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sábado, 30 de maio de 2009

Nem tudo que reluz é ouro



Em uma sociedade quando injusta, o poder pode ser vendido e comprado, dado e tomado. Contudo, a autoridade não pode ser comprada, nem vendida, nem dada e nem tomada, mas a verdadeira autoridade, não daquele que se diz autoridade, por ser detentor de um cargo, qualquer que seja.
Autoridade diz respeito a quem você é como pessoa, ao seu caráter e, à influência que exerce sobre terceiros. Já poder é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer a sua vontade.
Uma das coisas que mais impressiona é a audácia das pessoas desonestas. Pousam de boazinhas e, diversas vezes assumem a posição de líderes facilmente. Ninguém consegue disfarçar essa essência por muito tempo. Ninguém se corrompe de repente. Na população brasileira existem muitas pessoas íntegras e inteligentes. Não são tolas e falhas na percepção. Porém, muitas vezes, há a comodidade de se calar frente às injustiças, às falcatruas de terceiros. É censurável prestigiar essa comodidade de um único ser em detrimento de vários semelhantes. As vantagens desonestas de alguns causando a ruína de outros.
Nesse país, os culpados estão catalogados, fichados e, em várias ocasiões, nada se faz. Algumas pessoas mentem descaradamente, ajoelham-se em igrejas, beijam criancinhas e até participam de campanhas beneficentes. Com que propósito? Somente com o intuito de aparecer. Jesus nos ensinou que: “nem a mão esquerda deve saber o que faz a direita”. Referiam-se a trombeta que os hipócritas faziam quando davam qualquer coisa aos pobres.
Nossa sociedade mede a importância das pessoas pelo modelo do carro, das cilindradas de uma motocicleta, do castelo de sua fazenda, do valor de sua bicicleta, do luxo de suas casas ou da potência de seu barco. Não importando como isso tudo foi conseguido. E o progresso moral? Julgamos os ladrões de galinhas, mas nem sempre os grandes ladrões. É uma hipocrisia. Todavia, um dia o povo enxerga que o ouro que reluzia era pirita, ou seja, o ouro dos tolos, o ouro falso.
Para que nesse mundo haja a verdadeira justiça é preciso que os que ouviram não façam ouvidos moucos e olhos cegos. Que não se julguem pelas aparências. Todos devem assumir a sua responsabilidade perante a população em que vivem e deixar de lado o faz de conta. A omissão também é um pecado.
A título de ostentar virtude, não se deve simular ignorância e nem ser conivente com a dilapidação do capital ético do país. Falta aos nossos dirigentes, à elite, aos abastados o compromisso com a coisa pública. Acima de tudo falta civilidade.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O Brasil também é feito por loiros de olhos azuis


