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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Amigo até na hora da morte

Nessa vida, pelo menos de duas coisas o homem não escapa: pagar impostos e morrer. Da morte ninguém sabe quem está na vez.
Em Irati, quando se passa pela frente da capela mortuária Santa Rita ninguém quer estar no placar de anúncio, pois ali está o aviso de quem é o mais novo defunto.
Falando em morte um parente meu falava tão mal de sua sogra, que quando esta morreu certo amigo chegando ao velório ironicamente disse: “não sei se dou os pêsames ou parabéns para o genro”. Em que pese que a senhora falecida era uma ótima pessoa.
“Velório é uma cerimônia fúnebre, estranha, em que o caixão do morto é posto em exposição pública para permitir que parentes, amigos possam honrar a memória do defunto antes do sepultamento. É provável que este costume tenha se originado na Idade Média, na Europa, quando os copos e pratos eram feitos de estanho. A mistura de bebida alcoólica com o óxido de estanho causava uma espécie de narcolepsia. Quando um cadáver era encontrado, era deixado sobre uma mesa por alguns dias, para se ter certeza de que estava realmente morto.” Wilkipédia.
Essas cerimônias, muitas vezes, remetem a situações constrangedoras que muitos não sabem como se portar. Os amigos e parentes que ficam sofrem mais do que o que vai. Dependendo da espiritualidade, muitos permanecem serenos, sofrem, mas sabem suportar. Quando comparecemos a um velório cumprimos sagrado dever de solidariedade, oferecendo conforto à família.
Certa feita, fui a um funeral de um conhecido. Chegando ao local, amplo, uma antiga capela, havia poucas pessoas. Era ainda bem cedo. Sentamos em cadeiras de palha no perímetro da grande sala. O caixão no centro do local e ninguém próximo, talvez pelo horário. O que causou surpresa é que embaixo do esquife havia um cachorrinho, pequeno, guaipeca, malhado, marronzinho, embora faceiro, estava triste. Passava-se o tempo e o cão não saía do local. Diversas vezes gania. Algumas pessoas mais chegadas, meio constrangidas, tentaram espantar o animal, que se afastava mais logo voltava. Ao que parecia era bem afeiçoado ao defunto.
Uma pessoa atraiu o animal para fora do local com um pote de água e um pouco de comida. O bichinho saiu por um tempo, contudo logo voltou e, deitou, aborrecido, embaixo do caixão.
A cena era cômica, mais comovente, pois notava-se que o bicho era um fiel amigo do finado, demonstrando que muitos animais são verdadeiramente companheiros fiéis dos seres humanos, e que a recíproca, muitas vezes não é realidade. Mesmo entre os seres humanos em diversas vezes, tal situação não ocorre. Eu havia saído antes, mas certamente o cãozinho acompanhou o féretro de seu amigo até sua morada final. O que foi feito do pobre animal não soube, mas que o mesmo emocionou muita gente sensível, isso emocionou.
Fica uma reflexão daquela passagem, de como os seres vivos deveriam agir, com amizade, ternura, amor em qualquer situação de nossa rápida passagem por essa vida.
Dagoberto Waydzik

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Artérias de circulação de uma cidade


A população das cidades vem aumentando, mas as vias de circulação, praticamente permanecem as mesmas. Existem veículos circulando em grande número, muitas vezes, com somente uma pessoa dentro dos mesmos. O trânsito está cada vez mais caótico. Motoristas nervosos, motociclistas agitados, todos penalizados com a situação, há a ocorrência de muitos acidentes e pedestres prejudicados.
No ano passado foi apresentado à Câmara Municipal de Irati sugestão de Lei específica para fiscalização da melhoria de acessibilidade aos portadores de necessidades especiais de Irati. Frise-se que é um tema deveras importante e norteado por lei federal, porém muitas vezes não cumprida.
As mudanças no trânsito ocorreram de forma mais acelerada do que as no âmbito da infraestrutura rodoviária e da cultura dos motoristas, vedando qualquer possibilidade de condescendência com quem dirige depois de ingerir álcool.
O que fazer? Procurar alternativas para transporte de massa, com preços adequados, incentivar o uso de bicicletas em ciclovias bem projetadas, construir e adequar calçadas apropriadas gerando segurança e conforto aos pedestres. Humanizar o trânsito.
Curitiba fez uma tentativa válida, executou a faixa de ciclovia nas ruas, porém equivocou-se na posição das mesmas o que causou revolta do importante e grande número de usuários das “magrelas”.
Em Irati, estão sendo feitas obras para tentar minimizar alguns desses problemas. Construções importantes de travessias elevadas, acessibilidade das calçadas, passeios com materiais que permitem permeabilidade das águas, implantação de sinalização vertical e horizontal. Binários bem implantados. Faltam sim muitas melhorias, contudo, não há como retroceder. O progresso deve ser acompanhado de obras para minimizar seu impacto, principalmente aos pedestres.
Falta, ainda, conscientização de alguns motoristas com relação à alta velocidade e respeito as leis de trânsito. Um efetivo policial que tivesse condição de fiscalizar e punir os infratores. Todas as medidas disciplinadoras do trânsito são bem-vindas, mas não podem se transformar apenas em marketing político.
Também, a elaboração de uma imprescindível lei que determinasse carga e descarga no comércio e em indústrias centrais somente em pátios próprios ou em horários entre as 19 horas a 22 horas e 6 horas a 8 horas. Também, ordenar as entradas de estabelecimentos que estão com toda a frente com guias rebaixadas, prejudicando demasiadamente os pedestres.
Poderia, ainda, suscitar uma campanha para o aumento do uso de bicicletas, para o trabalho, lazer e esporte. Todavia, necessitaria da criação de ciclovias adequadas, seguras que ligassem os bairros ao centro. Se fizermos uma estatística do número de pessoas que as usam se notaria o quão grande é esse número. Essas medidas resultariam em uma alternativa para desafogar nosso conturbado trânsito, melhoria da condição de saúde dos usuários; diminuição da poluição do ambiente.
Oxalá que não se cometa o equívoco do projeto das faixas de Curitiba e nem que o governo estadual invente um emplacamento de bicicletas, já que aumentou extraordinariamente as taxas do DETRAN, em detrimento do bolso do povo, já tão achacado com tributos de todos os tipos.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Segurança de trabalho


A construção civil há muito tempo é uma das maiores empregadoras do país. São inúmeras pessoas, advindas de serviços diversos, após perderem seus empregos, encontram acolhimento nesse setor.
Infelizmente, devido à economia informal, à cultura brasileira e ao relapso de muitos profissionais o quesito segurança vem sendo deixado de lado.
Mesmo com esforço de alguns engenheiros e de valorosos de mestres de obras, a maioria da turma não tem preparo adequado para a função. Isso se deve ao relaxamento das autoridades e ao aceite dos clientes em “pagar uma mão de obra mais barata”, que pode não trazer um bom resultado final da obra. Abaixo reproduzimos um acidente, relatado em uma carta por um pedreiro, que aconteceu em nosso país.
Carta do pedreiro José de Oliveira pedindo indenização da empresa por acidente de trabalho:
"Trabalho na empresa há mais de dois anos e no dia do acidente estava fechando a alvenaria externa do 6º andar. Recebera a ordem de deixar o local limpo, sem nenhum tijolo, assim que finalizasse o serviço. Terminei às 16:30. Faltava só meia hora para acabar o expediente e sobraram uns 150 tijolos no local, que eu devia levar para baixo. Era muito tijolo, eu no 6º andar, sozinho. Ia levar um tempão para descer toda a tijolada. Resolvi apelar para a inteligência.
Peguei então um tambor de 200 litros, coloquei todos os tijolos dentro dele, amarrei uma corda bem firme em volta do tambor, levei a outra ponta da corda para a carretilha que fica pendurada na laje do 12º andar. Passei a corda na carretilha e desci para o pilotis para então descer o material. Dei um puxão bem forte na corda e o tambor que estava na beiradinha bambeou e começou a descer.
Acontece que eu peso 65 quilos e o tambor cheio de tijolos pesou uns 200 quilos. O tambor começou a descer e eu a subir. Encontrei com ele ao nível do 3º andar: foi uma bruta pancada que me fraturou o joelho e me quebrou alguns dentes. Eu não podia largar a corda sob pena de cair daquela altura. Continuei subindo, com muita dor, até que meus dedos foram engolidos pela carretilha. Imagine a dor. Ao mesmo tempo escutei um barulhão: o tambor chegara no chão, perdeu o fundo e a carga de tijolos. Resultado: fiquei mais pesado que o tambor vazio.
Como o senhor já deve ter imaginado, eu, agora mais pesado que o tambor começou a descer e o tambor a subir. Nos encontramos a meio caminho, em alta velocidade, ali pelo 3º andar. Mas desta vez, como o tambor estava vazio ele só bateu com menos força no meu tornozelo, que quebrou mesmo assim, e ainda rasgou a minha coxa esquerda.
Caí no chão, justo em cima da pilha de tijolos o que me rendeu mais quatro costelas quebradas e a fratura do fêmur direito. Neste momento, sem maldade, larguei a corda e eis que o tambor desceu lá de cima, numa velocidade espantosa, e caiu bem em cima de mim. A pancada me valeu mais algumas escoriações e fratura da mandíbula, além de ter perdido mais alguns dentes. Eu já estava quase desacordado quando o nó da ponta da corda bateu no meu olho esquerdo, com toda a força, e lá se foi um olho.
Hoje, graças a Deus, estou me recuperando. Ainda não consigo me mexer e para conversar está difícil por causa da fratura da mandíbula. Ainda sinto um zumbido no ouvido e já estão providenciando a prótese de vidro para o meu olho esquerdo.
Espero que a empresa esteja também providenciando, com rapidez, minha indenização pelo acidente de trabalho. Para escrever esta carta tive que pedir ajuda da enfermeira aqui do Hospital - meus dedos estão todos enfaixados - onde já estou faz bem uns quatro meses".
Postado por João Gallo, às Terça-feira, 03 de Junho de 2008.
Como disse acima, muito temos que evoluir nesse país, em matéria de segurança e respeito aos trabalhadores. É populista a atual prática de financiamento habitacional. Carece de profissionalismo. Também, infelizmente, os futuros mutuários contratam primeiro os pedreiros e, depois procuram um profissional de arquitetura e engenharia para acompanhar a obra. Muitas vezes, devido a imposição do órgão financiador, de um custo de obra muito menor do que o real. É legal, mas não o ideal. O correto seria os que financiamentos exigissem que a economia formal executasse as obras, com preços adequados. Com registros dos funcionários do início ao fim das obras. A regra do jogo deve ser melhorada.
Porém, para práticas inadequadas existem clientes que aceitam a situação, em detrimento de toda cadeia da legalidade. Os resultados poderão ser desastrosos.
Onde o Estado não atua alguém o faz, para melhor ou para pior, assumindo o papel do Estado. Nesse quesito os poderes constituídos deixam muito a desejar em nosso país.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil