Powered By Blogger

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O CONFLITO DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO


Nos tempos atuais, a democracia é o regime que acata o direito à liberdade de expressão e opinião. Contudo, ela também reconhece que nem todo o assunto é objeto de julgamento.
“Assim, existem certas citações que, na verdade, não têm o direito de circular socialmente. Como, quando alguém fala que os negros são menos aptos para o trabalho intelectual, que os judeus detêm o controle financeiro do mundo, que todos muçulmanos são terroristas ou que os homossexuais são devassos e representam uma desonra para seus pais, não está enunciando uma opinião. Na verdade, está simplesmente reiterando enunciados cuja única função é condenar grupos, nutrir o desprezo e reduzir nossa indignação diante da violência contra eles.”
É patente que a maioria diz que uma apreciação é uma posição pessoal a respeito de algo que posso ser contra ou a favor. Mas, há casos a respeito dos quais não é possível ser contra. Por exemplo, não posso ser contra a universalização de direitos e a generalização do reconhecimento a grupos sociais historicamente excluídos. Ao fazer isto, coloco-me fora e contra a democracia.
Por isso que um deputado qualquer ou, um “Bolsanaro” da vida (cumprindo, pasmem o 6º mandato), sente-se a vontade para nutrir o instrumento social de exclusão e preconceito ao proferir as insanidades de costume contra os homossexuais, e ainda, maldosamente comparar homossexualismo com pedofilia. Eis algo que fere radicalmente a democracia. Diga-se de passagem, tal deputado já deveria ter sido inquirido quando declarou, tempos atrás, que é a favor da tortura em cárceres. Igualmente, não se trata de opinião, mas de inadmissível defesa a um crime contra o ser humano.
“Porém, é fato que a agressão, real e simbólica, contra os homossexuais só diminuirá quando eles forem reconhecidos em sua radical condição de igualdade.
A democracia não conhece meio-termo, seu igualitarismo deve ser integral. Isso significa que nada justifica que eles não possam ter direitos elementares, como constituir família, casarem-se e adotarem filhos. Famílias homo parentais não são mais problemáticas do que qualquer família de heterossexuais”, diz Vladimir Safatle.
A liberdade de expressão, não é o que o deputado falou, pois, defender o Bolsonaro, somente se tiver um laudo psiquiátrico. Podemos discordar do maluco, repudiá-lo e etc. Todavia, devemos olhar além, hoje os que criticam o que ele diz ontem outro político, o ex-presidente Lula, em plena campanha presidencial, disse ao prefeito de Pelotas: que a cidade era um centro exportador de "viados" (termo usado pelo cujo) e foi encarado como simplesmente "piadinha". O rei das bolas foras, porque estava no poder, passou incólume a essa infeliz citação.
“Preconceito é preconceito em qualquer ideologia, assim como ditadura é
ditadura qualquer que seja a matiz dela. Pinochet era um pulha, mas Fidel é
um cara legal? O ocidente combatia Stalin e seus herdeiros políticos, mas
apoiava (até pouco tempo atrás) Mubarak, Sadam e Kadaffi. Entre os
genocidas todos lembram (e com razão) de Hitler (dizimou seis milhões de Judeus, mais ciganos, mais homossexuais e outras minorias, sem contar com as mortes da guerra propriamente dita), mas parece esquecer-se de Stalin (matou 17 milhões de mortos pela Revolução Russa), Pol Pot (Camboja – liquidou entre dois e quatro milhões de pessoas - cerca de 20% da população - morreram em conseqüência de trabalhos forçados, execuções, doenças ou tortura) e Mao Tsé-Tung (com suas políticas e os expurgos políticos, de 1949, provocaram a morte de 50 a 70 milhões de pessoas).” Fonte: Wikipédia
Com o atraso que se faz necessário para serenar os espíritos, comentamos o caso
envolvendo o deputado Jair Bolsonaro, que, ao verberar simultaneamente
contra negros e homossexuais, despertou a sincera ira de amplos setores da
sociedade, assim como, a admiração de outra minoria que estava oculta em um manto cultural–ultrapassado. Certamente, estamos entre os que acham que o mandatário tem o
direito de dizer o que pensa, por mais politicamente incorretas, ofensivas
ou imorais que sejam suas declarações. Mas, como o homem público deve medir suas palavras e não fomentar conflitos inadmissíveis para quem tem o dever de ofício de legislar para a paz e o bem de uma nação.
Se você é a favor da liberdade de expressão, isso significa que você é a favor da liberdade de exprimir precisamente as opiniões que você também despreza.
Com efeito, ninguém precisa de licença ou autorização para dizer o que todos
querem ouvir. Ou bem o instituto da liberdade de expressão existe para
abarcar casos como o de Bolsonaro, ou ele se torna um ser inútil na
legislação, uma palavra de ordem, no máximo. Também é salutar ouvir mais de uma opinião acerca de um assunto, a liberdade de expressão também quer dizer que devemos ouvir e estar abertos àquilo que não gostamos, sem condenar antes de ouvir, mas tendo a liberdade de tomar partido a partir da opinião que formamos.
Diz Hélio Schwartsman, articulista da Folha de São Paulo: “O mais importante é que para cada tipo “Bolsonaro” lançando ideias racistas e
homofóbicas, existe também um sujeito, vivendo a realidade, defendendo pontos de
vista de liberdade e avanços sociais. Na média, quando todos podem falar
livremente, é a sociedade que sai ganhando”.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

Nenhum comentário:

Postar um comentário