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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Identidade de fato - apelidos

Identidade pode ser entendida como uma maneira de se identificar e, portanto, traduzida em sinais, nomes ou documentos, que acompanham o indivíduo, uma entidade, uma instituição, ou um lugar.
A cultura regional exerce um papel fundamental para delinear as diversas personalidades, os padrões de conduta e ainda as características próprias de cada grupo humano daquele local.
Em nossa região, muitas peculariedades quanto a identidade das pessoas, entidades e lugares são levados em conta.
Em Irati, quando vem uma pessoa de fora, tem dificuldades de encontrar certos locais. Por exemplo, o conhecido clube Polonês, onde não há nenhuma placa com essa identificação, torna-se difícil para as pessoas o encontrarem. Se perguntar para dez pessoas iratienses se conhece o clube Polonês, dez dizem que sim, mas se perguntarem para dez onde é o SBCI talvez umas cinco não o saibam. O mesmo ocorre para o clube Operário, com o União Olímpico, com o Sete. Então, porque não ter uma placa com esses nomes, como essas instituições realmente são conhecidas? E, até com sinalizações, nas ruas identificando como se chega a esses locais, mas com essa grafia.
Irati: “terra da batata”! Mesmo, hoje, não sendo mais a maior produtora desse tubérculo, ainda assim, é dessa forma conhecida em diversas regiões do Paraná. Chamam-nos, carinhosamente, de “batateiros”, isso é um rótulo, é uma identidade.
Os funcionários do Banco do Brasil, principalmente fiscais e, os agrônomos quando saem para o interior, aferir as lavouras devem além do endereço e nome, levar os apelidos dos mutuários e donos das lavouras. Pois, se assim não o fizerem, muitas vezes, não encontram seus destinatários.
Os apelidos, por diversas vezes sobrepõem-se aos nomes. Na nossa cidade temos e tivemos vários exemplos marcantes, tais como: Paquera que tinha os pés extremamente inchados; Juja e Saruva, que era um casal de andarilhos e dormiam no cemitério; Candinho Coruja, o cantor das madrugadas; Boca, o bom jogador dos velhos tempos; Babão e Zóinho, os pintores de mão cheia; Estachinho, do armazém aos asfaltos; Gutio, das loterias; Tintio, da grande cerealista de feijão; Toti, que incorporou o forte apelido ao nome; Zé Baiano, do cartório de registros; Piraquara, o massagista do Iraty; Biduca, o pandeirista do sambão; Cabeçote, o letrista de placas e pára-barros; Tapeca, o grande cozinheiro; Mandio, o baixinho do lava-jato e, grande pescador; Ninito, o madeireiro dos canarinhos; Belau e Nino, os irmãos da Tere do Fórum; Bintio, da serralheria; Chico Tampa, o percursor dos pré-moldados em nossa região; Maricha e Nina, as conceituadas irmãs professoras; Nininho, do posto de combustíveis; Queijo, o topógrafo da Prefeitura; Mima, professor e escritor; Tramela, Coroné e Bolinha, figuras marcantes do rádio de Irati; Geno, a grande defensora de movimentos poloneses; Sarico, um dos melhores jogadores de Irati; Caruso, da Metalúrgica Thoms e Benato; Negucho; Pirulito; Nini; Melancia, o conserveiro de estrada do Itapará, que tinha a risada mais sonora do interior; a famosa Caprichosa, onde em sua loja tudo se acha em armarinhos para comprar; Seu Lelo, do posto; Vico, o folclórico e competente farmacêutico; Catito, também da farmácia; Tuco, o industrial da nova era dos pré-moldados; Dona Negrinha, a gerente do Samuara, Casquinha, antigo rei dos batateiros; Paraguaio, o agrônomo do Boticário; Pica-pau, o calceteiro, famoso pelo corte de uma árvore no cemitério; Moita, Nenê Capoeira e Parmitá, os empreiteiros de ontem e de hoje; Quarentinha, o goleador; Batata, do bar do Maluf; e, muitos outros que podem ser elencados como conhecidos de nossa população. Muitas vezes os apelidos viram nomes de pessoas realmente. Sem o apelido alguns não eram e, não são conhecidos.
Isso é identidade local, que várias cidades possuem. Isso é o dia-a-dia de uma comunidade. Isso se transforma em rótulo respeitado por uma sociedade. Isso é uma pequena parte de nossa querida Irati.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

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