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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Ainda há tempo de desistir


Muitas pessoas poderão me criticar ao lerem o que estou escrevendo, mas não poderia me furtar da oportunidade que uma professora nos deu nesses últimos dias.
Internautas, ou quem assistiu a programas de noticiários de televisão viram a coragem da professora potiguar Amanda Gurgel. Em uma reunião com autoridades do estado do Rio Grande do Norte denunciou o descaso com a Educação naquele Estado. Porém, o que ela falou serve para o Brasil inteiro.
Apesar do ufanismo do governo dizer que o país vai às mil maravilhas, são muitas mazelas existentes em vários setores. Como vimos aquela professora dar mais um grito de alerta aos governantes à sociedade.
O governo anterior, num ato de populismo, deixa uma herança pesada ao atual governo: sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014. Será que o país terá condições? De que maneira? Não temos estádios condizentes, não temos aeroportos com um mínimo de funcionabilidade, sequer rodoviárias e transportes adequados ao sucesso de tamanho acontecimento. Enfim, hoje e em tão pouco tempo não teremos estrutura para arcar com as necessidades dessa competição.
O que, certamente, irá ocorrer nessa correria será uma possível maracutaia entre certos políticos e algumas grandes empreiteiras. Haverá falta de planejamento, super faturamento e obras com resultados duvidosos. O que provavelmente já vem acontecendo em muitas obras públicas, onde somente empreiteiras apadrinhadas executam obras com licitações viciadas e, dirigentes públicos enriquecendo em pouco tempo. Com a Copa do Mundo tudo tende a ficar pior, nesse sentido.
Por que não usar essa fortuna em melhorias necessárias? É só ir a qualquer posto de saúde desse país e ver a precariedade de atendimento, a falta de medicamentos e o povo sofrendo. Por que não pegar esse dinheirão e melhorar as condições dos professores, como denunciou a corajosa professora do Nordeste? Com certeza o que ela falou vem ocorrendo com a Educação por vários lugares do Brasil. Por que não pegar essa grana e investir em ferrovias, nos portos em estradas sem pedágios, em saneamento, na melhoria dos aeroportos? Aliás, tudo isso deveria ser feito sempre, de forma criteriosa, planejada e transparente.
Então, porque o governo não desiste já de sediar essa Copa? É melhor meio vexame do que um fiasco inteiro perante o mundo. Ficaremos com estádios que se tornarão elefantes brancos, com dinheiro que poderia ser mais bem utilizado. A Colômbia, em 1986, já desistiu de sediar uma Copa do Mundo de Futebol, sem constrangimento, pois não tinha condições financeiras e a violência assolava o país.
Por todas essas razões, na minha modesta opinião, o melhor para o país é dizer não para esse evento, pelo menos nessa época.
Dagoberto Waydzik
Eng.º Civil

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O CONFLITO DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO


Nos tempos atuais, a democracia é o regime que acata o direito à liberdade de expressão e opinião. Contudo, ela também reconhece que nem todo o assunto é objeto de julgamento.
“Assim, existem certas citações que, na verdade, não têm o direito de circular socialmente. Como, quando alguém fala que os negros são menos aptos para o trabalho intelectual, que os judeus detêm o controle financeiro do mundo, que todos muçulmanos são terroristas ou que os homossexuais são devassos e representam uma desonra para seus pais, não está enunciando uma opinião. Na verdade, está simplesmente reiterando enunciados cuja única função é condenar grupos, nutrir o desprezo e reduzir nossa indignação diante da violência contra eles.”
É patente que a maioria diz que uma apreciação é uma posição pessoal a respeito de algo que posso ser contra ou a favor. Mas, há casos a respeito dos quais não é possível ser contra. Por exemplo, não posso ser contra a universalização de direitos e a generalização do reconhecimento a grupos sociais historicamente excluídos. Ao fazer isto, coloco-me fora e contra a democracia.
Por isso que um deputado qualquer ou, um “Bolsanaro” da vida (cumprindo, pasmem o 6º mandato), sente-se a vontade para nutrir o instrumento social de exclusão e preconceito ao proferir as insanidades de costume contra os homossexuais, e ainda, maldosamente comparar homossexualismo com pedofilia. Eis algo que fere radicalmente a democracia. Diga-se de passagem, tal deputado já deveria ter sido inquirido quando declarou, tempos atrás, que é a favor da tortura em cárceres. Igualmente, não se trata de opinião, mas de inadmissível defesa a um crime contra o ser humano.
“Porém, é fato que a agressão, real e simbólica, contra os homossexuais só diminuirá quando eles forem reconhecidos em sua radical condição de igualdade.
A democracia não conhece meio-termo, seu igualitarismo deve ser integral. Isso significa que nada justifica que eles não possam ter direitos elementares, como constituir família, casarem-se e adotarem filhos. Famílias homo parentais não são mais problemáticas do que qualquer família de heterossexuais”, diz Vladimir Safatle.
A liberdade de expressão, não é o que o deputado falou, pois, defender o Bolsonaro, somente se tiver um laudo psiquiátrico. Podemos discordar do maluco, repudiá-lo e etc. Todavia, devemos olhar além, hoje os que criticam o que ele diz ontem outro político, o ex-presidente Lula, em plena campanha presidencial, disse ao prefeito de Pelotas: que a cidade era um centro exportador de "viados" (termo usado pelo cujo) e foi encarado como simplesmente "piadinha". O rei das bolas foras, porque estava no poder, passou incólume a essa infeliz citação.
“Preconceito é preconceito em qualquer ideologia, assim como ditadura é
ditadura qualquer que seja a matiz dela. Pinochet era um pulha, mas Fidel é
um cara legal? O ocidente combatia Stalin e seus herdeiros políticos, mas
apoiava (até pouco tempo atrás) Mubarak, Sadam e Kadaffi. Entre os
genocidas todos lembram (e com razão) de Hitler (dizimou seis milhões de Judeus, mais ciganos, mais homossexuais e outras minorias, sem contar com as mortes da guerra propriamente dita), mas parece esquecer-se de Stalin (matou 17 milhões de mortos pela Revolução Russa), Pol Pot (Camboja – liquidou entre dois e quatro milhões de pessoas - cerca de 20% da população - morreram em conseqüência de trabalhos forçados, execuções, doenças ou tortura) e Mao Tsé-Tung (com suas políticas e os expurgos políticos, de 1949, provocaram a morte de 50 a 70 milhões de pessoas).” Fonte: Wikipédia
Com o atraso que se faz necessário para serenar os espíritos, comentamos o caso
envolvendo o deputado Jair Bolsonaro, que, ao verberar simultaneamente
contra negros e homossexuais, despertou a sincera ira de amplos setores da
sociedade, assim como, a admiração de outra minoria que estava oculta em um manto cultural–ultrapassado. Certamente, estamos entre os que acham que o mandatário tem o
direito de dizer o que pensa, por mais politicamente incorretas, ofensivas
ou imorais que sejam suas declarações. Mas, como o homem público deve medir suas palavras e não fomentar conflitos inadmissíveis para quem tem o dever de ofício de legislar para a paz e o bem de uma nação.
Se você é a favor da liberdade de expressão, isso significa que você é a favor da liberdade de exprimir precisamente as opiniões que você também despreza.
Com efeito, ninguém precisa de licença ou autorização para dizer o que todos
querem ouvir. Ou bem o instituto da liberdade de expressão existe para
abarcar casos como o de Bolsonaro, ou ele se torna um ser inútil na
legislação, uma palavra de ordem, no máximo. Também é salutar ouvir mais de uma opinião acerca de um assunto, a liberdade de expressão também quer dizer que devemos ouvir e estar abertos àquilo que não gostamos, sem condenar antes de ouvir, mas tendo a liberdade de tomar partido a partir da opinião que formamos.
Diz Hélio Schwartsman, articulista da Folha de São Paulo: “O mais importante é que para cada tipo “Bolsonaro” lançando ideias racistas e
homofóbicas, existe também um sujeito, vivendo a realidade, defendendo pontos de
vista de liberdade e avanços sociais. Na média, quando todos podem falar
livremente, é a sociedade que sai ganhando”.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

