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terça-feira, 12 de abril de 2011

Omissão e desleixo

Uma das maiores dificuldades que a engenharia tem no Brasil é a falta de representatividade política.
Existem inúmeras associações, institutos, clubes e grupos espalhados pelo país afora, porém com pouquíssima participação dos integrantes e praticamente nenhuma influência no contexto decisório dos movimentos da sociedade. Não basta organizar bailes, encontros de fim de tarde, ou criticar a situação do país.
Os profissionais dizem-se desiludidos com a representação e atuação dos conselhos de classe, mas quando convidados a participar se omitem. Sequer participar como votantes em um processo eleitoral o fazem. Assumem uma postura de descaso e falta de interesse pelo sistema. É cômodo reclamar da dificuldade do exercício profissional, do não cumprimento da tabela de honorários, da falta de representatividade da sua profissão, enquanto se fica de braços cruzados, vendo “a banda passar”. Isso é contraditório à natureza de sua formação, que é ir à luta e solucionar problemas. Contudo é assim que a grande maioria dos profissionais se comporta.
Temos, ainda em nosso país, uma democracia fraca, que é tomada por políticos populistas e paternalistas. Os eleitores são imaturos, dependentes, desatentos e por causa disso desrespeitados. Se o voto não fosse obrigatório a situação poderia ser pior do que está, pois a “compra” de sufrágios através de currais eleitorais seria muito mais fácil, mapeando-se estatisticamente as seções eleitorais.
Em se falando dos integrantes do sistema CREA/CONFEA, pessoas teoricamente mais esclarecidas que a média dos brasileiros, os quais dependem, para exercer sua profissão, das decisões dos sistemas citados, é triste o desdém quanto a pouca participação em assembléias e reuniões classistas, ao pequeno comparecimento e participação numa eleição dos cargos de seus dirigentes. Isso é uma grande omissão eleitoral. Não seria essa a causa de achar que o sistema é injusto e falho?
Urge a articulação dessas entidades, desses clubes, institutos, academias de engenharia para uma mobilização em torno de uma aproximação aos poderes constituídos. Não importando quem está nas cadeiras, é necessária à proposição de idéias, de planos inovadores e propostas condizentes com a época que vivemos e com o futuro que almejamos. Movimento que persista em longo prazo, independente das cabeças que estejam no poder, mas que se passe de mandato para mandato, com as devidas correções e adaptações que o progresso impinja. Nós somos a maior parte dos responsáveis pelo avanço das tecnologias que são as alavancas do crescimento de uma nação. Não se admite que fiquemos calados diante de tanto amadorismo e improvisação.
Existe sim, sem dúvidas, muitos agentes públicos relapsos nas várias esferas dos poderes, isso talvez até pela forma eletiva do sistema vigente, contudo não seria também em parte por falha de nossa omissão?

Dagoberto Waydzik
dagobertowaydzik@blogspot.com

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