como respeitamos a nossa própria casa.
Melhor que limpar é não sujar, pois no mundo tudo tem um preço e, pode ser que em breve espaço de tempo não possa pagá-lo para nos manter vivos.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

Vamos ajudar o mundo em que vivemos

Você já notou que a maneira que vivemos deixa sinais no meio ambiente? Nossa caminhar pelo planeta deixa “sinais”, “cicatrizes”, que podem ser grandes ou pequenas, de acordo como andamos.
Na maior parte das vezes expedimos a culpa da crise ambiental aos outros sem olhar para nossas atitudes dentro de nossas casas, trabalhos e de nossa cidade. É um paradoxo atribuirmos à coletividade, uma responsabilidade que não seguimos em nosso caminhar.
Vamos meditar que quantia da natureza nós utilizamos para sustentar nossas formas de moradia, alimentação, locomoção e lazer, ou seja, a nossa maneira de viver.
Quanto mais se célere a nossa exploração do meio ambiente, maior se torna o borrão que deixamos na Terra.
O uso excessivo de recursos naturais, o consumismo exagerado, a degradação ambiental e a grande quantidade de resíduos gerados são rastros deixados por uma comunidade que ainda se vê fora e distante da natureza.
Precisamos medir a área que utilizamos para nos sustentar.
Por exemplo: será que estamos reservando um espaço para penetração da água no terreno em torno da nossa casa? Ou, por comodismo, ou ignorância, estamos fazendo calçadas impermeáveis em toda a área de nosso terreno? E, com isso não garantindo a biodiversidade do subsolo, prejudicando assim, uma cadeia ecológica. Também, não permitindo que as águas de chuvas alcancem o lençol freático.
Considerar até que ponto o nosso impacto já ultrapassou o limite é essencial, pois é assim que poderemos saber se vivemos de forma sustentável.
Temos que avaliar se a demanda da população de um local por recursos naturais não é maior que a capacidade daquele local tem para renová-los.
Como outro exemplo, vamos refletir, novamente, sobre a água – todos os dias você escova os dentes, toma banho, lava as mãos, faz comida, lava louça e roupa, utiliza a descarga. Você já pensou o quanto tudo isso consome de água por dia? Verifique sua conta, divida por 30 dias e pelo número de pessoas de sua casa. O consumo médio mundial diário é de 40 litros de água por pessoa. Se você esta gastando muito mais do que isso você esta desperdiçando. Certamente é possível melhorarmos isso.
Como segundo exemplo, vamos falar sobre a energia elétrica. Diariamente, você faz funcionar luzes e eletrodomésticos, com chuveiros, computadores, televisões, rádios, escadas rolantes, elevadores, condicionadores de ar, etc. você já pensou em quanto a natureza é preciso “em pegar” para fazer tudo isso funcionar?
A maior parte da energia consumida é produzida por hidrelétricas, que exigem para o seu funcionamento a construção de grandes barragens. Assim, com o aumento de consumo e a decorrente necessidade de produzir cada vez mais energia elétrica, torna-se necessário represar mais rios e inundar mais áreas, produzindo as florestas, impactando a vida de milhares de outros seres vivos, retirando os climas locais e regionais com o aumento das superfícies de evaporação.
Toda vez que você deixa uma luz acesa sem necessidade, amplia a tua pegada no planeta!
Nossa alimentação não é exagerada? Não desperdiçamos alimentos, enquanto muitos sequer têm o que comer. Se o mundo consumisse como os americanos consomem, necessitaria de seis planetas Terra para suprir esse consumo.
Na modal transporte o Brasil está muito atrasado, pois deveríamos aplicar esforços nas ferrovias e até nas hidrovias. Mesmo com toda a barra forçada das multinacionais de veículos rodoviários sobre nossos dirigentes públicos.
No consumo de bens e serviços será que não há um exagero por parte de todos nós? O consumo tem crescido, assim urge que medidas de proteção ao ambiente sejam desenvolvidas. Precisamos de uma matéria escolar de educação de consumo sustentável. Necessitamos o incentivo de empresas que produzam produtos ecologicamente corretos. O consumo em cidades que não existe a coleta seletiva ou, onde ela é realizada de maneira ineficiente, a pegada, ou seja, a marca que cada habitante deixa no planeta é maior.
Quanto à polêmica do desmatamento das florestas deve-se conscientizar-se para o manejo sustentável, que é a grande ferramenta a ser utilizada para que se possa garantir o uso das florestas sem a ameaça de perdas ecológicas, econômicas e sociais graves no futuro.
Todos nós somos responsáveis pelo futuro que as próximas gerações encontrarão em nosso planeta.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

Manutenção de infraestrutura

Numa cidade, os mandatários se preocupam principalmente em executar obras. Muito importante essa prática, mas somente isso não basta para uma qualidade de vida adequada da população.
A cidade é semelhante a um corpo humano. Nasce, cresce e envelhece. A diferença é que na maioria das vezes ela não morre, mas agoniza e muitas vezes, a matam.
As escolas, as praças, a sinalização urbana, um ponto de ônibus, os edifícios, a pavimentação, é uma gama de investimentos e vem se deteriorando de forma ilógica.
Diz-se que os acidentes acontecem de maneira imprevisível. Será mesmo, em se tratando de cidades? É correto falar assim? Grande parte dos acidentes em cidades ocorre por falta de manutenção da infraestrutura. É um buraco não consertado, um banco de praça estragado, uma lixeira caída, uma luminária queimada, uma estrada não conservada, um bueiro entupido, uma sinalização de lombada inexistente. Parte disso pode ter sido provocada por vandalismo, porém é obrigação do poder público zelar e substituir o que estiver deteriorado, para o bem de todos.
Nosso problema com manutenção é cultural, é educacional. Não se faz manutenção preventiva no Brasil, apenas corretiva e jamais predetiva. Não é nossa cultura trocar qualquer peça antes de sua quebra, nem mesmo quando apresente desgastes visíveis. Aguarda-se até que se deteriore totalmente.
A indústria automotiva, do país, luta para mudar essa maneira do brasileiro pensar e agir. Ela tenta disciplinar o usuário através do manual de manutenção preventiva, mas quase a totalidade dos usufruidores de veículos julga desnecessário o seu uso.
Pior acontece com a infraestrutura de uma cidade. Como os governos são formados por representantes do povo, pode-se entender claramente porque os governantes procedem dessa maneira.
Urge que mudemos esse tipo de cultura de não manutenção, apenas para economizar um pouco. Agora e, num futuro próximo, depois que os “acidentes” tenham ocorridos, gastar muito mais.
As estatísticas de acidentes automobilísticos, de enchentes, de epidemias, muitas vezes são inerentes à falta de manutenção preventiva.
Será que não temos tecnologia suficiente para a prática da manutenção preventiva? É evidente que o problema não é de tecnologia, mas sim de gestão. Na verdade, de “má gestão” ou, “não gestão” da coisa pública.
Na iniciativa privada, principalmente em todas as indústrias, a manutenção é considerada uma preservação do patrimônio, do capital investido e da operacionalidade e, não uma despesa supérflua e adiável.
É muito importante mudarmos a “cultura da manutenção”.
É preciso considerar que, no Brasil, temos muito por fazer nas cidades e, isto também é um fator que inibe a manutenção. O ordenador de despesa tem que optar entre fazer o que falta ou manter o que existe. Contudo, não se justifica a ausência total de manutenção.

Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

O lixo faz parte do meio ambiente

Uma das principais mazelas do mundo atual é a geração de lixo.
Com o decorrer dos anos, a o número de habitantes no mundo, que era de quase um bilhão de habitantes no ano de 1900, início do século XX, acresceu no último século em cinco bilhões de pessoas. Assim sendo, é admissível a previsão para os próximos 40 anos de um aumento de 3 bilhões de habitantes, chegando a um total ameaçador de 9 bilhões de habitantes no nosso planeta.
Este estouro demográfico provoca, no aumento do uso das reservas naturais do planeta, no acréscimo da fabricação dos bens de consumo e, fatalmente, no aumento da geração de lixo.
A reboque disto vem o aumento da poluição do solo, das águas subterrâneas e superficiais e, do ar, com uma série de decorrências na qualidade de vida dos habitantes da Terra e nos seus bens naturais.
Estamos consumindo de maneira impensada nossos recursos naturais e, ainda privilegiando uma pequena parcela da população mundial, em prejuízo da maioria.
Esta paisagem está produzindo uma profunda ferida entre os povos menos e mais favorecidos, o que evidentemente faz aumentar sobremaneira a pressão social, e conseqüentemente, a crise ambiental.
O consumo hoje é tão extraordinário a ponto de que o se considerava anteriormente viável, começa agora realmente a se ter a idéia do contrario: a base material do crescimento, que era ilimitada, tanto do ponto de vista dos recursos, quanto da poluição, não pode ser mais assim considerada.
Começamos a enxergar que a capacidade de reposição da natureza é incompatível coma a devoradora capacidade de exploração do homem.
A dupla: produção e consumo, que movimenta as atuais sociedades capitalistas, é algo que parece estar fora de controle. Conforme relatórios da ONU, a humanidade consome mais de 20% além da capacidade de reprodução da biosfera. Déficit que vem aumentando em 2,5% ao ano. Alguns dados dos relatórios da ONU são apavorantes.
• O consumismo está minorando os recursos naturais do planeta e os países mais desenvolvidos representam 15% da população mundial e consomem 61% do alumínio, 59% de cobre e 49% do aço.
• Existem atualmente 60 mil km² anuais de áreas em processo de desertificação.
• A perda de florestas tropicais, o maior inventário da biodiversidade, prossegue em razão de 150 mil km² por ano.
É dentro desta conjuntura geral, que não podemos deixar de percorrer os árduos, penosos, porem, obrigatórios rumos que levarão a um futuro seguro.
As premissas de um progresso sustentável, terão que levar sempre em conta, a busca incessante da otimização do uso de recursos e energia e a minimização da geração de emissões, efluentes, e resíduos perigosos. Não podemos jamais nos desviar deste foco principal.
Não podemos continuar omissos a tantas evidencias, a sociedade precisa sair da zona de conforto e buscar alternativas mais sustentáveis para satisfazer suas necessidades.

Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

Irati vai continuar de braços cruzados?

Ao contrário da imagem de Nossa Senhora das Graças, situada no alto do morro, que se encontra de braços abertos, simbolizando bênçãos, acolhimento e trabalho, os iratienses, para algumas causas importantes, e que afetam seu dia a dia, estão de braços cruzados.
Voltemos, de início, a três importantes assuntos que carecem de ação de autoridades, ministério público, clubes de serviços, organizações, associações e o do povo em geral.
Primeiramente, analisemos o estado precário da pavimentação asfáltica da recém entregue obra da Alameda Virgílio Moreira. É lastimável que uma obra tão importante para nós, que é o cartão de entrada da cidade, fique como está e ninguém cobre, de quem de direito, melhor resultado da mesma. Se, em dias sem chuva os veículos sacolejam, quem transita em dias chuvosos percebe o grande risco dessa via. Qual foi o custo desses “serviços”? De onde saiu o dinheiro? Quem fiscalizou a obra? O projeto se encontra dentro das normas técnicas? O ministério público, fiscal das leis, foi acionado? São perguntas ainda sem respostas e que o contribuinte merece ser informado. Se houverem falhas, como é patente, que o responsável pela cobrança o faça. Chega de abaixar a cabeça e engolir tudo passivamente. Naquela alameda já ocorreram acidentes e haverá muito mais se essa obra não for corrigida.
Outro assunto pertinente é a mais que necessária duplicação da BR-277, trecho entre o Relógio e o Spréa. Muito se falou em união de esforços, foram publicadas matérias jornalísticas, políticos manifestaram-se a favor e, parece que tudo morreu na casca. Será que novamente seremos engolidos pelos líderes de Ponta Grossa? Quem silencia, consente. Já é hora de gritarmos por nossos direitos. Repito: “querem desviar, novamente, a chance de um maior desenvolvimento da nossa região. Estão tentando levar a duplicação da BR-277 para um local menos adequado”.Em outro texto já contei essa história, ocorrida na década de 70, quando da passividade de lideranças da época. Ficamos chupando o dedo e várias indústrias instalaram-se por lá.
E, por derradeiro, falemos do preço do combustível automotivo em nossa cidade. É importante que se verifique o porquê dos preços serem os mais altos da região e, a coincidência dessa semelhança ser praticada em todos os postos de revenda. Não é possível que ao longo de poucos quilômetros daqui esses valores sejam inferiores. Com certeza nossos vizinhos também estão auferindo lucros, porém cremos que não abusivos e injustificáveis. O produto é industrializado, vem tabelado das distribuidoras e, acreditamos que os custos operacionais são praticamente iguais. Será que as autoridades competentes não poderiam checar o que vem ocorrendo para, pelo menos, esclarecer essa situação para nossa população, ou dar um basta se assim for possível? Essa prática vem lesando há muito tempo a nossa população, principalmente por não ter alternativas. Contudo, ninguém faz nada.
Irati está cochilando há muito tempo, nessas e noutras questões. A população não age, como há pouco agiu em Brasília, vamos gritar por nossos direitos.
Acorda sociedade iratiense.

