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segunda-feira, 29 de junho de 2009


“Tá ruim, mas tá bom!”

É incrível a falta de reação do povo brasileiro com tudo o que está acontecendo de ruim no país.
Vejam na política, somente após o ano 2000, ocorreram 84 escândalos, segundo o Jornal Diário do Comércio. Só para citarmos alguns: caso Luis Estevão, Painel do Senado, caso Celso Daniel, escândalo dos Bingos, irregularidades no programa Bolsa Família, escândalo dos Correios, do mensalão, dos dólares na cueca, da Igreja Renascer, caso Renan Calheiros e CPI da pedofilia, todos, logo esquecidos e não cobrados pela população. E, como mais recente, o escândalo dos 663 atos secretos do famoso “Sir Não Sey”, o José Ribamar, que até o mordomo da filha pagava com o nosso dinheiro, um modesto salário de doze mil reais a esse serviçal.
E os bancos que sugam o cliente até o último sumo de sua essência. Nadam em águas tranqüilas sem nenhuma agência reguladora para frear as práticas pesadas a seus usuários. Sequer oferecem um sanitário a seus fregueses.
Também, em toda esquina, quaisquer lojas oferecem empréstimos aos incautos, com juros extorsivos. Até chegam ao desplante de praticar preços, das vendas de suas mercadorias, no mesmo valor para pagamento a vista ou parcelados, ou seja, é evidente que ganham mais com os juros do financiamento da venda a prazo do que com a venda por si só da mercadoria. É uma verdadeira agiotagem camuflada.
Porém, todo mundo reclama, emite opinião, mas não se passa disso. Ninguém assina nenhum manifesto, ou denuncia às autoridades competentes, ninguém briga, realmente, pelos seus direitos. Não há uma ação conjunta da população em protesto ao caos instalado. Nem um mísero panelaço nas ruas. Basta uma vitória de seu time de futebol. Satisfaz a ilusão de assistir uma novela na televisão, a compra de um bem qualquer em até sessenta prestações, pagando o dobro do valor no final dos pagamentos ou, o anúncio da sede no Brasil de uma temerosa copa do mundo, sem ao menos sabermos se temos totais condições para isso. Sem falar dos vales eleitoreiros ou das linguiçadas em época de eleições, que aplacam a “indignação” do povo.
Talvez seja a mistura de raças do povo brasileiro que gerou essa passividade. Quiçá seja por nosso presidente usar maciçamente a mídia e dizer que essa crise é uma marolinha, ou que a gripe suína não preocupa. Também falar que os conflitos no Irã podem ser comparados com uma briga de torcida de um Fla-Flu e, o pior que os escândalos do Senado não devem ser levados tão a sério. Logicamente, a mansidão de nossa população igualmente tem o seu lado positivo, pois não entra em pânico facilmente e, suporta fardos pesados. Contudo será que não estamos precisando de uma ação mais positiva para o combate de tudo isso?
É lamentável ver a violência que as milícias do governo do Irã estão praticando contra o povo por causa dos manifestos e protestos pacíficos pela indignação com o recente resultado das eleições naquele país. Mas, aquele povo se mostra corajoso. Se os coíbem de sair às ruas eles sobem à noite aos telhados e gritam: Deus é grande, em forma de protesto à ditadura que vêm sofrendo.
A conclusão que chegamos é que para o brasileiro, tudo isso, “tá ruim, mas tá bom”. Entretanto, se deixarmos o barco da vida nos levar ao soprar dos ventos é capaz de naufragarmos.

Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

sábado, 20 de junho de 2009

Vão levando de barriga...


