Querem cercar a Liberdade.
Liberdade é um dos direitos mais belos e importantes para o ser humano e uma questão fundamental para a humanidade. É a ausência da submissão e, qualifica a independência do ser humano, enquanto cidadão.
A Constituição brasileira garante a liberdade de expressão, a liberdade de escolha ou não de culto religioso, a liberdade de imprensa, a liberdade de ir e vir pelas vias públicas, entre outras.
O direito de ir e vir dos cidadãos é uma norma pétrea da Constituição e não é possível violar esse direito. Norma pétrea é aquela que não pode ser objeto de alteração, nem mesmo através de proposta de emenda à Constituição.
Em Irati, se cogita em fechar uma rua para que uma empresa a utilize, exclusivamente, para suas atividades. Paradoxalmente, essa via chama-se Liberdade. Trata-se de uma das primeiras ruas da cidade, um lugar antigo onde teve o início a história da cidade, uma rua que se confunde com os primórdios da fundação de Irati. Um local de domínio público consolidado. Uma propriedade inalienável de toda a população.
Fala-se em projetos para minimizar os nefastos impactos que o aumento da frota de veículos e, principalmente os caminhões, vêm trazendo ao centro da cidade e, estranhamente, se cogita em aumentar uma fábrica, justamente no âmago da área histórica de nossa cidade. Quando se vem estudando a implantação de vias perimetrais para desafogar o tráfego pesado do centro, completamente na contra mão, é anunciado o possível fechamento de uma artéria central do sistema viário.
Deste disparate resultam alguns sérios questionamentos:
- Não se vai levar em conta a qualidade de vida?
- A lei de uso e ocupação de solo será alterada para essa implantação?
- O plano diretor prevê a implantação de indústrias em uma área residencial?
- E o propalado direito de ir e vir das pessoas?
- E a desvalorização das propriedades do entorno?
- E o aumento da poluição e risco de acidentes da região?
Um desenvolvimento urbano autêntico não se baseia somente em crescimento econômico e modernização tecnológica, mas, antes e acima de tudo, vale dizer é a conquista de melhor qualidade de vida para um número cada vez maior de pessoas e, de cada vez mais justiça social. Não se faz um crescimento à custa de destruição de ecossistemas e do patrimônio histórico e arquitetônico. A modernização vem sob a forma de níveis cada vez menos toleráveis de poluição, de estresse, de congestionamentos. Se não resguardarmos essas premissas estaremos ferindo o bom senso.
Quando, no mundo todo, as empresas procuram locais apropriados, criam-se distritos industriais, em Irati, a medida que se pretende implantar demonstra que se está a remar contra a correnteza. Podem até tentar legalizar tais propostas, mas não será uma iniciativa que preserve o interesse da comunidade como um todo.
Não sou conhecedor profundo do Direito, contudo sei que existe o direito adquirido de passagem, o qual não parte do pressuposto se no local circula um transeunte por minuto, ou um por ano. Não é lícito que se feche essa liberdade conquistada.
Aplaudimos a iniciativa da empresa, também histórica dentro de Irati. Entendemos que, acreditar no valor de nosso povo e no potencial econômico da região, como estão fazendo os empresários, é uma demonstração de amor pela sua terra e de respeito pelos seus antepassados.
Ninguém é contra mais empregos, mais produção, apoio a produtores agrícolas, mais ICMS para Irati, porém, é preciso que se avalie o custo social e estrutural da iniciativa.
Este assunto, certamente vai me trazer implicações contrárias, porém é minha opinião e, creio que de muitos cidadãos iratienses. A manifestação livre é, ainda, uma marca da democracia e, por isso, não tenho como me furtar a expor o que penso.
A razão não é suficiente para alcançar uma verdade. Porém, a verdade está sempre presente e tomara que o atalho que querem tomar hoje, se aplicado, não se torne o entrave de amanhã.
Vamos continuar nos manifestando pela liberdade da Rua da Liberdade e, pela liberdade de ir e vir de todas as ruas de nosso país.

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