Dagoberto Waydzik
Engº Civil

Identidade de fato - apelidos

Identidade pode ser entendida como uma maneira de se identificar e, portanto, traduzida em sinais, nomes ou documentos, que acompanham o indivíduo, uma entidade, uma instituição, ou um lugar.
A cultura regional exerce um papel fundamental para delinear as diversas personalidades, os padrões de conduta e ainda as características próprias de cada grupo humano daquele local.
Em nossa região, muitas peculariedades quanto a identidade das pessoas, entidades e lugares são levados em conta.
Em Irati, quando vem uma pessoa de fora, tem dificuldades de encontrar certos locais. Por exemplo, o conhecido clube Polonês, onde não há nenhuma placa com essa identificação, torna-se difícil para as pessoas o encontrarem. Se perguntar para dez pessoas iratienses se conhece o clube Polonês, dez dizem que sim, mas se perguntarem para dez onde é o SBCI talvez umas cinco não o saibam. O mesmo ocorre para o clube Operário, com o União Olímpico, com o Sete. Então, porque não ter uma placa com esses nomes, como essas instituições realmente são conhecidas? E, até com sinalizações, nas ruas identificando como se chega a esses locais, mas com essa grafia.
Irati: “terra da batata”! Mesmo, hoje, não sendo mais a maior produtora desse tubérculo, ainda assim, é dessa forma conhecida em diversas regiões do Paraná. Chamam-nos, carinhosamente, de “batateiros”, isso é um rótulo, é uma identidade.
Os funcionários do Banco do Brasil, principalmente fiscais e, os agrônomos quando saem para o interior, aferir as lavouras devem além do endereço e nome, levar os apelidos dos mutuários e donos das lavouras. Pois, se assim não o fizerem, muitas vezes, não encontram seus destinatários.
Os apelidos, por diversas vezes sobrepõem-se aos nomes. Na nossa cidade temos e tivemos vários exemplos marcantes, tais como: Paquera que tinha os pés extremamente inchados; Juja e Saruva, que era um casal de andarilhos e dormiam no cemitério; Candinho Coruja, o cantor das madrugadas; Boca, o bom jogador dos velhos tempos; Babão e Zóinho, os pintores de mão cheia; Estachinho, do armazém aos asfaltos; Gutio, das loterias; Tintio, da grande cerealista de feijão; Toti, que incorporou o forte apelido ao nome; Zé Baiano, do cartório de registros; Piraquara, o massagista do Iraty; Biduca, o pandeirista do sambão; Cabeçote, o letrista de placas e pára-barros; Tapeca, o grande cozinheiro; Mandio, o baixinho do lava-jato e, grande pescador; Ninito, o madeireiro dos canarinhos; Belau e Nino, os irmãos da Tere do Fórum; Bintio, da serralheria; Chico Tampa, o percursor dos pré-moldados em nossa região; Maricha e Nina, as conceituadas irmãs professoras; Nininho, do posto de combustíveis; Queijo, o topógrafo da Prefeitura; Mima, professor e escritor; Tramela, Coroné e Bolinha, figuras marcantes do rádio de Irati; Geno, a grande defensora de movimentos poloneses; Sarico, um dos melhores jogadores de Irati; Caruso, da Metalúrgica Thoms e Benato; Negucho; Pirulito; Nini; Melancia, o conserveiro de estrada do Itapará, que tinha a risada mais sonora do interior; a famosa Caprichosa, onde em sua loja tudo se acha em armarinhos para comprar; Seu Lelo, do posto; Vico, o folclórico e competente farmacêutico; Catito, também da farmácia; Tuco, o industrial da nova era dos pré-moldados; Dona Negrinha, a gerente do Samuara, Casquinha, antigo rei dos batateiros; Paraguaio, o agrônomo do Boticário; Pica-pau, o calceteiro, famoso pelo corte de uma árvore no cemitério; Moita, Nenê Capoeira e Parmitá, os empreiteiros de ontem e de hoje; Quarentinha, o goleador; Batata, do bar do Maluf; e, muitos outros que podem ser elencados como conhecidos de nossa população. Muitas vezes os apelidos viram nomes de pessoas realmente. Sem o apelido alguns não eram e, não são conhecidos.
Isso é identidade local, que várias cidades possuem. Isso é o dia-a-dia de uma comunidade. Isso se transforma em rótulo respeitado por uma sociedade. Isso é uma pequena parte de nossa querida Irati.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

A história que não foi escrita

A história pode ter várias concepções.
Na narrativa, o narrador conta os acontecimentos sem preocupação com as causas, os resultados ou a própria veracidade.
Na história pragmática o historiador procura mudar os costumes políticos, corrigir os contemporâneos e, o caminho que utiliza é o de mostrar os erros do passado.
A palavra história vem do grego e, significa testemunho, no sentido daquele que vê, ou através de cruzamento de dados de fontes diversas. (Wilkipédia)
Uma história pode ter mais de uma versão. Pode ser de um povo, de uma região, de uma época e quando é contada somente por um só, pode ter nuance pessoal e às vezes distorcida do que realmente aconteceu.
Não se passa pela vida sem deixar marcas. A edificação de uma casa, o plantio de uma árvore, a educação de um filho, a lembrança de uma cantiga, um fato marcante qualquer, uma amizade, um benefício a alguém, ou um malefício a um povo, como o fez Hitler. Porém, muitas vezes um “historiador” mascara ou pesa demais na caneta, ao escrever parte dos acontecimentos de um fato, visando moldar a narrativa com suas tendências e caprichos.
Vivi parte de minha vida atrás de um balcão de armazém de venda de secos e molhados. Muitos jovens, hoje, não sabem o significado disso, mas trata-se de um ponto de venda onde o freguês escolhia o que queria e o atendente pesava, media, empacotava ou embrulhava a mercadoria, tudo vinha a granel. Havia uma interação entre o cliente e o caixeiro. Foi onde eu ouvia muitas histórias. De pessoas simples e abastadas. De eruditos e analfabetos, mas eram histórias que martelavam em minha cabeça. Graças à visão de meu pai, mesmo sem ter oportunidades de ter estudado, ele sempre fazia a assinatura de um ou mais jornais e, eu os lia todos. Na equação do que eu escutava e interpretava, resultava sempre uma conclusão de minha parte.
Fornecíamos aos operários de olarias, de madeireiras, funcionários públicos, políticos e o povo em geral, isto na década de 60 e 70.
Com certeza, o desvio da grande empresa alimentícia Sambra para a vizinha cidade de Ponta Grossa, foi por equívocos dos detentores do poder e dos empresários da época e, também, por mérito dos políticos daquela cidade. Talvez, não por maldade, mas porque na época havia um pensamento, equivocado, que uma empresa não nascida em nossa cidade, pudesse atrapalhar os interesses dos empresários locais em vários sentidos: com certeza, haveria mais oferta de trabalho; mais disputa pelos os bons trabalhadores; os empresário-diretores locais teriam que remunerar melhor seus empregados.
Comentava-se, na época, que aqui fizeram proposta para a empresa Sambra de que era preciso aceitar sócios majoritários locais e pagar um preço diferenciado pela energia a ser fornecida. Pelo lado da Princesa dos Campos havia oferta de terreno, infra-estrutura e até isenção de impostos, por um determinado período. Ora, não precisava ser um economista para tomar uma decisão: para onde iria à instalação da tal empresa.
Aqui, o morador simples do município não tinha muitas opções de emprego. No campo se trabalhava na agricultura. Na área urbana as vagas eram, principalmente, em olarias e madeireiras da sociedade rica da época.
Em muitas dessas indústrias, a prática era de manter armazéns próprios de mantimentos, onde os funcionários tinham que se abastecer. A energia, quando havia, era fornecida pelo patrão. As moradias ficavam dentro do pátio do fábrica. Tudo isso somado pelo empregador, no final do mês, não sobrava dinheiro, às vezes, para registrar um filho que acabava de nascer. Por isso, em muitas ocasiões, aquelas crianças tinham duas datas de nascimento, uma correta e outra cartorial.
Foram ciclos pelo qual nossa cidade e a região passaram, mas muitas vezes a parte que fica registrada não é a mais verdadeira.
O que os antigos deixaram de fazer em favor do povo: paciência. O que fizeram de bom ao progresso da região e ao desenvolvimento de suas empresas: parabéns! Cada época tem o seu contexto, vicissitudes e decisões.
Vivemos, também, uma época, na década de 80, em que sequer há registro dos fatos e acontecimentos, sejam políticos ou sociais, mas essa parte pode ser contada em outro momento. Nossas reverências a quem escreveu e registrou parte de nossa história, contudo, muito ainda ter que ser escrito. Escrever histórias não é prescrever caprichos.
Agora, o que interessa no momento, não se sabe se para todos, é que devemos lutar para que a duplicação da BR-277 não seja desviada para a outra BR, aquela que passa por Ponta Grossa. Devemos nos unir. Cobrar de políticos daqui, e dos que obtiveram votos por aqui, que abracem essa causa, sejam eles de onde for.

Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

Eleições 2010 – treinos livres

Na Fórmula um realiza-se antes dos grandes prêmios os treinos livres. Não tem valor para a classificação da grade de largada, mas, porém trata-se de uma tendência de como estão as máquinas para a corrida.
No Paraná, já se iniciaram os treinos livres para as eleições do ano que vem.
Há algum tempo, o vice-governador Orlando Pessuti vem anunciando que será candidato ao posto maior do Estado. Pessoa proba, bom caráter, simpático, mas estranhamente vem sendo “secado” pelo governador e, por parte de seu partido que namora quem estiver na frente. Aliás, esse cidadão só pensa nele mesmo e em seus parentes. Ele sabota seu próprio governo. Até mesmo sua equipe, muitas vezes, é humilhada como recentemente aconteceu com um funcionário do IAPAR, num evento pirotécnico, que serve para os devaneios do atual governador. Quando é acuado, inventa um fato novo, através de bravatas, para fazer uma cortina de fumaça. Enfim, Pessutão já sai travado pelos seus “companheiros”.
Também, Osmar Dias vem correndo o Paraná, demonstrando seu desejo de comandar o Palácio Iguaçu. Pessoa simples, séria, competente e, que, por muito pouco não logrou êxito na última eleição. Perdeu para a máquina do governo. Porém, atualmente, encontra-se com dificuldades com seus aliados da última eleição, que lançam Beto como possível candidato. Osmar auxiliou no último pleito o atual prefeito e, agora, uma ala do partido do alcaide. Talvez faltasse mais articulação do agrônomo, meio “urtigão”.
Seu irmão, Álvaro Dias, é um bom senador, já prestou serviço como governador e, acho que coloca seu nome numa disputa dentro de seu partido, somente para tentar ajudar o irmão Osmar. Tem mandato no Senado Federal até 2015, é importante que continue seu bom trabalho em Brasília.
Por último, estranhamente, o competente moço Beto Richa aventa em entrar nessa corrida. Pelo menos nos treinos livres já está fazendo testes para conhecer o interior do Estado. A nosso ver, seria precipitada essa candidatura, pois deixa no meio um mandato para que fora eleito para cumprir seu dever de ofício aos curitibanos. Romperia uma aliança e, corre o risco de não lograr êxito com essa cisão. Ainda, o pior, coloca em risco uma garantida eleição para o ano de 2014, após o dever cumprido com a capital.
Temos bons nomes para o páreo do ano que vem, mas muita água vai rolar nessa corredeira até a data limite, afinal são somente treinos livres e extra-oficiais. Ou, talvez muito disso, seja só moeda de barganha para futuros acertos.
O importante é que, quem quer que sejam os candidatos, que vença alguém que esteja focado às necessidades sociais, à saúde, à construção civil e, principalmente à educação.
Para 2010: projete seu sonho. O que se projeta com o coração, floresce em progresso e realizações. Desejo um feliz Natal e um venturoso ano novo para todos os paranaenses, principalmente com muita união para nossa querida Irati.

Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

Vai para casa senador

O que a população espera de uma pessoa que detenha um cargo público? Retidão, responsabilidade e afinco ao trabalho para ficar somente em alguns predicados, que, são prerrogativas de lei para ingressar em tal função.
Aliás, no Brasil estamos assistindo a um desfile de escândalos de políticos e uma pilhagem do Estado por muitos agentes públicos. Os mais recentes, e gravíssimos, são as atitudes do presidente do Congresso, o cidadão Sir Não Sei, o José Ribamar Sarney. Se não bastassem as centenas de atos secretos exarados e acobertados, a propalada existência de contas no exterior em seu nome, o preconizado pagamento do mordomo de sua filha e governadora do Maranhão, com o dinheiro do Senado, ou seja, com o nosso boró, agora a descoberta de uma viagem à Veneza, na Itália, custeada por um banqueiro. Pode? Segundo ele e o presidente de nosso país, pode.
Aliás, sob a visão de Lula, o que está havendo no Senado é normal. Para ele não há anormalidade lá, e sim é a imprensa que está alardeando. Já tinha dito que não existe crise no Brasil, que a pandemia da gripe suína é coisa corriqueira e que as brigas decorrentes dos protestos no Irã podem ser comparadas com os embates de torcidas de uma Fla-Flu, e, ainda agora debocha dos senadores. O que podemos esperar?
A pergunta que fica é se essa culpa é somente dos políticos? Não, pois a nosso ver, a maior culpa é da má formação educacional, da falta de cultura que reina há séculos na nossa pátria. Isso permeia por que as elites sempre assim quiseram. A cultura, que aqui falamos não é da formação intelectual, mas a falta de comprometimento com as responsabilidades.
Desde o mais pobre até o mais rico há uma “cultura” da lei de Gerson, a que fala que sempre tem que se dar bem. O menos abastado quando ascende a outra categoria, é o mais perigoso, ao invés de ajudar os pobres, se une aos antigos oligarcas e passa a praticar o mesmo modelo destes para obter maior proveito pessoal. Esquece todas as regras de honestidade e responsabilidade que pregava anteriormente. Tudo para manter o posto de poder e de riqueza. Até promovem festas, pagam viagens, dão mimos para os que estão no domínio de cargos para ficarem sempre perto destes. Infelizmente as exceções são as minorias.
Fala-se mal dos políticos, contudo, quando se aproxima uma eleição quem financia alguns maus políticos? Eles são financiados, principalmente, por empresários com segundas intenções. Financiam mas, não aparecem e, quando seus afilhados são eleitos vão cobrar seu investimento. Quer através de benefícios para si, quer através de facilidades aos seus chegados, quer solicitando homenagens com títulos de benemerências. Contudo, se esse político coloca o pé na lama, de maneira que o povo saiba, principalmente por meio da imprensa, o detentor do cargo fica pagão, ou seja, sem o seu padrinho.
É necessário que o povo, as instituições sérias desse país, a imprensa cobre da sociedade uma postura de cidadania de todos e conclame para os que maus agentes públicos sejam realmente penalizados por seus atos ilegais ou imorais.
Vai para casa senador.
Dagoberto Waydzik

Pizza ao Curri

Parece ser praxe no Brasil os dirigentes públicos fazerem de conta que não estão sabendo de nada. Principalmente, o que ocorre onde eles trabalham.
Lula não sabia nada do mensalão, do caso Celso Daniel, da CPI do Banestado, do escândalo da suposta ligação do PT com o MST, das diárias do COB para os Jogos Panamericanos, do escândalo dos bingos, do escândalo dos correios, do escândalo dos dólares na cueca e, de todos outros os escândalos ocorridos em seu governo.
Habilmente, o presidente cria uma jogada nova para tirar da caçapa à bola da vez.
No Paraná, o presidente da Assembléia, que prega transparência, também disse que não sabia nada sobre as falcatruas ocasionadas pelos tais “atos secretos”. Não sabia nada sobre o que estava acontecendo com o dinheiro da Assembléia, digo, do povo paranaense. Talvez, não sabia mesmo.
A imprensa, através do jornal Gazeta do Povo, investigou e denunciou. Veio à tona um caminhão de fatos obscuros. Descobriram-se diversos funcionários fantasmas, também, parentes de diretores da casa regiamente pagos com o erário público. Ainda, nomeações e exonerações escritas nos tais “atos secretos”, que de tão secretos, muitas vezes, algumas pessoas simples e inocentes nem sabiam que seus nomes estavam sendo usados. Outros, porém, cresceram de classe econômica, misteriosamente. Um filho de ex-deputado, no período que estudava em Itajaí, recebia salário da Assembléia Legislativa. E, muito mais que foi divulgado pela imprensa e, o talvez ainda mais esteja para vir.
Essa mesma imprensa diz que tal prática já ocorre há anos dentro daquela Casa de Leis. Imaginem quantos deputados, vereadores, prefeitos e outras pessoas foram financiadas em campanhas com esse dinheiro suspeito? Mostraram-se parentes do estafe do diretor Abib Miguel, morando em outras cidades e, percebendo como se prestassem expediente para a Assembléia. Num rápido levantamento, o jornal denunciante divulgou a extraordinária cifra de 300 milhões de reais. Tudo isso nos causa uma enorme indignação.
Que transparência esperar de um órgão que serve para fiscalizar o executivo e nem se fiscaliza a si próprio? Contudo, deve haver parlamentares naquela casa que irão querer tentar, pelo menos, minimizar essa nódoa vergonhosa para o povo do Paraná. O presidente disse que vai apurar os fatos, é o mínimo que se espera dele, mesmo que tardiamente. Esperamos que obtenha sucesso, pois foi enfático ao declarar que vai a fundo nesse caso. Isso precisa ser esclarecido e cobrado dos culpados.
Torçamos que a dita comissão de apuração não vire somente uma “Pizza ao Curri” para servir Abi Babá, o personagem de uma fábula do oriente, ou seja, uma estória fictícia.
A publicidade das contas é obrigatória por lei, e fazê-la secretamente, ou só para uma meia dúzia saber, é no mínimo imoral. Muitos fatos passam despercebidos pelo povo em geral, depois com a cara lavada, esse pessoal vem pedir votos para voltar aos seus cargos. Não podemos deixar que cubram os olhos do povo com o capuz da ilusão e de um resultado fictício.
Tomara que, mais uma vez, o povo não tenha memória curta nas próximas eleições e, saiba realmente separar o joio do trigo escolhendo os candidatos merecedores de crédito.
Mais uma vez, no nosso sofrido país, os interesses particulares de detentores de cargos públicos, continuam se sobrepondo o do interesse da população.

Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

Eu gostaria de voltar aos estádios.

Nas décadas de 70 e 80 frequentei os estádios de futebol em Curitiba, acompanhando o campeonato paranaense e nacional. Eram raras as brigas, mesmo sendo as condições de segurança e tecnologia mais precárias do que hoje. O objetivo era a diversão proporcionada pelo esporte que é alegria do povo brasileiro.
De uns tempos para cá, são vários acontecimentos estarrecedores. Ocorrem brigas antes, durante e depois dos jogos, principalmente nos clássicos regionais, onde existem as torcidas organizadas. Organizadas não somente para torcer pelo seu suposto clube, mas para alguns elementos é a deixa para promover algazarras e vandalismos, distorcendo o verdadeiro espírito de uma torcida, que é de incentivar o seu time. Essa é uma das causas do que estamos presenciando nos estádios de futebol.
Contudo, não é a única causa desse caos estabelecido. A falta de planejamento e a desorganização do clube mandante da partida é também um agravante. Não se colocam seguranças particulares em número suficiente. Não se isola a torcida de maneira adequada. Colocam-se ingressos em número maior do que comportam os setores do estádio, na ânsia de auferir maiores lucros e intimidar o adversário e, o mais grave distribui-se ingressos gratuitos para elementos de mau comportamento. Mas, o mais grave é a falta de inspeção predial técnica dos estádios, aliás, determinada por lei, porém não cumprida.
Há alguns dias participei de um curso intensivo dessa modalidade com o intuito de cadastra-me para tal tarefa. Fomos a um estádio de nossa capital para uma avaliação superficial. Vimos muitas áreas críticas, com muitos pontos de riscos para a segurança do torcedor.
Num laudo de inspeção de engenharia, que deve completar o da polícia e corpo de bombeiros observa-se: a segurança estrutural, a sustentabilidade e a habitabilidade da construção. Também se observa se há plano de manutenção e não só maquiagem com pinturas. Esse laudo mostrará se deve haver intervenção ou não de setores da praça esportiva. Orientará, tecnicamente, os reparos ou estudos específicos das anomalias e falhas encontradas, estabelecendo ordem de prioridade. Os estádios precisam de reformas urgentes, pois são antigos. Num estádio melhor a torcida comporta-se melhor e, atrai mais público tornando-o mais rentável.
Além desses cuidados o que ocorre hoje é a falta de civilidade de algumas pessoas que freqüentam o estádio. Haja visto os hinos jocosos que as torcidas entoam o que entristece quando um avô leva um neto ou, o marido leva sua mulher ao estádio. O comportamento de certas pessoas leva a fobia de tantos outros, afastando-os das partidas. Quando a torcida de um time grande vai ao interior, muitas vezes, são catados elementos como se fosse para uma guerra. Alimentados não com comidas, mas sim com álcool e drogas. Tal cenário é comum em nossas praças esportivas.
Os poderes devem agir, os clubes devem vir a público no sentido de minimizar antes das partidas os possíveis atos de vandalismo que possam vir a ocorrer. Deve ser feita a interdição cautelar dos estádios. Os responsáveis devem ser punidos exemplarmente quando identificados, o que deve ser feito através de câmaras de vídeo. Na Europa isso praticamente foi resolvido aplicando-se penas duras aos infratores.
A sociedade civil também deve se mobilizar, pois ela pagará a conta dessa desorganização e porque não dizer omissão.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

Irati – São Mateus do Sul: a estrada

Foi dado um importante passo na última eleição da Associação dos Municípios do Centro Sul do Paraná, a Amcespar. Houve unanimidade em torno do nome do prefeito da cidade de Irati, Sérgio Stoklos. Não poderia ser diferente, pois é pequeno o número de prefeitos que votam nesse pleito para que houvesse uma cisão e, o nome escolhido era a “bola da vez”. Mas esse cargo é de muita responsabilidade, pois representa o anseio de muitas pessoas da região. Essa representatividade deve estar acompanhada de muita luta, metas e compromisso uníssono de todos os prefeitos para grandes conquistas para a população.
O comprometimento principal deverá ser a realização da tão sonhada pavimentação asfáltica entre as cidades de Irati e São Mateus do Sul. Com certeza, a obra será um grande avanço para o desenvolvimento, não só da região centro-sul, mas também da região sul do estado do Paraná. Então, a próxima estratégia é se irmanar com a Associação dos Municípios do Sul do Paraná, a Amsulpar. Falar em coro, forte e no mesmo tom, sensibilizando os deputados estaduais, federais e autoridades do estado e de Brasília. Será uma enorme integração dessa parte da região do estado.
Como engenheiro afirmo que o custo dos cinqüenta quilômetros dessa via é relativamente baixo, se comparado com outras obras do estado e do Brasil. Por si só, as características do local da ora são altamente favoráveis para viabilidade econômica da mesma, pois praticamente não há necessidade de obras de arte, como pontes, grandes bueiros e viadutos. Além de não haver serras evitando grandes contensões de aterros. E ainda o solo tem qualidade que não exige bases especiais.
Tomara que todos os prefeitos dessas duas micro-regiões não guerreiem pelo poder e pela vaidade pessoal e, sejam coerentes não deixando desviar o foco principal dessa obra. Isso trará um alento novo ao sofrido povo de nossos municípios.
Tomara que todos os deputados que conseguiram votos nesse rincão, seja qual tenha sido a quantia, se dediquem a essa empreitada.
Tomara que todas as entidades, classistas ou não, se irmanem para o sucesso desse intento.
Tomara que o grito da imprensa regional entoe em todos os gabinetes palacianos do legislativo e do executivo.
Tomara que as altas cargas tributárias do país, que bate recordes mundiais, e representa 36,54% do Produto Interno Brasileiro (PIB), volte um pouco para a nossa região. Pois muito é desviado para as grandes obras, de eficiência duvidosa, como a transposição do Rio São Francisco e, para os diversos “Pacs” eleitoreiros.
Que os prefeitos honrem esse compromisso propalado na última eleição da Amcespar. Todos conhecemos a importância dessa estrada pavimentada para a região e porque não dizer que a ausência dessa pavimentação é também uma exclusão social.
Lutemos para que isso aconteça, pois sem dúvida será a grande obra da região. A população deve cobrar e não aceitar mais proselitismos.

Dagoberto Waydzik
www.dagobertowadzik@blogstop.com

Estádios de Futebol – Inspeção Predial

No plano de segurança das edificações é imprescindível que se façam manutenções temporárias, preventivas e corretivas, em toda e qualquer obra. Se passar um período de mais de cinco anos sem alguma manutenção é recomendado que se faça, antes, uma inspeção predial na construção.
Em muitas obras públicas e privadas toma-se o cuidado de se fazer uma programação de inspeção predial e posteriores manutenções. Aumenta-se a vida útil do prédio, evita danos maiores e resguarda-se a segurança dos usuários.
Certamente, dentro de algum tempo, serão exigidas vistorias prediais de todos os prédios públicos e de acesso público, tais como: supermercados, shopping centers, museus, estádios esportivos, restaurantes e outros. Basta haver legislação apropriada e pertinente ao assunto. Isso seria de fundamental importância para a segurança da população.
Recentemente, o Ministério do Esporte, através da Portaria número 185, de 19/10/09, regulamentou a Portaria 124 no seu artigo 23, do Estatuto do Torcedor, a qual regulamenta os laudos técnicos para os estádios de futebol.
Trata-se de uma medida importante para a segurança dos torcedores e dos demais profissionais que atuam nessas praças esportivas, dentro e fora dos gramados. Principalmente nos quesitos da Engenharia Civil e Engenharia Elétrica. Isso representa um esforço sem precedentes para o fortalecimento da cultura preventiva periódica das edificações em geral.
Serão verificadas, sistematicamente, as condições de uso e de segurança dos estádios, como a estabilidade das estruturas, o conforto da acessibilidade do público, a efetiva funcionabilidade das instalações elétricas, entre outros quesitos a serem observados. Não significa apenas prezar e zelar pela vida humana daqueles que freqüentam essas praças esportivas, mas representa também o cuidado com o patrimônio público e, acima de tudo respeito pela economia nacional. Principalmente porque os custos de manutenção desses equipamentos são muito inferiores ao que hoje se gasta na recuperação desses espaços esportivos.
Para relembrar somente alguns sinistros mais recentes temos:
- Em 1992 – Maracanã – Flamengo e Botafogo – na queda de guarda-corpo da arquibancada superior, 40 pessoas caíram sobre outros torcedores resultando em três mortes e 90 feridos;
- Em 1995 – Taubaté SP – Corinthians e Vitória – o lateral Vitor jogou sua camisa para a torcida e, torcedores se projetaram contra o muro, o qual cedeu e, 20 torcedores caíram no fosso e cinco ficaram gravemente feridos;
- Em 2000 – São Januário – Vasco e São Caetano – alambrado cedeu e, resultou em 210 feridos;
- Em 2007 – Fonte Nova – Bahia x Vila Nova – parte do piso de arquibancada caiu, torcedores desabaram de 20 metros = 7 mortes;
- 1989 – Sheffield – Inglaterra – 96 mortes e mais de mil feridos.
Assim, é de fundamental importância a inspeção criteriosa dos estádios de futebol, sob o ponto de vista técnico, por profissionais habilitados, além das importantes inspeções rotineiras de outros órgãos públicos. Com essa medida visa-se contribuir para estabelecimento um padrão mínimo no processo de melhoria dos estádios do país, com a prevenção de acidentes inclusive fatais, provocados por falta de manutenção preventiva e corretiva dos administradores dos estádios.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