terça-feira, 3 de maio de 2011

O TRÂNSITO SOLICITA RESPEITO


Chegar cinco minutos mais tarde em algum lugar não é motivo para dizer que o trânsito como um todo não presta.
Numa grande cidade, como o Rio de Janeiro, muitas vezes leva-se mais de duas horas dirigindo um veículo vagarosamente. É muito difícil sentir-se privado da mobilidade em um local que deveria ocorrer o contrário, visto a evolução dos veículos automotores.
Não é novidade o fato de que as ruas estão cada vez mais cheias de veículos. Porém, junto com isso há uma mudança sociológica que não se resolve com políticas de mobilidade urbana. As pessoas estão cada vez mais agressivas e desumanas no tráfego. Parece que ninguém quer retroceder e fugir dessa realidade. Basta que grande maioria de pessoas sentasse em seus veículos, liguem a chave e saiam como desvairados, costurando, buzinando e xingando outros motoristas. Essa prática está cada vez se agravando mais.
Muito disso está aliado a nossa cultura, ao precário sistema de trânsito, a ineficiência das fiscalizações, à corrupção e a falta de punição adequada. Diametralmente oposto a países desenvolvidos ou educados. Nesses países mesmo não tendo pedestres nas faixas específicas os veículos diminuem a marcha, quando não até param.
Aqui, em nosso país, qualquer desentendimento vira uma discussão entre os condutores, pode resultar agressão física e até tiroteio. Por que isso ocorre? Certamente não porque a população anda fortemente armada, mas porque os cidadãos saem com seus veículos dotados de um pensamento bélico na mente. A maioria tem na cabeça que em algum momento vai ser sacaneado enquanto dirige e se arma preventivamente contra isso.
Sem mencionar os apressadinhos crônicos, esses cometem inúmeras barbaridades. Conversões perigosas; balões em meio de quadras, para não ter que circundar um quarteirão; dirigem na contra mão; usam a buzina e sinal de luz desnecessariamente, irritando os motoristas próximos. Ainda, há uma teórica e paranoica hierarquização do trânsito, onde os que têm veículos mais potentes, ou grandes, e acham que podem mais, que estão acima dos outros. Sentem-se poderosos c om a equivocada ideia que estão mais protegidos. Isso ocorre condutores de caminhões e veículos mais caros e potentes.
E o que se pode fazer?
Falta a percepção de que cada um de nós faz parte desse círculo do trânsito. E, assim sendo, as relações entre nós devem ser de colaboração. Tudo está ligado. Ninguém está sozinho nas ruas, nas rodovias nos caminhos. Não se pode ignorar os pedestres e os ciclistas. Os ciclistas e pedestres têm seus direitos e deveres assegurados pelo Código Nacional de Trânsito. Deve-se buscar uma harmonia entre todos os componentes do trânsito.
As pessoas devem-se encararem como iguais.
Fiscalização, punição, vias adequadas, tudo é importante, mas não será suficiente se não houver cordialidade e respeito entre todos. Sem competitividade no consumo, na velocidade, no respeito ao espaço público e ao do outro, com ética e denodo.
É sempre bom lembrar que ao seu lado existe um cidadão e observá-lo como a si próprio. Talvez isso precise de treino, mas o cinto de segurança também necessitou e funcionou.
O professor de psicologia Leon Jeremes, da universidade do Havaí, identificou três pontos fundamentais para a melhora do sistema: Reconhecer que motorista que sou; fazer um testemunho de si próprio quando se tem pensamentos e atos agressivos e, modificar minhas emoções enquanto dirijo.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Acreditar

