Parte de minha família mantinha relações com outra, que vieram nos anos 60, de Curitiba morar em Irati. Como eram conhecidos de bancos escolares da capital, visitavam-se em alguns finais de semana. Mas, tinha a sogra da amiga da casa visitada, que morava junto e participava dos encontros. Sempre a sogra... Como morava em área campestre, próxima a cidade, havia cultivo de frutas e hortaliças com abundância. A dita sogra, costumeiramente, tinha uma sacola de verduras preparada para dar de presente aos seus visitantes, com a condição que as visitas não tivessem nem um “engasgo” durante o encontro. Essa sacola, via de regra, ficava aparente, desde a entrada até a saída dos visitantes. Porém, se houvesse qualquer opinião contrária à decana da família anfitriã, o regalo ficava onde estava, ou seja, os visitantes não levavam o presente.
A palavra presente quer dizer tudo aquilo que se dá, de forma gratuita, a alguém com o intento de fazer este mais feliz, em sinal de atenção, confiança, amor ou amizade.
A doença não marca hora. O médico sim. Contudo, a emergência de um atendimento a um doente, também não tem horário marcado para ocorrer. Se você souber de um parente, um amigo ou qualquer pessoa que estiver doente e, possuir o remédio para amenizar seu sofrimento você não daria a essa pessoa? Apenas se você fosse um desnaturado.
Pois é, no estado do Paraná parece que isso não está acontecendo. Vemos situações em que equipamentos e veículos ficam estacionados, dias e dias, em frente às prefeituras, após serem adquiridos. Mesmo sendo necessária a imediata utilização desses equipamentos para executar serviços emergenciais, como por exemplo, a recuperação de estradas rurais.
Se não bastasse esse modelo utilizado pelo baixo clero, também, o governo estadual faz o mesmo, para não dizer: pior. Recentemente, adquiriu centenas de ônibus escolares e os depositou, há tempos, nas ameias do Palácio Iguaçu. Os municípios que seriam beneficiados, mesmo estando “adoentados” de transporte escolar, somente receberão o presente quando houver uma festa, ou seja, se existir platéia eleitoral. Dizem que falta licença do departamento de trânsito ou seguro do veículo. Complicadíssimas essas tarefas não? Tem explicação lógica essa ignóbil atitude? Só em repúblicas de empedernidos governantes.
É, a situação está mais para madrasta má do que para a sogra que não dá o presente se não é bajulada.
A palavra responsabilidade e educação estão fora de moda em nosso país, mas nem por isso o povo deve se calar. Alguns governantes e políticos criticam a imprensa, no entanto, usam a imprensa oficial para atacar seus adversários, mesmo que com uma audiência pífia.
A liberdade de imprensa é um direito constitucional. Já foi o tempo da mordaça. As palavras devem ser vistas e ouvidas e, os que as escrevem e as falam devem responsabilizar-se pelas mesmas. Vivemos num período “democrático”. O povo deve lutar para a continuidade de uma imprensa livre e responsável, custe o que custar.
O pretenso presente do Estado seria uma obrigação e não se necessitaria que o prefeito agradasse a sogra ou a madrasta para recebê-lo.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

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