ESTACIONAMENTO REGULAMENTADO – BANCOS - CALÇADÃO

A cidade de Irati sofre com o aumento substancial de veículos nas suas ruas. Esse problema ocorre na maioria das cidades brasileiras, muito devido à farra do crédito fácil, do atual modelo de transporte brasileiro e da vaidade do povo em possuir um carro próprio, muitas vezes sem necessidade.
Algumas medidas já foram tomadas, pela administração municipal, que certamente buscam resultados positivos. No entanto, precisa-se mais. Urge que se municipalize o trânsito e crie-se o estacionamento regulamentado, principalmente no anel central da cidade, o que parece que também já está programado. Também, que se retirem as arcaicas lombadas existentes e substituam-nas por lombadas eletrônicas. Infelizmente, é só quando a maioria dos cidadãos sente a dor no bolso, através de uma multa, é que eles respeitam a lei.
Mas voltemos à dificuldade de se estacionar nas ruas centrais.
Vamos analisar nosso quadrilátero central e adjacências, ou seja, ruas Munhoz da Rocha, XV de Novembro, Cel. Emilio Gomes e XV de Julho. Situam-se ai as agências bancarias: Banco do Brasil, CEF, HSBC, Sicredi (edificação recentemente construída), o Sicoob (prédio recém construído), Itaú e Bradesco. Empresas com alto poder de lucratividade, que no Brasil nunca ganharam tanto quanto nesse governo populista. Os banqueiros riem a toa nessa época. O governo federal lustra os sapatos desse pessoal.
E, o que essas instituições trazem de retorno em investimento real para nossa cidade? Muitas vezes, nem o prédio onde está instalada a dita agência lhes pertence. Mesmo para pagar benefícios, essas instituições recebem da Previdência Social por benefício pago, seja na boca do caixa ou no caixa eletrônico. Considere que por vezes já existe um empréstimo consignado para o aposentado. Só para ter uma idéia do quanto rende cada beneficiário. Nos bancos particulares dificilmente se consegue um crédito agrícola ou imobiliário, que são carteiras que geralmente não são muito rentáveis, mas tem uma função social.
Onde quero chegar? Podem me chamar de visionário, porém, talvez, deveria ser estudada uma lei municipal para que essas agências locassem terrenos ou, fizessem convênios com estacionamentos privados, para que pelo menos seus valorosos funcionários tivessem onde estacionar seus veículos. Desafogando sobremaneira o centro da cidade. Assim, facilitando a vida do cliente, que é o que mantém esses estabelecimentos, mas não recebe quase nada em troca, tampouco a cidade não recebe o que mereceria.
As autoridades devem avaliar a legitimidade de tal medida e, com estudos, diálogo, procurar como adotar tal propositura.
Vejam bem, uma pessoa que irá construir e, que realmente investe na cidade, precisará dotar sua edificação com vaga para estacionamento. Essa é uma medida de lei e, é salutar. Então, porque não solicitar dos bancos prática semelhante, mesmo que já com edificação existente. Há, em algumas dessas instituições, terrenos vagos próximos. Qual a dificuldade dessa locação? Somente a falta de bom-senso e, a ganância por lucros cada vez maiores desses bancos esse benefício não é fornecido aos seus clientes e seus abnegados e, muitas vezes explorados, funcionários.
Sob o ângulo social abrangente, ou seja, que leve em conta os interesses legítimos de uma sociedade, a medida deve ser tomada, pois não se deve focar somente o lado econômico, mas sim, o lado social, buscando qualidade de vida e beneficiando a comunidade toda.
Outro assunto é a construção de um possível calçadão na Rua Munhoz da Rocha. A nosso ver, ainda não é hora dessa obra, pois temos nessa via, calçadas com largura suficiente para vazão do volume de pedestres que a utilizam. Essa medida, se implantada agora, só iria gerar mais transtornos ao trânsito da cidade.


Dagoberto Waydzik
Eng. Civil – CREA 13085/D

Engenharia legal X Engenharia real

Uma cidade deve ser tratada com muito cuidado em todos os aspectos, porém principalmente sob o ponto de vista de seu crescimento e manutenção.
A natureza tem dado mostras do que pode ocorrer quando do descuido de uma cidade com um crescimento desordenado e de negligência na manutenção de suas vias, galerias de águas pluviais, bueiros, córregos e rios. É só assistir os telejornais e ver o que vem ocorrendo em várias cidades do Brasil. No momento, na região sudeste e no extremo sul do país. Com chuvas um pouco mais acentuadas ocorrem terríveis alagamentos e enchentes, colocando em risco a população em vários aspectos, tanto sanitários, com de segurança com o risco de desabamentos.
O flagelo das enchentes, além de outros que atacam algumas cidades são oriundos de ações ou de inações das autoridades públicas e também da população em geral.
O cidadão deve zelar pela limpeza das calçadas, seus terrenos, possuir lixeiras altas e adequadas, não promover varrição para bueiros, não impermeabilizar todo seu terreno e, dentro do possível ter área com plantio de gramas e vegetação. Por que não, também, ainda reutilizar as águas de chuvas.
Os mandatários públicos podem e devem minimizar as possíveis enchentes que porventura ocorram em uma cidade. Primeiramente, com a contínua manutenção dos bueiros e galerias de águas pluviais, bem como os arroios que cruzam essa cidade. Depois com medidas legais através de leis de uso e ocupação de solo e código de obras, entre outras. Analisando para que se aprovem loteamentos com lotes em tamanhos adequados e, não permitindo grande impermeabilização do solo. Legislando para que não se permitam construções em encostas e próximas às águas correntes ou dormentes. Também a obrigatoriedade da mata ciliar. Exigindo-se calçadas permeáveis, dentro dos lotes e nos passeios das ruas. Tanque e açudes devem ser liberados somente após a apresentação de um projeto técnico, devidamente analisado e aprovado.
Tudo isso parece óbvio e existente, mas não é a realidade da maioria dos municípios brasileiros.
As prefeituras devem possuir em seu quadro técnico profissionais com atribuições para dar respostas eficazes às necessidades da população, oriundas principalmente da expansão de uma cidade. Também, devem dotar de uma fiscalização eficiente, que exija que a lei seja cumprida e, corrija os possíveis desvios da mesma. Como por exemplo, lojas de veículos, supermercados, postos de combustíveis, restaurantes, oficinas que impermeabilizam toda a superfície de um terreno com construções e pavimentação. De nada adianta uma Prefeitura regularizar uma lei estabelecendo o máximo para uma taxa de ocupação e impermeabilização do terreno e, não fiscalizar o cumprimento dessa legislação. O resultado é o alagamento das partes baixas de uma cidade.
Em Irati, um terceiro Plano Diretor Municipal está sendo discutido, embora com pouca participação da população e autoridades, e propondo alterações na legislação vigente. Um avanço deverá ser a obrigatoriedade da padronização das calçadas, com faixa de passeio sem revestimento com plantio de grama para auxiliar a permeabilidade do solo. Entretanto, o grande perigo está em diminuir o tamanho mínimo de lotes nos parcelamentos de solo. Essa medida, contrapondo a lei vigente, trará nefastas conseqüências com o advento da maior impermeabilização do solo, pois mais edificação, mais calçadas resultarão num escudo para a penetração das águas, acarretando futuras enchentes. Isso, se aprovado, será um retrocesso.
Queremos, sim, que a cidade cresça, mas que cresça ordenadamente e, principalmente com qualidade de vida.
A Engenharia Legal nem sempre é a ideal, pois a Engenharia Real é a que vai gerar resultados positivos ou negativos para a população de um lugar.
Vamos todos participar da discussão dos planos diretores dos municípios.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil