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terça-feira, 3 de maio de 2011

O TRÂNSITO SOLICITA RESPEITO


Chegar cinco minutos mais tarde em algum lugar não é motivo para dizer que o trânsito como um todo não presta.
Numa grande cidade, como o Rio de Janeiro, muitas vezes leva-se mais de duas horas dirigindo um veículo vagarosamente. É muito difícil sentir-se privado da mobilidade em um local que deveria ocorrer o contrário, visto a evolução dos veículos automotores.
Não é novidade o fato de que as ruas estão cada vez mais cheias de veículos. Porém, junto com isso há uma mudança sociológica que não se resolve com políticas de mobilidade urbana. As pessoas estão cada vez mais agressivas e desumanas no tráfego. Parece que ninguém quer retroceder e fugir dessa realidade. Basta que grande maioria de pessoas sentasse em seus veículos, liguem a chave e saiam como desvairados, costurando, buzinando e xingando outros motoristas. Essa prática está cada vez se agravando mais.
Muito disso está aliado a nossa cultura, ao precário sistema de trânsito, a ineficiência das fiscalizações, à corrupção e a falta de punição adequada. Diametralmente oposto a países desenvolvidos ou educados. Nesses países mesmo não tendo pedestres nas faixas específicas os veículos diminuem a marcha, quando não até param.
Aqui, em nosso país, qualquer desentendimento vira uma discussão entre os condutores, pode resultar agressão física e até tiroteio. Por que isso ocorre? Certamente não porque a população anda fortemente armada, mas porque os cidadãos saem com seus veículos dotados de um pensamento bélico na mente. A maioria tem na cabeça que em algum momento vai ser sacaneado enquanto dirige e se arma preventivamente contra isso.
Sem mencionar os apressadinhos crônicos, esses cometem inúmeras barbaridades. Conversões perigosas; balões em meio de quadras, para não ter que circundar um quarteirão; dirigem na contra mão; usam a buzina e sinal de luz desnecessariamente, irritando os motoristas próximos. Ainda, há uma teórica e paranoica hierarquização do trânsito, onde os que têm veículos mais potentes, ou grandes, e acham que podem mais, que estão acima dos outros. Sentem-se poderosos c om a equivocada ideia que estão mais protegidos. Isso ocorre condutores de caminhões e veículos mais caros e potentes.
E o que se pode fazer?
Falta a percepção de que cada um de nós faz parte desse círculo do trânsito. E, assim sendo, as relações entre nós devem ser de colaboração. Tudo está ligado. Ninguém está sozinho nas ruas, nas rodovias nos caminhos. Não se pode ignorar os pedestres e os ciclistas. Os ciclistas e pedestres têm seus direitos e deveres assegurados pelo Código Nacional de Trânsito. Deve-se buscar uma harmonia entre todos os componentes do trânsito.
As pessoas devem-se encararem como iguais.
Fiscalização, punição, vias adequadas, tudo é importante, mas não será suficiente se não houver cordialidade e respeito entre todos. Sem competitividade no consumo, na velocidade, no respeito ao espaço público e ao do outro, com ética e denodo.
É sempre bom lembrar que ao seu lado existe um cidadão e observá-lo como a si próprio. Talvez isso precise de treino, mas o cinto de segurança também necessitou e funcionou.
O professor de psicologia Leon Jeremes, da universidade do Havaí, identificou três pontos fundamentais para a melhora do sistema: Reconhecer que motorista que sou; fazer um testemunho de si próprio quando se tem pensamentos e atos agressivos e, modificar minhas emoções enquanto dirijo.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

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