
Em uma sociedade quando injusta, o poder pode ser vendido e comprado, dado e tomado. Contudo, a autoridade não pode ser comprada, nem vendida, nem dada e nem tomada, mas a verdadeira autoridade, não daquele que se diz autoridade, por ser detentor de um cargo, qualquer que seja.
Autoridade diz respeito a quem você é como pessoa, ao seu caráter e, à influência que exerce sobre terceiros. Já poder é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer a sua vontade.
Uma das coisas que mais impressiona é a audácia das pessoas desonestas. Pousam de boazinhas e, diversas vezes assumem a posição de líderes facilmente. Ninguém consegue disfarçar essa essência por muito tempo. Ninguém se corrompe de repente. Na população brasileira existem muitas pessoas íntegras e inteligentes. Não são tolas e falhas na percepção. Porém, muitas vezes, há a comodidade de se calar frente às injustiças, às falcatruas de terceiros. É censurável prestigiar essa comodidade de um único ser em detrimento de vários semelhantes. As vantagens desonestas de alguns causando a ruína de outros.
Nesse país, os culpados estão catalogados, fichados e, em várias ocasiões, nada se faz. Algumas pessoas mentem descaradamente, ajoelham-se em igrejas, beijam criancinhas e até participam de campanhas beneficentes. Com que propósito? Somente com o intuito de aparecer. Jesus nos ensinou que: “nem a mão esquerda deve saber o que faz a direita”. Referiam-se a trombeta que os hipócritas faziam quando davam qualquer coisa aos pobres.
Nossa sociedade mede a importância das pessoas pelo modelo do carro, das cilindradas de uma motocicleta, do castelo de sua fazenda, do valor de sua bicicleta, do luxo de suas casas ou da potência de seu barco. Não importando como isso tudo foi conseguido. E o progresso moral? Julgamos os ladrões de galinhas, mas nem sempre os grandes ladrões. É uma hipocrisia. Todavia, um dia o povo enxerga que o ouro que reluzia era pirita, ou seja, o ouro dos tolos, o ouro falso.
Para que nesse mundo haja a verdadeira justiça é preciso que os que ouviram não façam ouvidos moucos e olhos cegos. Que não se julguem pelas aparências. Todos devem assumir a sua responsabilidade perante a população em que vivem e deixar de lado o faz de conta. A omissão também é um pecado.
A título de ostentar virtude, não se deve simular ignorância e nem ser conivente com a dilapidação do capital ético do país. Falta aos nossos dirigentes, à elite, aos abastados o compromisso com a coisa pública. Acima de tudo falta civilidade.

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