Quando eu estava indo, sexta feira passada, a cidade de Rebouças deparei-me com uma barreira de segurança na estrada. A rodovia estava sendo consertada e havia uma pessoa sinalizando as paradas e seqüências do tráfego. Ocorreu que eu fiquei parado na fila e, veio o comboio de veículos do lado oposto que era em torno de dez veículos. Passou-se dez minutos e nada de vir mais veículos. Saí de meu carro, fui a pé até o rapaz da bandeirinha e disse-lhe que algo estava errado, pois não vinha veículos do outro lado já há algum tempo, bem como, indaguei-lhe porque eles não usavam um rádio transmissor para auxiliar nessa tarefa. Como era uma pessoa simples ela não sabia o porquê da ausência do tal rádio e, que viria um carro da empresa para verificar o que estava havendo. Eu disse-lhe que alguém, de sacanagem, não lhe entregou a bandeira, que é o sinal para o lado oposto seguir viagem. E, quando o carro batedor voltou constatou-se que realmente foi uma brincadeira de mau gosto. Um “cidadão” não devolveu o instrumento. Uma irresponsabilidade que deveria ser punível pelas autoridades, pois além de tudo poderia causar um sério acidente. Esse é um caso de falta de punição às irresponsabilidades. Sem falar da falha da empresa de não possuir rádios transmissores. Tomara que não haja acidentes em virtude da falta desse equipamento de segurança.
Como caso dois, temos uma reincidência a ser registrada. Trata-se da cessão de um espaço público para um evento de uma entidade de classe. Tudo acertado, protocolado, combinado há meses antes da ocorrência do evento. Três dias antes da data do evento, a entidade é avisada por terceiros que naquele espaço haveria outro evento. E aí como é que fica? O responsável ou irresponsável pela dupla marcação ficará ileso? No mínimo tinha que avisar pelo menos com um mês de antecedência, ou não ceder o espaço para o segundo solicitante. Vamos, então, esperar se serão apurados os culpados e tomadas as devidas medidas para tal falta de responsabilidade. Ou se vão levar “de barriga” mais uma vez.
E assim caminha nosso sofrido e muitas vezes irresponsável país.
Com sobrinhos (nepotes), netos e amigos de um falso prócere do senado recebendo do dinheiro público por serviços prestados em condições talvez duvidosas. Em países sérios o sujeito já teria renunciado, quando não, se suicidado.
Com muitas obras públicas executadas com qualidades baixas.
Com o sistema financeiro perverso e sem uma agencia reguladora para frear a sua avidez por lucros exorbitantes.
Com um poder legislativo, em toda a nação, que não cumpre com as prerrogativas de fiscalização das barbaridades que continuam pairando no nosso meio.
É uma verdadeira escassez de responsabilidade.
Com tudo sendo levado “de barriga”.
Urge que se cobrem as responsabilidades de quem são devidas. O povo fica paralisado sem saber a quem cobrar. E, o que mais falta é a real participação desse povo nas demandas que lhe afetam. Com o peito aberto, sem egoísmo e com uma unidade forte.
Tudo isso que está acontecendo pode ser sintetizado numa frase do poeta Victor Hugo: “Quando a gente não observa os lobos, prejudica os carneiros.”

sábado, 13 de junho de 2009

Entrou areia no negócio



Em tempos de supostas ofertas de crédito imobiliário, redução de imposto sobre produtos industrializados, eis que vem ocorrendo fatos estranhos, já há algum tempo, com uma das matérias primas mais importante na construção civil: a areia.
A areia, na região sul, centro-sul e dos campos gerais no estado do Paraná, advém de portos de cidades como: Porto Amazonas, Ponta Grossa, São Mateus do Sul, União da Vitória, entre outras. Mas, o que mais estarrece é a alta de preço que ocorreu em um ano, aproximadamente. Subiu injustificadamente em torno de 40% para adquirirmos esse produto.
Para retirar areia de cavas ou rios é necessário um processo rudimentar e usado há muito tempo por essas nossas plagas. Tão somente necessitam de um motor, com uma bomba hidráulica, algumas peneiras e alguns tubos circulares. Com praticamente um operador, alguns tambores com pranchões para sustentação do motor e óleo diesel se processa essa tarefa. Então, com pouca mão de obra, insumo somente de óleo diesel e pequena manutenção do arcaico equipamento.
Vejamos se há justificativa para essa alta de 33% em um ano. Em índices aproximados, de órgãos econômicos, o salário mínimo subiu, nesse período 12%, o óleo diesel subiu em média 3%, o custo unitário básico da construção civil subiu 11,60%, segundo o sindicato da indústria da construção civil do Paraná e o INPC 5,83%, segundo o IBGE. O imposto sobre produtos industrializado reduziu, se bem que praticamente não há industrialização e sim extração direta da natureza desse produto. A suposta alegação, para essa alta, é que os órgãos ambientais estão exigindo, agora, a recomposição das áreas degradadas, como se isso já não fosse obrigação de quem retira a areia. Ainda, se assim o não fizeram até agora, cometeram crime contra o meio ambiente e, auferiram lucros indevidos com a falta de tal tarefa. E, se tem que adquirir novos equipamentos para tal atividade, isso é investimento e não custo. Só nos resta pensar que há talvez uma cartelização da areia em nossa região, ou, quem sabe, politicagem favorecendo alguns apaniguados.
A cartelização é um acordo nefasto entre concorrentes para fixação de preços, divisão de clientes e mercados de atuação, objetivando principalmente o aumento de preço e lucro, mesmo que sem uma justificativa plausível. É um grande prejuízo ao consumidor. Essa prática é considerada crime em quase todos os países desenvolvidos, esse é o caso do Brasil, não o desenvolvimento, mas o crime.
De acordo com a legislação brasileira as empresas praticantes desse Ilícito podem ser condenadas a penas administrativas, além de configurar crime, punível por multa ou prisão (Lei de Crimes Contra a Ordem Econômica – número 8137 de 27/12/1990). Esse e outros cartéis deveriam ser apurados, denunciados e processados de ofício pelos agentes públicos fiscais da lei. Parece que aqui em nossa região também vinga a “Omertá”, a lei do silêncio da máfia siciliana a qual proíbe dar informações sobre quaisquer crimes de tráfico de influência, principalmente dos grandes.
Pois é, e como ficamos nós consumidores nessa cadeia econômica? Será que as autoridades não poderiam agir nesse caso?

domingo, 7 de junho de 2009

Melhor que limpar é não sujar



Você notou que as cidades estão ficando cada vez mais sujas? É lamentável a atitude das pessoas que jogam papéis, xepas de cigarros, copinhos e outros lixos nas calçadas, seja pelos pedestres ou de dentro dos automóveis. Mesmo em lugares onde existem lixeiras públicas.
É notória a falta de lixeiras nas ruas e praças das cidades, mas a atitude de poluir o meio ambiente não se justifica, pois se pode levar esse lixinho até a casa e depositá-lo no devido lugar. Ninguém gosta que se jogue o lixo em frente de sua residência. As prefeituras devem colocar mais lixeiras nas ruas e manter equipes de limpeza em lugares públicos, mas se a população não fizer a sua parte de nada adianta essas medidas. Veja o quanto não se economizaria com a diminuição dos serviços de varrição feita pelos garis.
Em frente de cada casa deveria ser obrigatória a colocação de pedestais ou suportes em gradis para o depósito do lixo domiciliar, o que em muitas residências não ocorre e, assim os cães de rua fazem a festa e espalham esse lixo.
Reciclar e reutilizar são o toque de “Midas” da conservação do meio ambiente. É muito grande o volume de lixo que vai para os aterros sanitários, diminuindo sobremaneira a vida útil dos mesmos.
Infelizmente, hoje, o ser humano atravessa um momento de inflexão em sua trajetória. O homem esticou demais a corda e está vendo a chegada da degradação da natureza. Porém, apesar dos maus presságios, ainda há tempo de evitar um caos maior.
Urge a obrigação de uma mobilização da sociedade para uma conscientização sobre o que é civilidade e urbanidade. Isso se deve a necessidade urgente de remodelar nossa maneira de viver, de sermos verdadeiros cidadãos. A premissa que o principal é ser livre para “ser” e principalmente, “ter”, é desastroso. Pois, atualmente, não se aplica essa expressão liberal francesa “laissez faire.”, que significa que o Estado deve interferir o mínimo possível na vida do povo. Devemos sim, nós moradores das cidades, agir de forma a cuidar da água, economizar energia, minerais, além de controlar a poluição e o lixo produzidos.
E, isso deve ser levado a cabo pelas municipalidades, colocado como uma das principais diretrizes, através de campanhas de conscientização da população, principalmente dos mais jovens.
O desprezo e o despreparo, aliados a um consumismo desenfreado é a doença que está atingindo a todos. Daí a necessidade de se exigir as políticas de combate aos agentes poluentes. De se incentivar a reciclagem, a começar pelas escolas. Do incentivo do consumo equilibrado pelos consumidores. De uma educação ambiental, para não enfrentarmos enchentes logo ali há algum tempo. De economia de água e energia. De buscar fontes alternativas de energia. Mas o principal, de respeitar o meio ambiente como respeitamos a nossa própria casa.
Melhor que limpar é não sujar, pois no mundo tudo tem um preço e, pode ser que em breve espaço de tempo não possa pagá-lo para nos manter vivos.