Querem cercar a Liberdade.
Liberdade é um dos direitos mais belos e importantes para o ser humano e uma questão fundamental para a humanidade. É a ausência da submissão e, qualifica a independência do ser humano, enquanto cidadão.
A Constituição brasileira garante a liberdade de expressão, a liberdade de escolha ou não de culto religioso, a liberdade de imprensa, a liberdade de ir e vir pelas vias públicas, entre outras.
O direito de ir e vir dos cidadãos é uma norma pétrea da Constituição e não é possível violar esse direito. Norma pétrea é aquela que não pode ser objeto de alteração, nem mesmo através de proposta de emenda à Constituição.
Em Irati, se cogita em fechar uma rua para que uma empresa a utilize, exclusivamente, para suas atividades. Paradoxalmente, essa via chama-se Liberdade. Trata-se de uma das primeiras ruas da cidade, um lugar antigo onde teve o início a história da cidade, uma rua que se confunde com os primórdios da fundação de Irati. Um local de domínio público consolidado. Uma propriedade inalienável de toda a população.
Fala-se em projetos para minimizar os nefastos impactos que o aumento da frota de veículos e, principalmente os caminhões, vêm trazendo ao centro da cidade e, estranhamente, se cogita em aumentar uma fábrica, justamente no âmago da área histórica de nossa cidade. Quando se vem estudando a implantação de vias perimetrais para desafogar o tráfego pesado do centro, completamente na contra mão, é anunciado o possível fechamento de uma artéria central do sistema viário.
Deste disparate resultam alguns sérios questionamentos:
- Não se vai levar em conta a qualidade de vida?
- A lei de uso e ocupação de solo será alterada para essa implantação?
- O plano diretor prevê a implantação de indústrias em uma área residencial?
- E o propalado direito de ir e vir das pessoas?
- E a desvalorização das propriedades do entorno?
- E o aumento da poluição e risco de acidentes da região?
Um desenvolvimento urbano autêntico não se baseia somente em crescimento econômico e modernização tecnológica, mas, antes e acima de tudo, vale dizer é a conquista de melhor qualidade de vida para um número cada vez maior de pessoas e, de cada vez mais justiça social. Não se faz um crescimento à custa de destruição de ecossistemas e do patrimônio histórico e arquitetônico. A modernização vem sob a forma de níveis cada vez menos toleráveis de poluição, de estresse, de congestionamentos. Se não resguardarmos essas premissas estaremos ferindo o bom senso.
Quando, no mundo todo, as empresas procuram locais apropriados, criam-se distritos industriais, em Irati, a medida que se pretende implantar demonstra que se está a remar contra a correnteza. Podem até tentar legalizar tais propostas, mas não será uma iniciativa que preserve o interesse da comunidade como um todo.
Não sou conhecedor profundo do Direito, contudo sei que existe o direito adquirido de passagem, o qual não parte do pressuposto se no local circula um transeunte por minuto, ou um por ano. Não é lícito que se feche essa liberdade conquistada.
Aplaudimos a iniciativa da empresa, também histórica dentro de Irati. Entendemos que, acreditar no valor de nosso povo e no potencial econômico da região, como estão fazendo os empresários, é uma demonstração de amor pela sua terra e de respeito pelos seus antepassados.
Ninguém é contra mais empregos, mais produção, apoio a produtores agrícolas, mais ICMS para Irati, porém, é preciso que se avalie o custo social e estrutural da iniciativa.
Este assunto, certamente vai me trazer implicações contrárias, porém é minha opinião e, creio que de muitos cidadãos iratienses. A manifestação livre é, ainda, uma marca da democracia e, por isso, não tenho como me furtar a expor o que penso.
A razão não é suficiente para alcançar uma verdade. Porém, a verdade está sempre presente e tomara que o atalho que querem tomar hoje, se aplicado, não se torne o entrave de amanhã.
Vamos continuar nos manifestando pela liberdade da Rua da Liberdade e, pela liberdade de ir e vir de todas as ruas de nosso país.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Rua 19 de Dezembro
Vivemos numa era de desregulamentação, contudo em certos setores a regulamentação deve ser impositiva. Isso é necessário no caso do trânsito.
Infelizmente o homem precisa seguir rígidas regras para conviver no trânsito com pedestres, carros e outros veículos.
O Brasil é um dos recordistas mundiais em acidentes automobilísticos. Milhares de vidas são ceifadas todos os anos em desastres no trânsito.
A precariedade de nossa infra estrutura, a falta de educação e de preparo de condutores dos diversos veículos são evidentes. As vias públicas estão cada vez mais abarrotadas e são insuficientes para as nossas necessidades de ir e vir. O sistema de sinalização é precário e a segurança, principalmente de pedestres, é baixíssima. Tudo isso pode e deve ser melhorado.
A atual legislação do trânsito é imensa. Prevê programas de educação, desde a pré escola até a universidade. Estabelece critérios rigorosos para a habilitação dos condutores de veículos. Têm pesadas penalidades em caso de infração.
Nas cidades de Camboriú, Gramado e Brasília, pude presenciar que o pedestre é rei nas vias urbanas. Ele tem preferência absoluta quando inicia uma travessia a alguma faixa de cruzamento de uma rua, mesmo o sinal estando para fechar para ele. Sem falar que isso é praxe nos países desenvolvidos.
Em Irati, tenho notado em minhas caminhadas uma evolução nesse sentido. Felizmente, alguns motoristas tem se mostrado polidos e parado quando há um pedestre atravessando uma faixa. Mas, muito deve ser feito, ainda. Principalmente através de campanhas educativas e preventivas pelos órgãos públicos e entidades constituídas.
Eu abro o site da rádio Najuá, agora, quando estou escrevendo esse texto e verifiquei que a pesquisa sobre a mão única na Rua 19 de Dezembro é amplamente favorável a sua implantação (68,18%) e, isso desde o início e há vários dias. Certamente esses números representam a vontade popular, corroborada com a avaliação e análise de técnicos do setor, inclusive do próprio departamento da prefeitura. Então não se entende o porquê da demora da aplicação de tal medida. Com certeza tal medida minimizaria os acidentes e melhoraria o fluxo naquela via e no entorno.
Temos que procurar melhora nosso trânsito com medidas desse tipo e, não fechando vias existentes, como a cogitada Rua da Liberdade.
Temos que quebrar certas resistências equivocadas e porque não dizer egoísticas e pessoais. Não se admite esperar ainda mais o aumento da estatística de acidentes numa das vias que mais causa esses infortúnios.
A implantação dessa melhoria, da mão única, é imprescindível e inadiável.
Infelizmente o homem precisa seguir rígidas regras para conviver no trânsito com pedestres, carros e outros veículos.
O Brasil é um dos recordistas mundiais em acidentes automobilísticos. Milhares de vidas são ceifadas todos os anos em desastres no trânsito.
A precariedade de nossa infra estrutura, a falta de educação e de preparo de condutores dos diversos veículos são evidentes. As vias públicas estão cada vez mais abarrotadas e são insuficientes para as nossas necessidades de ir e vir. O sistema de sinalização é precário e a segurança, principalmente de pedestres, é baixíssima. Tudo isso pode e deve ser melhorado.
A atual legislação do trânsito é imensa. Prevê programas de educação, desde a pré escola até a universidade. Estabelece critérios rigorosos para a habilitação dos condutores de veículos. Têm pesadas penalidades em caso de infração.
Nas cidades de Camboriú, Gramado e Brasília, pude presenciar que o pedestre é rei nas vias urbanas. Ele tem preferência absoluta quando inicia uma travessia a alguma faixa de cruzamento de uma rua, mesmo o sinal estando para fechar para ele. Sem falar que isso é praxe nos países desenvolvidos.
Em Irati, tenho notado em minhas caminhadas uma evolução nesse sentido. Felizmente, alguns motoristas tem se mostrado polidos e parado quando há um pedestre atravessando uma faixa. Mas, muito deve ser feito, ainda. Principalmente através de campanhas educativas e preventivas pelos órgãos públicos e entidades constituídas.
Eu abro o site da rádio Najuá, agora, quando estou escrevendo esse texto e verifiquei que a pesquisa sobre a mão única na Rua 19 de Dezembro é amplamente favorável a sua implantação (68,18%) e, isso desde o início e há vários dias. Certamente esses números representam a vontade popular, corroborada com a avaliação e análise de técnicos do setor, inclusive do próprio departamento da prefeitura. Então não se entende o porquê da demora da aplicação de tal medida. Com certeza tal medida minimizaria os acidentes e melhoraria o fluxo naquela via e no entorno.
Temos que procurar melhora nosso trânsito com medidas desse tipo e, não fechando vias existentes, como a cogitada Rua da Liberdade.