Eu acredito no ser humano!
Eu acredito que o ser humano denota de amor pelo seu semelhante, pelo menos a maioria deles. Eu acredito que um suposto pai, mesmo que não saiba que é pai, quando apontado como possível genitor, deva fazer o teste de DNA e assumir sua paternidade.
Vajam essas duas situações semelhantes, retiradas de um texto da internet, porém com resultados diferentes e, que nos fazem refletir.
Quando o presidente da França morreu no cargo, foram se despedir dele, na Catedral de Notre Dame, em Paris, cerca de 1.500 personalidades: reis, rainhas, príncipes, presidentes e chefes de governo de quase todos os países do mundo. Mas não foi nenhum deles que fez falta no enterro do ex-presidente José de Alencar. Quem fez falta foi alguém ainda mais importante, que concentrou todo o foco da imprensa mundial: Mazarine.
Acontece que Mazarine Marie, nascida em 1974, era filha de uma relação adúltera. Foi discretamente reconhecida, em cartório, pelo pai, que conseguiu manter o segredo durante anos, até 1994, quando foi revelado publicamente pela revista Paris-Match. Hoje, ela é Mazarine Marie Pingeot-Miterrand, escritora.
Mazarine e sua mãe foram convidadas para os funerais pela própria Danielle Miterrand, esposa do presidente, que bateu de frente com o poder e subverteu as normas do cerimonial. Uma foto estampada na primeira página dos jornais do mundo todo mostra Danielle ladeada por seus dois filhos Jean-Christophe e Gilbert, tendo Mazarine e Anne à sua esquerda.
No velório de Alencar, quem ficou de fora foi a Mazarine brasileira, conhecida em Caratinga (MG) como Alencarzinha. Trata-se de uma professora aposentada de 55 anos, que em 2001 entrou com uma ação de reconhecimento de paternidade, reivindicando ser filha de um romance entre José Alencar e a enfermeira Francisca Nicolina de Morais. Com a mesma teimosia com que lutou contra o câncer, seu quase pai, Zé Alencar, se recusou a fazer exames de DNA e morreu sem reconhecer aquela que diz ser sua filha. Entrevistado no programa de Jô Soares, em 2010, diante das câmeras e dos microfones, José Alencar não negou que havia tido uma relação com Nicolina, mas disparou um tiro de guerra. Revelou que “como todo jovem na época” era frequentador das zonas de meretrício das cidades onde morou, insinuando que a mãe de sua eventual filha era uma prostituta e que qualquer um podia ser o pai.
Confesso que nutria enorme admiração pela luta de Alencar contra o câncer, mas ela se esfumou quando ouvi sua declaração, digna de um Bolsonaro, ultrajante e ofensiva a todas as mulheres brasileiras, virtuosas ou pecadoras, que não mereciam um comportamento público tão machista, mesquinho e vulgar. O pior é que, pelo lugar de onde falava, ele tinha um “papel didático” também nessas questões de gênero. Ele estava ensinando aos telespectadores, incluindo aí nossos filhos, como um homem devia se comportar com uma mulher.
Alencarzinha assistiu pela televisão à cobertura do velório de um homem poderoso, rico, com grandes qualidades, mas asquerosamente machista. “Não fui a Belo Horizonte porque não ia ser bem aceita lá”, ela disse. Judicialmente, podia ter tentado impedir a cremação para realizar o exame de DNA, pelo qual tanto lutou. Mas não o fez. “Queria ter conversado com ele em vida, para mostrar quem eu sou, a filha que ele tem, pois, teoricamente todo pai gosta de conhecer a pessoa que ele colocou no mundo. Agora, não adianta mais”.
Danielle Mitterand recebeu criticas impiedosas pela presença de Mazarine e Anne Pingeot nos funerais do presidente francês. Num belo texto que tornou público, ela condenou a hipocrisia e o conformismo, dizendo que um homem ou uma mulher sensível podia se enamorar e se encantar com outras pessoas: “É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente”. Ela fez um apelo:
- “Aceitei a filha de meu marido e hoje recebo mensagens do mundo inteiro de filhos angustiados que me dizem: - “Obrigado por ter aberto um caminho”. Meu pai vai morrer, mas eu não poderei ir ao enterro porque a mulher dele não aceita” (...). Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões. “Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo”. Foi essa generosidade que faltou no enterro de Alencar.
Danielle Miterrand, esposa do ex-presidente François Miterrand, falou ao povo francês. “Antes de tudo devo deixar claro que não é um pedido de desculpas. Muito menos um enunciado de justificativas vãs, comum aos covardes ou àqueles que vivem preocupados em excesso com a opinião dos outros. Uma relação a dois não deve ser apaziguada, mas vibrante, apaixonada, e não enfastiada. Nessa complexidade vi que meu marido era tão meu amante quanto da política. Vi, também, que como um homem sensível poderia se enamorar, se encantar com outras pessoas, sem deixar de me amar. Achar que somos feitos para um único e fiel amor é hipocrisia, conformismo. É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente. Não somos o centro amorável do mundo do outro. É preciso aceitar, também, outros amores que passam a fazer parte desse amor como mais uma gota d'água que se incorpora ao nosso lago.”
Simone de Beauvoir dizia bem, que temos amores necessários e amores contingentes ao longo da vida.
É preciso viver sem mesquinhez, sem um sentido pequeno, lamacento, comum aos moralistas, aos caluniadores aos paranoicos azedos que teimam em sujar tudo. Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões.
Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo. “Deus não prometeu Dias sem Dor; Risos sem Sofrimentos; Sol sem Chuva. Ele prometeu Força para o Dia; Conforto para as Lágrimas e Luz para o Caminho...”.
Acredito na justiça divina.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil