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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Eu gostaria de voltar aos estádios.

Nas décadas de 70 e 80 frequentei os estádios de futebol em Curitiba, acompanhando o campeonato paranaense e nacional. Eram raras as brigas, mesmo sendo as condições de segurança e tecnologia mais precárias do que hoje. O objetivo era a diversão proporcionada pelo esporte que é alegria do povo brasileiro.
De uns tempos para cá, são vários acontecimentos estarrecedores. Ocorrem brigas antes, durante e depois dos jogos, principalmente nos clássicos regionais, onde existem as torcidas organizadas. Organizadas não somente para torcer pelo seu suposto clube, mas para alguns elementos é a deixa para promover algazarras e vandalismos, distorcendo o verdadeiro espírito de uma torcida, que é de incentivar o seu time. Essa é uma das causas do que estamos presenciando nos estádios de futebol.
Contudo, não é a única causa desse caos estabelecido. A falta de planejamento e a desorganização do clube mandante da partida é também um agravante. Não se colocam seguranças particulares em número suficiente. Não se isola a torcida de maneira adequada. Colocam-se ingressos em número maior do que comportam os setores do estádio, na ânsia de auferir maiores lucros e intimidar o adversário e, o mais grave distribui-se ingressos gratuitos para elementos de mau comportamento. Mas, o mais grave é a falta de inspeção predial técnica dos estádios, aliás, determinada por lei, porém não cumprida.
Há alguns dias participei de um curso intensivo dessa modalidade com o intuito de cadastra-me para tal tarefa. Fomos a um estádio de nossa capital para uma avaliação superficial. Vimos muitas áreas críticas, com muitos pontos de riscos para a segurança do torcedor.
Num laudo de inspeção de engenharia, que deve completar o da polícia e corpo de bombeiros observa-se: a segurança estrutural, a sustentabilidade e a habitabilidade da construção. Também se observa se há plano de manutenção e não só maquiagem com pinturas. Esse laudo mostrará se deve haver intervenção ou não de setores da praça esportiva. Orientará, tecnicamente, os reparos ou estudos específicos das anomalias e falhas encontradas, estabelecendo ordem de prioridade. Os estádios precisam de reformas urgentes, pois são antigos. Num estádio melhor a torcida comporta-se melhor e, atrai mais público tornando-o mais rentável.
Além desses cuidados o que ocorre hoje é a falta de civilidade de algumas pessoas que freqüentam o estádio. Haja visto os hinos jocosos que as torcidas entoam o que entristece quando um avô leva um neto ou, o marido leva sua mulher ao estádio. O comportamento de certas pessoas leva a fobia de tantos outros, afastando-os das partidas. Quando a torcida de um time grande vai ao interior, muitas vezes, são catados elementos como se fosse para uma guerra. Alimentados não com comidas, mas sim com álcool e drogas. Tal cenário é comum em nossas praças esportivas.
Os poderes devem agir, os clubes devem vir a público no sentido de minimizar antes das partidas os possíveis atos de vandalismo que possam vir a ocorrer. Deve ser feita a interdição cautelar dos estádios. Os responsáveis devem ser punidos exemplarmente quando identificados, o que deve ser feito através de câmaras de vídeo. Na Europa isso praticamente foi resolvido aplicando-se penas duras aos infratores.
A sociedade civil também deve se mobilizar, pois ela pagará a conta dessa desorganização e porque não dizer omissão.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

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