Parece ser praxe no Brasil os dirigentes públicos fazerem de conta que não estão sabendo de nada. Principalmente, o que ocorre onde eles trabalham.
Lula não sabia nada do mensalão, do caso Celso Daniel, da CPI do Banestado, do escândalo da suposta ligação do PT com o MST, das diárias do COB para os Jogos Panamericanos, do escândalo dos bingos, do escândalo dos correios, do escândalo dos dólares na cueca e, de todos outros os escândalos ocorridos em seu governo.
Habilmente, o presidente cria uma jogada nova para tirar da caçapa à bola da vez.
No Paraná, o presidente da Assembléia, que prega transparência, também disse que não sabia nada sobre as falcatruas ocasionadas pelos tais “atos secretos”. Não sabia nada sobre o que estava acontecendo com o dinheiro da Assembléia, digo, do povo paranaense. Talvez, não sabia mesmo.
A imprensa, através do jornal Gazeta do Povo, investigou e denunciou. Veio à tona um caminhão de fatos obscuros. Descobriram-se diversos funcionários fantasmas, também, parentes de diretores da casa regiamente pagos com o erário público. Ainda, nomeações e exonerações escritas nos tais “atos secretos”, que de tão secretos, muitas vezes, algumas pessoas simples e inocentes nem sabiam que seus nomes estavam sendo usados. Outros, porém, cresceram de classe econômica, misteriosamente. Um filho de ex-deputado, no período que estudava em Itajaí, recebia salário da Assembléia Legislativa. E, muito mais que foi divulgado pela imprensa e, o talvez ainda mais esteja para vir.
Essa mesma imprensa diz que tal prática já ocorre há anos dentro daquela Casa de Leis. Imaginem quantos deputados, vereadores, prefeitos e outras pessoas foram financiadas em campanhas com esse dinheiro suspeito? Mostraram-se parentes do estafe do diretor Abib Miguel, morando em outras cidades e, percebendo como se prestassem expediente para a Assembléia. Num rápido levantamento, o jornal denunciante divulgou a extraordinária cifra de 300 milhões de reais. Tudo isso nos causa uma enorme indignação.
Que transparência esperar de um órgão que serve para fiscalizar o executivo e nem se fiscaliza a si próprio? Contudo, deve haver parlamentares naquela casa que irão querer tentar, pelo menos, minimizar essa nódoa vergonhosa para o povo do Paraná. O presidente disse que vai apurar os fatos, é o mínimo que se espera dele, mesmo que tardiamente. Esperamos que obtenha sucesso, pois foi enfático ao declarar que vai a fundo nesse caso. Isso precisa ser esclarecido e cobrado dos culpados.
Torçamos que a dita comissão de apuração não vire somente uma “Pizza ao Curri” para servir Abi Babá, o personagem de uma fábula do oriente, ou seja, uma estória fictícia.
A publicidade das contas é obrigatória por lei, e fazê-la secretamente, ou só para uma meia dúzia saber, é no mínimo imoral. Muitos fatos passam despercebidos pelo povo em geral, depois com a cara lavada, esse pessoal vem pedir votos para voltar aos seus cargos. Não podemos deixar que cubram os olhos do povo com o capuz da ilusão e de um resultado fictício.
Tomara que, mais uma vez, o povo não tenha memória curta nas próximas eleições e, saiba realmente separar o joio do trigo escolhendo os candidatos merecedores de crédito.
Mais uma vez, no nosso sofrido país, os interesses particulares de detentores de cargos públicos, continuam se sobrepondo o do interesse da população.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

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