Temos que quebrar certas resistências equivocadas e porque não dizer egoísticas e pessoais. Não se admite esperar ainda mais o aumento da estatística de acidentes numa das vias que mais causa esses infortúnios.
A implantação dessa melhoria, da mão única, é imprescindível e inadiável.
Marcadores:
acidentes,
IRATI,
rua 19 de dezembro,
sinalização,
trânsito
Produto diploma
Sobre a educação no Brasil se pode comentar de suas inúmeras fases. Desde a etapa do primário, que é a base do futuro educacional de uma pessoa, até a educação superior, onde a maioria almeja chegar. No todo vemos diversos pontos que deveriam ser aprimorados.
Ocorre que, nesse interstício, muito se pode agregar ou se deixar passar em vão.
O ensino de primeiro grau, a meu ver, poderia ser mais eficiente. Só não o é devido a inúmeras causas, como: condições econômicas da população, má remuneração dos professores, falta de maior investimento do governo, entre outras.
O terceiro grau, ou seja, ensino superior é o ápice do desenvolvimento educacional de qualquer estudante. Porém, hoje, de certa forma, está se banalizando essa etapa. Atualmente, muitas faculdades estão sendo criadas, em todo canto de nosso país, com critérios duvidosos. Se assim não o fosse não haveria, por exemplo, a avaliação da Ordem para os bacharéis em Direito, após cinco anos de estudo. O tão falado exame da Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB. Além do acovardamento de muitas universidades, na omissão das questões de cidadania, optando pela estúpida subserviência aos sistemas governamentais vigentes.
Contudo, o maior gargalo parece estar no ensino médio e técnico. Lógico que o país precisa de bons profissionais advindos das universidades, com devidas atribuições para exercer o saber científico, o saber da academia. Porém, num país em desenvolvimento, é extremamente necessário que se invista no ensino técnico profissionalizante. É com essa formação que se equilibra a mão de obra prática e intermediária em todos os setores da cadeia produtiva. Os verdadeiros “mãos na massa”.
Nesse setor, a região do município de Irati obteve uma grande conquista com a recente instalação do IFET, o Instituto Federal de Tecnologia. Essa instituição, certamente foi uma das maiores conquistas políticas para a região. Ensino público, gratuito e num dos degraus mais carentes da escada escolar. Nossa cidade terá um substancial desenvolvimento em médio e longo prazo.
Parabéns aos políticos e lideranças que uniram forças para que a concretização dessa conquista. São dessas demonstrações de união que nosso povo necessita. Esse bairrismo é saudável e traz um resultado positivo, necessário e não fictício. Campanha eleitoral é uma coisa, todavia, o interesse da população deve ser colocado acima de divergências partidárias e pessoais. Tomara que esse exemplo continue a ser praticado em outras lutas, como a duplicação de nossa BR-277, o maior repasse de verbas federais, pelo não fechamento das Apaes e, porque não a luta por mais universidades federais. Sim federais, pois vejam o Paraná tem seis universidades estaduais, pagas pelo governo estadual. O Rio Grande do Sul tem apenas um, o restante são todas federais, pagas pelo governo federal, isto é, também com o dinheiro do Paraná.
É certo que o maior investimento que um governante pode fazer, num país em desenvolvimento, é na educação. Esse investimento sempre trará resultados positivos para que a nação cresça com harmonia, qualidade de vida e justiça social. O resultado será um mundo mais conexo, um mundo mais entendível com menos beócios.
Salve a vinda do IFET. Viva a vinda dessa indústria limpa. Salve a indústria do conhecimento.
Ocorre que, nesse interstício, muito se pode agregar ou se deixar passar em vão.
O ensino de primeiro grau, a meu ver, poderia ser mais eficiente. Só não o é devido a inúmeras causas, como: condições econômicas da população, má remuneração dos professores, falta de maior investimento do governo, entre outras.
O terceiro grau, ou seja, ensino superior é o ápice do desenvolvimento educacional de qualquer estudante. Porém, hoje, de certa forma, está se banalizando essa etapa. Atualmente, muitas faculdades estão sendo criadas, em todo canto de nosso país, com critérios duvidosos. Se assim não o fosse não haveria, por exemplo, a avaliação da Ordem para os bacharéis em Direito, após cinco anos de estudo. O tão falado exame da Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB. Além do acovardamento de muitas universidades, na omissão das questões de cidadania, optando pela estúpida subserviência aos sistemas governamentais vigentes.
Contudo, o maior gargalo parece estar no ensino médio e técnico. Lógico que o país precisa de bons profissionais advindos das universidades, com devidas atribuições para exercer o saber científico, o saber da academia. Porém, num país em desenvolvimento, é extremamente necessário que se invista no ensino técnico profissionalizante. É com essa formação que se equilibra a mão de obra prática e intermediária em todos os setores da cadeia produtiva. Os verdadeiros “mãos na massa”.
Nesse setor, a região do município de Irati obteve uma grande conquista com a recente instalação do IFET, o Instituto Federal de Tecnologia. Essa instituição, certamente foi uma das maiores conquistas políticas para a região. Ensino público, gratuito e num dos degraus mais carentes da escada escolar. Nossa cidade terá um substancial desenvolvimento em médio e longo prazo.
Parabéns aos políticos e lideranças que uniram forças para que a concretização dessa conquista. São dessas demonstrações de união que nosso povo necessita. Esse bairrismo é saudável e traz um resultado positivo, necessário e não fictício. Campanha eleitoral é uma coisa, todavia, o interesse da população deve ser colocado acima de divergências partidárias e pessoais. Tomara que esse exemplo continue a ser praticado em outras lutas, como a duplicação de nossa BR-277, o maior repasse de verbas federais, pelo não fechamento das Apaes e, porque não a luta por mais universidades federais. Sim federais, pois vejam o Paraná tem seis universidades estaduais, pagas pelo governo estadual. O Rio Grande do Sul tem apenas um, o restante são todas federais, pagas pelo governo federal, isto é, também com o dinheiro do Paraná.
É certo que o maior investimento que um governante pode fazer, num país em desenvolvimento, é na educação. Esse investimento sempre trará resultados positivos para que a nação cresça com harmonia, qualidade de vida e justiça social. O resultado será um mundo mais conexo, um mundo mais entendível com menos beócios.
Salve a vinda do IFET. Viva a vinda dessa indústria limpa. Salve a indústria do conhecimento.
Marcadores:
educação,
ensino técnico,
ifet,
IRATI
Pirajopya py Tupãsi
Pirajopya significa pescador na língua guarani. E é lá pelas bandas do berço do povo guarani que estivemos pescando há pouco tempo, no Pantanal mato-grossense.
A região é uma das maiores planícies sedimentares do mundo. Ocupa uma área de aproximadamente, 230 mil quilômetros quadrados. Estende-se pelos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, além da Bolívia e do Paraguai, onde termina no chaco paraguaio. Existem alguns morros isolados nessa imensa planície inundável.
Trata-se de um similar de um imenso vale, que apresenta um relevo semi-plano e, cuja declividade de suas águas, é de apenas 15 centímetros por quilometro. Por isso, há uma dificuldade de drenagem e de escoamento das águas da chuva, o que provoca na época das chuvas, de novembro a março, grandes inundações. Contudo, na seca aparecem as praias, as lagoas e os corixos com seus camalotes floridos.
O gosto de uma pescaria é respirar o ar puro, é ver o sol nascer, navegar pelo rio e descobrir o sentido maior da vida que pulsa em cada ser, animal ou vegetal. No pantanal tudo surpreende, até mesmo à noite, quando não se vê, mas se escuta os sons dos animais e do vento. É um paradoxo, mas é como se ouvir o silêncio.
Acordar cedo é como sentar na primeira fila para assistir um espetáculo. Pouco a pouco aparecem os artistas. Os biguás, os papagaios, as capivaras, as ariranhas, os jacarés. O cheiro do mato faz esquecermos os odores da cidade. O tuiuú, a ave símbolo do pantanal, finge-se de estátua, com parte e suas pernas submersas aguardando para disputar um peixe com a garça branca. O aroma vai crescendo com a intensificação dos raios solares. No mato vemos rastros das onças pintadas e enormes cobras sucuris nos barrancos. Os animais aparecem com muita facilidade. Tudo isso é proporcionado por uma excursão de turismo ou pescaria.
O pantanal é um palco em constante mudança, onde o espetáculo acontece a todo o momento, bastando que os espectadores, ao visitá-lo, estejam atentos aos seus sentidos.
Apanhamos o barco hotel Tupãssy (Mãe de Deus na língua Guarani) e, com ele navegamos o Rio Paraguai, no sentido acima. Esse rio possui uma extensão de 2621 quilômetros, nasce na Serra de Araporé, no estado de Mato Grosso e deságua no Rio Paraná. O barco hotel possui bom conforto, segurança e uma tripulação treinada e competente.
O companheirismo numa pescaria é regra de ouro e, todos são iguais desde o mais rico turista até o mais simples e importante piloteiro. Esse sujeito é um pantaneiro servidor dos pescadores. Pessoa simples, é uma figura interessante, leva a sério sua profissão atendendo ao turista da melhor maneira possível. Fala três idiomas, o espanhol, o português e o guarani, sua predileção, para desgosto dos turistas, que não entendem nada, mas esse idioma muito influenciou a nossa língua. Por exemplo, as palavras: jaguara, araponga, caucau, eichu, guará, itu, jacaré, mandió (mandioca), entre muitas outras. Pergunto ao piloteiro onde fica a entrada do Rio Nabileque? “Ele responde: é atrás daquele pé de carandá”. Depois soubemos que carandá é uma palmácea típica e abundante do pantanal.
Os ribeirinhos respeitam a natureza, mais que em muitos outros lugares e também, que muitas pessoas pelo no Brasil afora. Quase não se vê poluição produzida por esses pescadores. Infelizmente, não se pode dizer o mesmo de fazendeiros vizinhos que proporcionam enormes queimadas prejudicando o ecossistema do entorno.
A gastronomia é diversificada devido à fartura de alimentos existentes, o que também influenciou algumas comidas brasileiras. Como a moqueca, que é o preparo do peixe pelo processo do moquém, apiloando, envolvendo em folha de bananeira e assada em brasas e cinzas.
Come-se bem, desde um caldo de piranha até alguma caça ou, frutas do local. A capivara, oferecida a nós é abundante por lá e, também é criada em cativeiros, assim como o jacaré. Dizem os pantaneiros que quando ingerida essa carne, libera as toxinas do organismo. Limpa o sangue e, através do suor ficam os resíduos dessas impurezas na pele do indivíduo. A pessoa que se alimenta dela deve banhar-se intensamente, pois podem formar-se feridas na pele do vivente. O cozinheiro do barco hotel preparou um saboroso prato com capivara, criada em cativeiro, disse ele. Tiveram companheiros que não comeram de jeito nenhum. Ou o sangue estava muito limpo ou, não gostam de agredir a água.
Brincadeiras à parte, o fato é que a região é fascinante e todos que tiverem a oportunidade devem conhecê-la, respeitá-la e preservá-la. É um grande patrimônio da natureza.
Dagoberto Waydzik
dagobertowaydzik@blogspot.com.br
A região é uma das maiores planícies sedimentares do mundo. Ocupa uma área de aproximadamente, 230 mil quilômetros quadrados. Estende-se pelos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, além da Bolívia e do Paraguai, onde termina no chaco paraguaio. Existem alguns morros isolados nessa imensa planície inundável.
Trata-se de um similar de um imenso vale, que apresenta um relevo semi-plano e, cuja declividade de suas águas, é de apenas 15 centímetros por quilometro. Por isso, há uma dificuldade de drenagem e de escoamento das águas da chuva, o que provoca na época das chuvas, de novembro a março, grandes inundações. Contudo, na seca aparecem as praias, as lagoas e os corixos com seus camalotes floridos.
O gosto de uma pescaria é respirar o ar puro, é ver o sol nascer, navegar pelo rio e descobrir o sentido maior da vida que pulsa em cada ser, animal ou vegetal. No pantanal tudo surpreende, até mesmo à noite, quando não se vê, mas se escuta os sons dos animais e do vento. É um paradoxo, mas é como se ouvir o silêncio.
Acordar cedo é como sentar na primeira fila para assistir um espetáculo. Pouco a pouco aparecem os artistas. Os biguás, os papagaios, as capivaras, as ariranhas, os jacarés. O cheiro do mato faz esquecermos os odores da cidade. O tuiuú, a ave símbolo do pantanal, finge-se de estátua, com parte e suas pernas submersas aguardando para disputar um peixe com a garça branca. O aroma vai crescendo com a intensificação dos raios solares. No mato vemos rastros das onças pintadas e enormes cobras sucuris nos barrancos. Os animais aparecem com muita facilidade. Tudo isso é proporcionado por uma excursão de turismo ou pescaria.
O pantanal é um palco em constante mudança, onde o espetáculo acontece a todo o momento, bastando que os espectadores, ao visitá-lo, estejam atentos aos seus sentidos.
Apanhamos o barco hotel Tupãssy (Mãe de Deus na língua Guarani) e, com ele navegamos o Rio Paraguai, no sentido acima. Esse rio possui uma extensão de 2621 quilômetros, nasce na Serra de Araporé, no estado de Mato Grosso e deságua no Rio Paraná. O barco hotel possui bom conforto, segurança e uma tripulação treinada e competente.
O companheirismo numa pescaria é regra de ouro e, todos são iguais desde o mais rico turista até o mais simples e importante piloteiro. Esse sujeito é um pantaneiro servidor dos pescadores. Pessoa simples, é uma figura interessante, leva a sério sua profissão atendendo ao turista da melhor maneira possível. Fala três idiomas, o espanhol, o português e o guarani, sua predileção, para desgosto dos turistas, que não entendem nada, mas esse idioma muito influenciou a nossa língua. Por exemplo, as palavras: jaguara, araponga, caucau, eichu, guará, itu, jacaré, mandió (mandioca), entre muitas outras. Pergunto ao piloteiro onde fica a entrada do Rio Nabileque? “Ele responde: é atrás daquele pé de carandá”. Depois soubemos que carandá é uma palmácea típica e abundante do pantanal.
Os ribeirinhos respeitam a natureza, mais que em muitos outros lugares e também, que muitas pessoas pelo no Brasil afora. Quase não se vê poluição produzida por esses pescadores. Infelizmente, não se pode dizer o mesmo de fazendeiros vizinhos que proporcionam enormes queimadas prejudicando o ecossistema do entorno.
A gastronomia é diversificada devido à fartura de alimentos existentes, o que também influenciou algumas comidas brasileiras. Como a moqueca, que é o preparo do peixe pelo processo do moquém, apiloando, envolvendo em folha de bananeira e assada em brasas e cinzas.
Come-se bem, desde um caldo de piranha até alguma caça ou, frutas do local. A capivara, oferecida a nós é abundante por lá e, também é criada em cativeiros, assim como o jacaré. Dizem os pantaneiros que quando ingerida essa carne, libera as toxinas do organismo. Limpa o sangue e, através do suor ficam os resíduos dessas impurezas na pele do indivíduo. A pessoa que se alimenta dela deve banhar-se intensamente, pois podem formar-se feridas na pele do vivente. O cozinheiro do barco hotel preparou um saboroso prato com capivara, criada em cativeiro, disse ele. Tiveram companheiros que não comeram de jeito nenhum. Ou o sangue estava muito limpo ou, não gostam de agredir a água.
Brincadeiras à parte, o fato é que a região é fascinante e todos que tiverem a oportunidade devem conhecê-la, respeitá-la e preservá-la. É um grande patrimônio da natureza.
Dagoberto Waydzik
dagobertowaydzik@blogspot.com.br
Marcadores:
ecologia,
MEIO AMBIENTE,
pantanal,
pescaria
Melhor laico do que ateu
O laicismo defende a separação do Estado das igrejas e comunidades religiosas. Não é a mesma coisa que ateísmo. Os principais valores do laicismo são a liberdade de consciência, a igualdade entre os cidadãos, em matéria religiosa, e de origem estabelecida nas leis do Estado.
O artigo 19, inciso I, da Constituição Federal do Brasil diz:
É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;
II - recusar fé aos documentos públicos;
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.
Ocorre que, a laicidade tem mão dupla, porque também proíbe que quaisquer das unidades federativas criem mecanismos para embaraçar o funcionamento de qualquer igreja ou culto de fé. Assim, diferentemente do que pensam os inimigos dos símbolos religiosos, se a laicidade trás vantagens para o Estado, muito mais vantagens ela trás para a religião. Assim o poder público não pode ter ingerência nas questões religiosas.
De fato, ao assegurar a liberdade de crença ou religião, o estado laico mostra feição democrática, diferentemente do estado ateu, que nega a existência de Deus e é próprio dos regimes totalitários, como o Irã, a China, entre outros.
Assinale-se, ainda, que até o ensino religioso, de matrícula facultativa, é garantido nos horários normais das escolas públicas do ensino fundamental (C.F. art.210, § 1º).
Cabe, pois ao estado laico, repelir qualquer sinal de perigo de conflitos por motivação de intransigência religiosa, de ordem pública ou privada, em obediência ao preceito contido no artigo 5º, inciso VI, da Constituição Federal, que diz:
“É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias.”
Entretanto, pior, acontece atualmente. Agora querem substituir a laicidade pelo laicismo. A laicidade, como já dito, está na Constituição e assegura a liberdade de crença ou religião, ao passo que o laicismo é uma ideologia de cunho totalitário que não admite qualquer manifestação de fé da população, por isso que ofensivo ao citado art. 5º, VI, da Constituição Federal.
Proibir símbolos em repartições públicas? Acho que não deveríamos chegar a tanto no Brasil, onde a maioria da população é cristã. Se formos a esse patamar de radicalismo, talvez, vão proibir as senhoras de usar medalhas de Nossa Senhora e crucifixos em cerimônias públicas. Ou os espíritas de usar suas guias. Como ninguém reclamou, vão mudar a denominação dos estados e cidades que tenham nome de santo, para que os ateus e os de outras crenças ”não se sintam constrangidos” ao pronunciar ou escrever esses nomes nos seus endereços.
Em seguida, como ninguém questionou, vão retirar as expressões “sob a proteção de Deus” do prefácio da Constituição e, também, “Deus seja louvado” das cédulas do nosso dinheiro.
Por fim, vão revogar o art. 5º, inc. VI, e o art. 210, § 1º, da C.F, para que ninguém tenha garantida a liberdade de consciência e de crença e o ensino religioso seja banido das escolas.
E aí o Estado brasileiro já não será mais laico, mas ateu e autoritário, que se dobrou a exigência de uma minoria submissa.
“Nem tanto ao céu, nem tanto a terra”.
O artigo 19, inciso I, da Constituição Federal do Brasil diz:
É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;
II - recusar fé aos documentos públicos;
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.
Ocorre que, a laicidade tem mão dupla, porque também proíbe que quaisquer das unidades federativas criem mecanismos para embaraçar o funcionamento de qualquer igreja ou culto de fé. Assim, diferentemente do que pensam os inimigos dos símbolos religiosos, se a laicidade trás vantagens para o Estado, muito mais vantagens ela trás para a religião. Assim o poder público não pode ter ingerência nas questões religiosas.
De fato, ao assegurar a liberdade de crença ou religião, o estado laico mostra feição democrática, diferentemente do estado ateu, que nega a existência de Deus e é próprio dos regimes totalitários, como o Irã, a China, entre outros.
Assinale-se, ainda, que até o ensino religioso, de matrícula facultativa, é garantido nos horários normais das escolas públicas do ensino fundamental (C.F. art.210, § 1º).
Cabe, pois ao estado laico, repelir qualquer sinal de perigo de conflitos por motivação de intransigência religiosa, de ordem pública ou privada, em obediência ao preceito contido no artigo 5º, inciso VI, da Constituição Federal, que diz:
“É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias.”
Entretanto, pior, acontece atualmente. Agora querem substituir a laicidade pelo laicismo. A laicidade, como já dito, está na Constituição e assegura a liberdade de crença ou religião, ao passo que o laicismo é uma ideologia de cunho totalitário que não admite qualquer manifestação de fé da população, por isso que ofensivo ao citado art. 5º, VI, da Constituição Federal.
Proibir símbolos em repartições públicas? Acho que não deveríamos chegar a tanto no Brasil, onde a maioria da população é cristã. Se formos a esse patamar de radicalismo, talvez, vão proibir as senhoras de usar medalhas de Nossa Senhora e crucifixos em cerimônias públicas. Ou os espíritas de usar suas guias. Como ninguém reclamou, vão mudar a denominação dos estados e cidades que tenham nome de santo, para que os ateus e os de outras crenças ”não se sintam constrangidos” ao pronunciar ou escrever esses nomes nos seus endereços.
Em seguida, como ninguém questionou, vão retirar as expressões “sob a proteção de Deus” do prefácio da Constituição e, também, “Deus seja louvado” das cédulas do nosso dinheiro.
Por fim, vão revogar o art. 5º, inc. VI, e o art. 210, § 1º, da C.F, para que ninguém tenha garantida a liberdade de consciência e de crença e o ensino religioso seja banido das escolas.
E aí o Estado brasileiro já não será mais laico, mas ateu e autoritário, que se dobrou a exigência de uma minoria submissa.
“Nem tanto ao céu, nem tanto a terra”.
Assinar:
Comentários (Atom)
