“Todos os homens nascem iguais”, e com alguns direitos inalienáveis, incluindo a vida, a liberdade e a busca da felicidade. (Constituição pelo mundo afora. Porém, esses direitos sempre eram concedidos por alguém, pelo Rei, pelo Imperador, pelo Papa ou por um presidente ou governador recém eleito. Esses direitos podem ser tomados ou comprados.
Com o processo de redemocratização, a partir de 1985, no Brasil, abriu-se o caminho para novas tendências e ideologias políticas sem que, com isso, a força das elites deixasse de estar sempre a um passo do poder.
Poder é a capacidade de conseguir que os outros façam o que você quer, às vezes em troca de alguns favores. È o que vêm ocorrendo ultimamente em nosso país.
Quando alguém é eleito, sua primeira providencia, antes mesmo de assumir o mandato, é escolher seus colaboradores de confiança, direta ou indiretamente. Tudo isso é aceitável se não fosse pela maneira que se faz atualmente. O eleito o faz como se estivesse delimitando um campo de participação em que não podem transitar os que não são de sua “turma”, mesmo que os elementos escolhidos não tenham capacitação técnica para o cargo. Há uma privatização desse espaço. Não importa se um gênio do assunto, daquele cargo, está disponível para colaborar. Se ele não estiver no “jogo” do vencedor então que se deixe para o lixo eventuais contribuições.
Destarte, a maioria de obras públicas é ofertada aos apadrinhados. Também, são tomadas decisões equivocadas em diversos setores. Existem facilidades de acordos com os diversos legislativos. Assim, há uma patente carência de oposição no país. Pessoas, ou organizações, supostamente adversárias, ou que levem perigo a uma projeção futura, encontra dificuldade de transito nos caminhos do príncipe. É uma maneira de usurpar o poder da sociedade.
Isso cabe, em governos federais, estaduais e prefeituras. Também em entidades e conselhos de classe e, agora até em partidos políticos. Vide exemplos como a criação de um novo partido de centro pelo prefeito Kassab. Sim pode ser legitima a ação, contudo oportunista, pois tem o fulcro de se aproximar da “rainha”, visando, talvez, somente a busca de benefícios próprios. E se o dizer da saída de políticos de um partido, com “ideologia” (sic) para outra ideologia somente para aproximar-se de quem detém o poder? Perguntas-se como ficam os eleitores desse partido? E, lamentavelmente muita gente boa vai atrás desse “líder”. Mas, lideres também foram Jesus Cristo, Hitler, Gandhi e outros. A questão foi o objetivo de cada um deles.
No Paraná, temos a situação do jovem, promissor e ex-deputado Gustavo Fruet, que foi e está sendo frito em banha fria, por ser um personagem perigoso para figuras diversas da política paranaense, pois é serio e competente.
Parece impossível mudar essa pratica. Ética, princípios, regras, tudo isso é jogado fora. Somente serve para discurso vazio e, usado como mero expediente par limpar o caminho em direção ao poder.
O ideal seria acabar com todos os partidos existentes e começar do zero com os valores supracitados, todavia isso é utopia. Pois, hoje, parece que essas agremiações servem como simples muletas para andar ao lado de quem manda no jogo. Como se fosse necessária a hegemonia para implementação de um projeto político que realmente fosse de encontro aos anseios do povo.
Democracia é uma questão de modo e não de lado. A existência de oposição é imprescindível, contudo o modo de resolver os debates de idéias é que gera o crescimento democrático.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil
quinta-feira, 28 de abril de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
CONTINUA A FARRA DO CRÉDITO FÁCIL

Em abril de 2008 escrevi um texto intitulado “A farra do crédito fácil”. Naquela matéria alertei para o perigo da liberação de crédito ao consumidor de forma desenfreada. Parcelas a perder de vista, com juros exorbitantes. Publicidade maciça induzindo o povo a emprestar, comprometendo grande parte de seus ganhos.
Passaram-se três anos e o que foi feito para regulamentar a situação? Nada! São várias pessoas entrando num buraco sem fundo. Outros, covardemente usando aposentadoria de parentes idosos para fechar um contrato de empréstimo. As financeiras, enrustidas em estabelecimentos comerciais diversos, deitam e rolam. O papo é fácil desde que se garantam com consignação de parte do salário da pessoa que “emprestará” o montante. São inúmeros os artifícios para iludir o consumidor. Cobrando-lhe as taxas com os mais diversos nomes, geralmente pouco explicadas, ou difíceis de entender. Não se informa o custo efetivo total. É o crédito fácil? O famoso crédito consignado. Trata-se de um empréstimo, sem risco algum para o cedente, pois desconta direto na folha de pagamento, principalmente do sofrido aposentado do INSS.
E na hora de pagar? A dívida se arrasta em um sem fim número de parcelas. Os juros massacram o devedor. A empresa recebe várias vezes mais o que emprestou. Enfim, trata-se de uma suposta “agiotagem regulamentada”. Isso acarreta em endividamento familiar perigosíssimo. Pois o consumo pode crescer mais que a produção dessa família e do próprio país. Esse empréstimo fácil pode levar o consumidor à inadimplência às suas prestações, por já estarem endividados muito acima do normal, assim vão para o rol dos maus pagadores. Resultando, a carência de recursos mínimos necessários a sobrevivência dessa família. O risco é que com o aumento do crédito há probabilidade da volta da famigerada inflação, e uma insolvência da população.
É a missão constitucional das áreas legislativas, principalmente dos deputados federais, fiscalizarem e regulamentarem essas matérias financeiras. Fazer algo para alertar o povo e frear a propaganda agressiva e em demasia, que induz a pessoa a fazer empréstimo. Em qualquer esquina se oferece crédito consignado.
A regra diz que não se pode comprometer mais dos 30% do salário mutuário. Essa foi a decisão da terceira turma do Superior tribunal de Justiça (STJ). No início isso foi até obedecido, mas passado algum tempo o valor, em diversos casos, ultrapassou em muito esse percentual. Existe desde 2008 regras sobre o crédito consignado, mas parece que as agencias encontram maneiras de mascarar esse regramento. O Código de defesa do Consumidor proíbe a execução ou promoção de publicidade enganosa ou abusiva.
Tudo isso leva o país a aumentar a desigualdade. Fazendo muitos padecerem com essas praticas se não houver uma ação efetiva dos órgãos responsáveis para regulamentar e fiscalizar essas ações. Isso fere o principio da igualdade. “Violar um principio é muito mais grave do que transgredir uma norma”.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil
terça-feira, 12 de abril de 2011
Omissão e desleixo
Uma das maiores dificuldades que a engenharia tem no Brasil é a falta de representatividade política.
Existem inúmeras associações, institutos, clubes e grupos espalhados pelo país afora, porém com pouquíssima participação dos integrantes e praticamente nenhuma influência no contexto decisório dos movimentos da sociedade. Não basta organizar bailes, encontros de fim de tarde, ou criticar a situação do país.
Os profissionais dizem-se desiludidos com a representação e atuação dos conselhos de classe, mas quando convidados a participar se omitem. Sequer participar como votantes em um processo eleitoral o fazem. Assumem uma postura de descaso e falta de interesse pelo sistema. É cômodo reclamar da dificuldade do exercício profissional, do não cumprimento da tabela de honorários, da falta de representatividade da sua profissão, enquanto se fica de braços cruzados, vendo “a banda passar”. Isso é contraditório à natureza de sua formação, que é ir à luta e solucionar problemas. Contudo é assim que a grande maioria dos profissionais se comporta.
Temos, ainda em nosso país, uma democracia fraca, que é tomada por políticos populistas e paternalistas. Os eleitores são imaturos, dependentes, desatentos e por causa disso desrespeitados. Se o voto não fosse obrigatório a situação poderia ser pior do que está, pois a “compra” de sufrágios através de currais eleitorais seria muito mais fácil, mapeando-se estatisticamente as seções eleitorais.
Em se falando dos integrantes do sistema CREA/CONFEA, pessoas teoricamente mais esclarecidas que a média dos brasileiros, os quais dependem, para exercer sua profissão, das decisões dos sistemas citados, é triste o desdém quanto a pouca participação em assembléias e reuniões classistas, ao pequeno comparecimento e participação numa eleição dos cargos de seus dirigentes. Isso é uma grande omissão eleitoral. Não seria essa a causa de achar que o sistema é injusto e falho?
Urge a articulação dessas entidades, desses clubes, institutos, academias de engenharia para uma mobilização em torno de uma aproximação aos poderes constituídos. Não importando quem está nas cadeiras, é necessária à proposição de idéias, de planos inovadores e propostas condizentes com a época que vivemos e com o futuro que almejamos. Movimento que persista em longo prazo, independente das cabeças que estejam no poder, mas que se passe de mandato para mandato, com as devidas correções e adaptações que o progresso impinja. Nós somos a maior parte dos responsáveis pelo avanço das tecnologias que são as alavancas do crescimento de uma nação. Não se admite que fiquemos calados diante de tanto amadorismo e improvisação.
Existe sim, sem dúvidas, muitos agentes públicos relapsos nas várias esferas dos poderes, isso talvez até pela forma eletiva do sistema vigente, contudo não seria também em parte por falha de nossa omissão?
Dagoberto Waydzik
dagobertowaydzik@blogspot.com
Uma das maiores dificuldades que a engenharia tem no Brasil é a falta de representatividade política.
Existem inúmeras associações, institutos, clubes e grupos espalhados pelo país afora, porém com pouquíssima participação dos integrantes e praticamente nenhuma influência no contexto decisório dos movimentos da sociedade. Não basta organizar bailes, encontros de fim de tarde, ou criticar a situação do país.
Os profissionais dizem-se desiludidos com a representação e atuação dos conselhos de classe, mas quando convidados a participar se omitem. Sequer participar como votantes em um processo eleitoral o fazem. Assumem uma postura de descaso e falta de interesse pelo sistema. É cômodo reclamar da dificuldade do exercício profissional, do não cumprimento da tabela de honorários, da falta de representatividade da sua profissão, enquanto se fica de braços cruzados, vendo “a banda passar”. Isso é contraditório à natureza de sua formação, que é ir à luta e solucionar problemas. Contudo é assim que a grande maioria dos profissionais se comporta.
Temos, ainda em nosso país, uma democracia fraca, que é tomada por políticos populistas e paternalistas. Os eleitores são imaturos, dependentes, desatentos e por causa disso desrespeitados. Se o voto não fosse obrigatório a situação poderia ser pior do que está, pois a “compra” de sufrágios através de currais eleitorais seria muito mais fácil, mapeando-se estatisticamente as seções eleitorais.
Em se falando dos integrantes do sistema CREA/CONFEA, pessoas teoricamente mais esclarecidas que a média dos brasileiros, os quais dependem, para exercer sua profissão, das decisões dos sistemas citados, é triste o desdém quanto a pouca participação em assembléias e reuniões classistas, ao pequeno comparecimento e participação numa eleição dos cargos de seus dirigentes. Isso é uma grande omissão eleitoral. Não seria essa a causa de achar que o sistema é injusto e falho?
Urge a articulação dessas entidades, desses clubes, institutos, academias de engenharia para uma mobilização em torno de uma aproximação aos poderes constituídos. Não importando quem está nas cadeiras, é necessária à proposição de idéias, de planos inovadores e propostas condizentes com a época que vivemos e com o futuro que almejamos. Movimento que persista em longo prazo, independente das cabeças que estejam no poder, mas que se passe de mandato para mandato, com as devidas correções e adaptações que o progresso impinja. Nós somos a maior parte dos responsáveis pelo avanço das tecnologias que são as alavancas do crescimento de uma nação. Não se admite que fiquemos calados diante de tanto amadorismo e improvisação.
Existe sim, sem dúvidas, muitos agentes públicos relapsos nas várias esferas dos poderes, isso talvez até pela forma eletiva do sistema vigente, contudo não seria também em parte por falha de nossa omissão?
Dagoberto Waydzik
dagobertowaydzik@blogspot.com
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