Houve um tempo, em que algumas pessoas estampavam, com orgulho e saliência, um decalque no pára brisa de seu carro com o dizer: “O Sul é meu país”, incitando, com essa frase, uma possível divisão do país entre estados mais ricos de estados mais pobres. Atitude essa, sem levar em consideração os vários tipos de riquezas culturais, naturais e dimensionais da nossa nação. No fundo, uma atitude inepta e de puro preconceito.
Nosso presidente falou que a culpa da crise mundial é de pessoas loiras de olhos azuis, tal declaração, no mínimo, pode ser taxada de ranço preconceituoso.
Esse mesmo governo instala cotas raciais nas universidades e, agora até pretende, através de projeto de lei, que tais cotas sejam estendidas para tudo: empregos, lugares nos teatros e cinemas e por aí afora. Tal propósito, no mínimo é uma afronta a inteligência dos cotistas e, gerará mais preconceito.
Quando se nega, através de uma secretaria pública de saúde, um tratamento a distância de saúde a um paciente por entender que ele é um pretenso adversário político ou supor que ele tenha posses, pratica-se um ato de preconceito.
A grande mídia está de certa forma, desvirtuando o caso do cidadão, rico e deputado do Paraná que causou um acidente fatal em Curitiba, pois está pesando a pena na condição social e profissional do mesmo e não exatamente no fato. Que se odeie o pecado, mas não o pecador. Isso é apelativo, é macazúmbio, é tornar corriqueira a tragédia e é, também, preconceituoso. A justiça deve ser praticada. Os fatos devem ser apurados, se culpado, deve ser punido, mas não tornar o réu um bode expiatório. A comoção pública é grande e verdadeira, contudo os julgadores devem ser ímpares e não se deixarem levar pela “atmosfera sensacionalista”, pelo agravamento do sentimento, pois existem muitos outros casos que devem ser esclarecidos de forma isonômica. Longe de ser a favor, ou contra a quem quer que seja, devemos sim, ser a favor da verdadeira justiça. Até somos pelo fim da imunidade parlamentar.
A palavra preconceito significa o conceito ou opinião formada antecipadamente, sem conhecimento ou maior consideração dos fatos. É um pré-julgamento. É um conceito exarado de maneira casual. Por causa disso, diversas vezes, o diferente é segregado, julgado inferior, enfim castigado psicologicamente e até, em alguns casos, fisicamente. O preconceito separa as pessoas, segrega comunidades e entrava o progresso econômico e espiritual de um povo.
Com o pretenso projeto de lei desse governo, que é populista, é como afirmar que os pardos e negros são inferiores intelectualmente. E, pergunto: os negros ricos, também auferem o benefício dessa lei? Todo esse proselitismo é um preconceito estulto.
Durante toda a história da civilização ocidental, sempre fomos favoráveis a explorar, definir e julgar. Quando foram descobertos novos povos, como na América, as primeiras perguntas foram: não são iguais a nós e, o que podem nos oferecer? Os que não eram iguais em termos de cor, crenças, idiomas eram considerados inferiores.
Parece que no Brasil querem pintar até a alma do cidadão.

domingo, 17 de maio de 2009

trânsito urbano - Pesquisa de imagens do Google

trânsito urbano - Pesquisa de imagens do Google

SINAL FECHADO PARA O TRÂNSITO

As cidades estão crescendo e com isso surgem consequências boas, mas também ruins.
Um dos primeiros problemas que notamos, em nossa cidade é o caos em que se encontra o trânsito das ruas centrais. Certamente, para que haja uma solução mais efetiva, dependeríamos da elaboração de um projeto arrojado, até com possíveis desapropriações de propriedades e coragem para implementá-las. Porém pelo menos algumas medidas podem e devem ser tomadas, de forma imediata.
Atualmente, a facilidade em adquirir veículo automotor produz um falso poder e uma ilusão de liberdade. Muita publicidade é lançada em cima dessas gaiolas sobre rodas.
O progresso é necessário, mas o uso abusivo dos veículos motorizados está tornando o homem escravo deles e também dos postos de combustíveis, de mais impostos, de estacionamentos pagos, de flanelinhas, de oficinas, de seguradoras e, muitas vezes, com essa escravidão, se agiliza a ida definitiva aos cemitérios.
Falta bom senso para que usemos com maior sabedoria esses veículos de transportes. É um ícone que tem roubado o espaço das bicicletas, dos coletivos, dos veículos não motorizados e dos pedestres, que é uma mobilização mais sustentável.
Porque não construir ciclovias nas vias estruturais, também ao longo da linha da estrada de ferro? A bicicleta é o meio de transporte mais barato, saudável e ao alcance de grande parte da população da classe baixa e, se houver infra-estrutura e segurança atingirá, também, as outras classes econômicas. Deve-se incentivar a cultura do uso da bicicleta, pois é uma excelente opção para a melhoria do trânsito.
Nas cidades de porte pequeno a médio, como Irati, ainda há tempo para frearmos o avanço danoso do mau uso dos carros. Diríamos até que, principalmente essas urbes, devem privilegiar os pedestres aos veículos. Afinal, as cidades pertencem aos pedestres e não o contrário. Todo o centro urbano deveria possuir um calçadão, ao estilo da Rua das Flores, de Curitiba, ou outros que existem pelo mundo afora, para o povo. Isso traria mais sociabilidade à população e as cidades ficariam mais humanizadas
As calçadas deveriam ser mantidas em bom e ótimo estado de conservação, com manutenção, limpeza e retirada de obstáculos aos pedestres e portadores de necessidades especiais. Os maus motoristas, tanto de carros como de motocicletas, deveriam ser penalizados com mais rigor quando dirigem perigosamente e estacionam em lugares indevidos, o que ocorre com freqüência.
Com a implementação de algumas medidas simples, em Irati, melhoraríamos sobremaneira o trânsito. Por que não um binário com mão única da Rua 19 de Dezembro e parte da Trajano Grácia, sentido centro – bairro, com trecho com- prendendo da rotatória do Bini até o encontro da Trajano Grácia com a Rua Antonio Cavalin, com retorno também em mão única, no sentido contrário, pela Rua Antonio Cavalin? Pois, é enorme a dificuldade de adentramos com um veículo das ruas paralelas na via da Rua 19 de Dezembro.
A colocação dos sinaleiros novos foi um bom avanço, porém a localização dos mesmos está equivocada. Ou se acrescentem pequenos semáforos nas esquinas antes dos cruzamentos ou se removem os existentes para esses locais. O sinal dos mesmos é a permissão para o avanço ou a parada de quem está nas vias a partir daquele lugar. Se por exemplo estivermos trafegando atrás de um caminhão baú, sem a devida visão do semáforo, e o sinal que estava aberto, e o mesmo fechar, nosso veículo poderá provocar um acidente.
As perigosas saídas das ruas do Alto da Glória que interceptam a Avenida José Galicioli deveriam ser fechadas, ou pelo menos, disciplinadas para os veículos, por se tratarem de rampas perigosas que encontram via de fluxo de alta intensidade e velocidade.
Na Rua Teodoro Chichevicz deveria ser permitido estacionamento de um lado só, devido à pequena largura da mesma.
Sem falar da ferrovia que deveria ser adequada, com a mudança de local das manobras e, também deveria ser otimizado o seu uso para os moradores de nossa cidade.
Enfim, o assunto é extenso e merece um estudo profundo e medidas urgentes. Já foram feitas mudanças positivas, mas necessitamos de outras, ainda.
O que não pode é ficar como está. Necessita-se da consciência de todos para que se pare de endeusar o automóvel evitando-se o caos urbano.

