A essa altura dos acontecimentos é inevitável deixar de comentar os escabrosos escândalos dos diários secretos da Assembléia Legislativa do Paraná, devidamente denunciados pelo jornal Gazeta do Povo e pela Rede Paranaense de Comunicação.
Diz a lei que ninguém pode ser considerado culpado antes de ser julgado. De ter o direito da ampla defesa e do contraditório. Mas, no caso das últimas notícias, denunciando o presidente Nelson Justus, o mínimo que se pode esperar é que o privilégio de seu cargo não atrapalhe as esperadas investigações do Ministério Público e, talvez, do Tribunal de Contas. E, que se investigue toda a diretoria da mesa que assinou a documentação mencionada.
Se montarmos um organograma, ou melhor, uma árvore genealógica das pessoas envolvidas nessas denúncias chega-se a uma interação entre a Prefeitura Municipal de Guaratuba e a atual diretoria da Casa de Leis de nosso Estado. Um suposto nepotismo.
Vejam a posição dessas pessoas. A prefeita de Guaratuba, Evani Justus, é cunhada do presidente da Assembléia, que foi funcionária do gabinete do cunhado até 2007. Seu esposo, Gil Fernando Justus, é atual secretário de Finanças de Guaratuba e irmão de Nelson. Cláudio Nazário da Silva, que é hoje o presidente da Câmara, foi nomeado funcionário do gabinete da presidência da Assembléia em abril de 2007.
Em novembro de 2009, a Polícia Federal deflagrou em Guaratuba a Operação Palmito, onde prendeu 18 pessoas acusadas de extração ilegal de palmito, no litoral. Duas pessoas dessa conexão faziam parte do estafe e da folha de pagamento da casa de leis do Paraná.
Praticamente todos os mandatários de partidos políticos da cidade de Guaratuba que apoiaram a então candidata a prefeita hoje estão lotados na folha de pagamento da Assembléia, segundo noticiou a Gazeta do Povo do dia 06/04/2010. Urge que se verifiquem essas coincidências, não?
Também, lá na cidade “Guarda chuva”, segundo a Gazeta do Povo, é abrigada uma rádio em que são sócios: a filha do ex-diretor Abib Miguel, o presidente Justus e um ex-diretor da presidência da casa dos deputados. Mais coincidências...
De acordo com o mesmo jornal, está, ou estava há pouco tempo, recebendo altos salários da Assembléia a advogada Beatriz Grossi Maia. Esta senhora, que o presidente disse não conhecer, mas assinou uma procuração para ela representá-lo em ação judicial. E, o pior é que a noticiou-se que a mesma nem expediente fazia lá.
Nara Leoni Ferreira é esposa de um dono de jornal daquela cidade e foi nomeada para o gabinete da presidência.
O que pensar de tudo isso? Será que existe uma grande generosidade dos mandatários da Assembléia com alguns sortudos? Ou que o dinheiro do povo é distribuído somente aos amigos do rei?
E pensar que os simples mortais sofrem para manter uma pequena empresa com os altos impostos e pagamentos do merecido e justo salário de seus empregados. Também os diversos pais que penam para manter uma família. Sem se aprofundar nas necessidades do povo, citamos apenas a carência de uma rede de saúde decente, ou a falta de segurança no nosso Estado. Enquanto isso, no mundo do “não sabia de nada”, o dinheiro do povo é distribuído levianamente sem, muitas vezes, a devida labuta de quem o recebe sem qualquer retorno social.
Tem muito mais denunciado e a ser apurado, por aquele órgão de imprensa. Tomara que o Ministério Público, Polícia Federal e o Tribunal de Contas não deixem tudo isso virar uma “pizza ao Cury”. Porém, quiçá que principalmente o povo e, os simpatizantes desses deputados, que talvez até então não os conhecessem por completo, não cometam o erro de reelegê-los nas próximas eleições.
O Paraná merece transparência e não “trazparentes”.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

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