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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Construtores de Irati

“Na antiguidade, no mundo árabe, o pedreiro chamava-se alvanel – aquele que levantava alvenarias de pedras, tijolos ou outros materiais”. Wilkipédia
A determinação pedreiro vem do latim petraruim, relativo às pedras.
O pedreiro é um dos operários mais antigos do mundo.
Irati sempre teve excelentes profissionais da construção civil. A história de nossa cidade deve muito a esses cidadãos. E nós engenheiros devemos reverenciar essas pessoas.
Sempre é temeroso citar nomes quando se homenageia alguém, pelo risco de se esquecer de alguém. São 30 anos que atuamos na área, mais o que acompanhei meu falecido pai antes de me formar. Porém, não tem como deixar de citar eméritos profissionais tais como: Rudi Schulumberg, Otto Smoger (Moita), Campolin Ribeiro (construtor de pontes), Chales (do cemitério), Estanislau Bronislavski, Susco, todos esses dos tempos passados.
Hoje, dentre muitos outros citamos: Zinho Razera, João Buhrer, Odair Hassen (gitica), Fabiano Kengerski, Carlinhos Sanson, Antonio Chicalski, Dirceu Vermelho, Denilson Nós, Mário e Marcio Bronislavski. Perdoem-me os emitidos, mas todos se considerem homenageados.
Muitas obras, reformas e histórias esses homens deixaram edificadas na cidade.
Certa vez, um desses valorosos protagonistas, homem de grande estatura, caçador e excelente construtor acompanhava o trajeto de um enterro. O finado era conduzido da igreja matriz Nossa Senhora da Luz à “Chácara dos Sabóia”. O carro fúnebre fedia embreagem, devido à velocidade, subidas e descidas.
Na subida da XV de Julho, o construtor, que tinha um vozeirão e talvez escutasse pouco, gritou a meu pai assim: “Estachinho seu desgraçado pensei que era você que tinha morrido”. O nome de meu pai soava parecido com o do defunto. Imagine, quem estava em volta, além do citado, a vergonha passada. Quer dizer o que morreu não tinha problema, o pior se fosse o amigo próximo do pedreiro.
Outra historia aconteceu quando da retirada de ossos de um túmulo para remover ao ossário cruzeiro do cemitério municipal. O pedreiro, sorrateiramente retirou um osso do dedo do defunto. Quando ia às bodegas usava para espremer o limão e mexer a caipirinha que tomava. Depois de rodar o copo esse pedreiro falava da ferramenta que auxiliou no feitio da bebida. Aí já tinha ido o copo inteiro, até o “bagrinho” do fundo, pois o primeiro gole sempre era do santo. Os mais velhos conhecem essa história.
Tem história, também, da nova geração. Trabalhava comigo um profissional esperto. Era bom até a hora do almoço. Depois desse horário virava um chato e invocava com todos os funcionários. Ninguém sabia o porquê. Tomava café de uma térmica, a manhã inteira. Até que pedi a outro pedreiro que bebesse, escondido, um gole do café daquela garrafa. E aí? Perguntei ao gajo o café era muito forte? Forte e com metade de conhaque. Haja equilíbrio no expediente da tarde.
Devoção ao trabalho, do apuro da técnica e da habilidade do oficio, descobrir para si a magia da arte de ser pedreiro. Da arte e do conhecimento. Da troca de idéias com serventes e engenheiros. Todos esses profissionais são importantes como cada tijolo de uma obra.
Obrigado aos pedreiros, mestres de obras, carpinteiros, serventes do passado e do presente. Vocês fizeram e fazem parte da historia de Irati. Nós engenheiros queremos agradecer e prestar uma justa homenagem a vocês.
Dagoberto Waydzik