Dagoberto Waydzik
dagobertowaydzik@blogspot.com

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O fetiche da transparência


A transparência na Física é a propriedade de um corpo permitir a passagem de luz visível, isto é, permitir a visualização de imagens claras.
As mulheres quando querem provocar, mostram sutilmente parte de seu corpo, suas belezas que lhe são peculiares. Usam um vestuário transparente ou quase assim, o que traz mais curiosidade ainda e, é um fetiche (feitiço) a outras pessoas. Essas partes evidenciadas atraem os olhares das pessoas, aguça, excita. Acende lascivos desejos. Muitas vezes, até mesmo os pés à mostra, com uma bela sandália, já é um fetiche.
Nos órgãos públicos há um modismo em alguns setores pelo uso da transparência, que seria a claridade dos gastos efetuados. E essa prática é muito saudável. Deveria ser adotada por todos.
Atualmente, estamos vivenciando a manifestação dessa modalidade na Assembléia Legislativa do Paraná e na Câmara Municipal de Ponta Grossa. Tomara que seja a transparência da Física, que descrevemos acima e, não somente o fetichismo sexual, que mostra somente parte do corpo e, ainda com visão parcial de um tecido como uma seda ou outro semitransparente.
Essa atitude no setor público é mais do que necessária. Mas, o principal, a nosso ver, é que ela deveria ser feita em uma linguagem que o povo entenda. Com balancetes mensais simples e diretos. De nada adianta aqueles documentos rebuscados que apenas alguns economistas e contadores compreendem.
Faz-se, com esses documentos, uma verdadeira cortina de fumaça. Uma névoa na transparência pública. Porque não mostrar quanto se gasta com os cargos comissionados e os concursados? Quais são os gastos com despesas diretas e indiretas? Com transporte, telefones celulares e outros gastos. Colocar isso de uma forma realmente compreensível à população.
Resumindo: se arrecada tanto, se gasta tanto e, sobra-se ou deve-se tanto. Será muito difícil utilizar essa prática? Por que não disponibilizar na internet, em blogues, em rádios, nos jornais, em murais e até em boletins distribuídos à população, simples ou erudita. Isso sim é transparência e não fetiche.
Por que as câmaras municipais, as prefeituras, as assembléias estaduais e outros órgãos públicos do país não mostram suas contas dessa maneira? Por que não têm coragem de expor como é tratado o dinheiro do povo?
A publicidade das contas é obrigatória por lei, no entanto do jeito que se faz é um desperdício de papel, de tinta, pois repito desafio a uma parte mínima do povo, mesmo com certo grau de instrução, a entender essa linguagem rebuscada de contabilistas e economistas. Não sei mesmo se muitos prefeitos e vereadores a entendem. É uma falta de respeito com os mais humildes cidadãos desse país.
Entende-se que a regra é para que assim seja demonstrado, mas que se faça, também, uma demonstração simples, entendível e realmente transparente para que a maioria dos cidadãos compreenda. Em se agindo assim os eleitores verão se os eleitos correspondem à confiança que lhes foi depositada. Se eles não cometem crime contra a ordem pública. Se eles não estão somente gestionando para encher suas algibeiras.
Não podemos deixar que cubram os olhos do povo com o capuz da ilusão e do resultado fictício.
Devemos lutar por uma sociedade sem exploradores e nem explorados.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Omissão e desleixo

Uma das maiores dificuldades que a engenharia tem no Brasil é a falta de representatividade política.
Existem inúmeras associações, institutos, clubes e grupos espalhados pelo país afora, porém com pouquíssima participação dos integrantes e praticamente nenhuma influência no contexto decisório dos movimentos da sociedade. Não basta organizar bailes, encontros de fim de tarde, ou criticar a situação do país.
Os profissionais dizem-se desiludidos com a representação e atuação dos conselhos de classe, mas quando convidados a participar se omitem. Sequer participar como votantes em um processo eleitoral o fazem. Assumem uma postura de descaso e falta de interesse pelo sistema. É cômodo reclamar da dificuldade do exercício profissional, do não cumprimento da tabela de honorários, da falta de representatividade da sua profissão, enquanto se fica de braços cruzados, vendo “a banda passar”. Isso é contraditório à natureza de sua formação, que é ir à luta e solucionar problemas. Contudo é assim que a grande maioria dos profissionais se comporta.
Temos, ainda em nosso país, uma democracia fraca, que é tomada por políticos populistas e paternalistas. Os eleitores são imaturos, dependentes, desatentos e por causa disso desrespeitados. Se o voto não fosse obrigatório a situação poderia ser pior do que está, pois a “compra” de sufrágios através de currais eleitorais seria muito mais fácil, mapeando-se estatisticamente as seções eleitorais.
Em se falando dos integrantes do sistema CREA/CONFEA, pessoas teoricamente mais esclarecidas que a média dos brasileiros, os quais dependem, para exercer sua profissão, das decisões dos sistemas citados, é triste o desdém quanto a pouca participação em assembléias e reuniões classistas, ao pequeno comparecimento e participação numa eleição dos cargos de seus dirigentes. Isso é uma grande omissão eleitoral. Não seria essa a causa de achar que o sistema é injusto e falho?
Urge a articulação dessas entidades, desses clubes, institutos, academias de engenharia para uma mobilização em torno de uma aproximação aos poderes constituídos. Não importando quem está nas cadeiras, é necessária à proposição de idéias, de planos inovadores e propostas condizentes com a época que vivemos e com o futuro que almejamos. Movimento que persista em longo prazo, independente das cabeças que estejam no poder, mas que se passe de mandato para mandato, com as devidas correções e adaptações que o progresso impinja. Nós somos a maior parte dos responsáveis pelo avanço das tecnologias que são as alavancas do crescimento de uma nação. Não se admite que fiquemos calados diante de tanto amadorismo e improvisação.
Existe sim, sem dúvidas, muitos agentes públicos relapsos nas várias esferas dos poderes, isso talvez até pela forma eletiva do sistema vigente, contudo não seria também em parte por falha de nossa omissão?