Há quase duas décadas eu e minha esposa praticamos caminhadas pelas ruas da cidade de Irati. É o caminho dos que passam da idade para prática de esportes mais contundentes. Na época, pelo que me recordo, tão somente já o faziam: o Ronald e a Sarita e o Nagib com a Olguinha. Hoje, é muito bom ver a grande quantidade de pessoas caminhando pela cidade. Provocam uma cumplicidade saudável e alegre. Não há classe social, idade ou local para depararmos com os diversos caminhantes.
Teoricamente, não sou a pessoa mais indicada para falar dos benefícios desse exercício, mas, foi depois que fui acometido por uma séria doença, que constatei a importância que isso teve na minha recuperação física.
Porém, seria salutar, além da prática esportiva, a realização da caminhada para realização de tarefas do dia a dia, do trabalho, das visitas, da ida à escola, ao lazer, outros afazeres.
Quando se anda a pé, a cidade fica (mais próxima) menor do que nos parece quando só nos deslocamos de carro ou ônibus. Os veículos motorizados dão muitas voltas. Para o caminhante, não há contramão, não existe retorno e nem é preciso procurar vaga para estacionar.
A caminhada é uma experiência gratificante. Além de uma mudança no meio de transporte, é uma nova percepção da cidade. Sente-se o frio, o calor, os cheiros, os ruídos, o movimento dos veículos e das pessoas, enfim, sente-se o pulsar de uma comunidade. Sem falar da satisfação de realizar caminhos diferentes para conhecer novos lugares.
Que tal, quando possível, a pessoa ser o seu próprio veículo de deslocamento. O quanto o meio ambiente e a próprio cidadão não iria lucrar.
Há de se salientar, também, que para que isso ocorra deve haver calçadas em bom estado, o que na maioria das cidades não ocorre. A manutenção da calçada é de responsabilidade do proprietário do imóvel em frente a ela, a questão é que não há fiscalização pública para isso. Ainda há um sem número de obstáculos colocados nas calçadas como: propagandas em cavaletes, árvores mal locadas, entulhos e materiais de construção civil e até as famosas caçambas que deveriam estar dentro da própria construção, quando possível. Mas, está mais do que na hora de se falar sobre a educação sobre as calçadas, e do quanto todos nós perdemos com a desordem generalizada em que as mesmas se encontram nas cidades. As pessoas precisam ser conscientizadas de que calçada é parte de uma via, por onde indivíduos precisam fluir tanto quanto na rua propriamente dita.
Outro fator importante seria a colocação de sanitários, fixos ou móveis, no perímetro urbano, o que é uma falha muito grande em quase todas as cidades. Os poucos que porventura existem muitas vezes encontram-se fechados e, aí como se arranjam os caminhantes?
Além disso, é necessário que os motoristas sejam mais polidos com os pedestres, não buzinem desnecessariamente, não estacionem sobre as calçadas, espere as pessoas atravessarem uma faixa de pedestre.
Caminhar ainda é uma das poucas formas gratuitas de relaxar, exercitar-se e garantir qualidade de vida em geral.
Isso deve ser resgatado nas cidades. Mais do que uma reordenamento urbano, talvez as boas coisas de um tempo que não volta mais: resgatar as pequenas alegrias do dia-a-dia, tão prejudicadas pelo ritmo intenso da modernidade, a gentileza, a simplicidade no jeito de ser e de viver, o respeito pelas tradições.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

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