Numa cidade, os mandatários se preocupam principalmente em executar obras. Muito importante essa prática, mas somente isso não basta para uma qualidade de vida adequada da população.
A cidade é semelhante a um corpo humano. Nasce, cresce e envelhece. A diferença é que na maioria das vezes ela não morre, mas agoniza e muitas vezes, a matam.
As escolas, as praças, a sinalização urbana, um ponto de ônibus, os edifícios, a pavimentação, é uma gama de investimentos e vem se deteriorando de forma ilógica.
Diz-se que os acidentes acontecem de maneira imprevisível. Será mesmo, em se tratando de cidades? É correto falar assim? Grande parte dos acidentes em cidades ocorre por falta de manutenção da infraestrutura. É um buraco não consertado, um banco de praça estragado, uma lixeira caída, uma luminária queimada, uma estrada não conservada, um bueiro entupido, uma sinalização de lombada inexistente. Parte disso pode ter sido provocada por vandalismo, porém é obrigação do poder público zelar e substituir o que estiver deteriorado, para o bem de todos.
Nosso problema com manutenção é cultural, é educacional. Não se faz manutenção preventiva no Brasil, apenas corretiva e jamais predetiva. Não é nossa cultura trocar qualquer peça antes de sua quebra, nem mesmo quando apresente desgastes visíveis. Aguarda-se até que se deteriore totalmente.
A indústria automotiva, do país, luta para mudar essa maneira do brasileiro pensar e agir. Ela tenta disciplinar o usuário através do manual de manutenção preventiva, mas quase a totalidade dos usufruidores de veículos julga desnecessário o seu uso.
Pior acontece com a infraestrutura de uma cidade. Como os governos são formados por representantes do povo, pode-se entender claramente porque os governantes procedem dessa maneira.
Urge que mudemos esse tipo de cultura de não manutenção, apenas para economizar um pouco. Agora e, num futuro próximo, depois que os “acidentes” tenham ocorridos, gastar muito mais.
As estatísticas de acidentes automobilísticos, de enchentes, de epidemias, muitas vezes são inerentes à falta de manutenção preventiva.
Será que não temos tecnologia suficiente para a prática da manutenção preventiva? É evidente que o problema não é de tecnologia, mas sim de gestão. Na verdade, de “má gestão” ou, “não gestão” da coisa pública.
Na iniciativa privada, principalmente em todas as indústrias, a manutenção é considerada uma preservação do patrimônio, do capital investido e da operacionalidade e, não uma despesa supérflua e adiável.
É muito importante mudarmos a “cultura da manutenção”.
É preciso considerar que, no Brasil, temos muito por fazer nas cidades e, isto também é um fator que inibe a manutenção. O ordenador de despesa tem que optar entre fazer o que falta ou manter o que existe. Contudo, não se justifica a ausência total de manutenção.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

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