Há poucos dias assistimos às enchentes em Pernambuco e Alagoas. Há algum tempo atrás, no Paraná, antes em São Paulo e Santa Catarina e aí, pelo Brasil afora.
Muita dor e sofrimento, muito descaso com a natureza e, principalmente inoperância dos governantes em dotar esse Brasil de obras corretas de infra-estrutura.
Nas áreas urbanas a natureza é vista de uma forma romântica. Um final de semana no campo ou na praia. Férias em locais aprazíveis e longe do caos das cidades.
A busca pela vida harmoniosa com a natureza, livre de egoísmos, inspira muitos até hoje. No entanto, a míope visão antropocêntrica, ou seja, o homem no centro do mundo, infelizmente vigente, é que o ser humano, sendo a peça principal da criação, tem o direito de explorar infinitamente os recursos naturais.
Só recentemente o homem começou a questionar e buscar uma forma de encontrar o ponto de equilíbrio necessário para construir uma ponte entre a preservação da beleza de nosso planeta e o uso racional de seus recursos.
A dificuldade, porém, é a discussão de nossas obrigações em relação à natureza. Esta relação está equivocada. O homem não pode estar contra a natureza, pois, é parte integrante dela. Porém, sempre esteve em maus termos com ela, e, apenas agora, se conscientiza da necessidade de salvá-la.
As cidades são a natureza transformada. As árvores se convertem em tábuas, estrutura de telhados e combustível. As pedras se tornam cimento e concreto. As antigas florestas acabam em petróleo e, depois, em plástico. Portanto, natureza não é algo que começa onde as cidades terminam.
Não podemos olhar a natureza como algo separado de nós, tal qual um sujeito anestesiado numa mesa de operação. Somos inseparáveis.
Os conhecimentos e técnicas sobre os ecossistemas têm aumentado, ultimamente, mas simplesmente não acompanham os passos para alterar nossa própria consciência de preservação.
O verdadeiro trabalho vai muito além da discussão de um programa ambiental. Ou, do que os outros seres vivos necessitam. Precisamos de um desenvolvimento sustentável.
Mais da metade da população humana vive nas áreas urbanas, muitas dessas pessoas sonham com a beleza da natureza e, esquecem que fazem parte dela. Um balaço na natureza é um tiro no pé.
Todos nós somos responsáveis pelo futuro que as próximas gerações encontrarão em nosso planeta.
Voltando às tragédias que ocorreram no Brasil, muito pouco os governos têm feito para evitá-las. Como a reposição das matas ciliares, a limpeza de rios e arroios, a proibição da construção de moradias em áreas com acentuado declives ou, em beira de várzeas, o parcelamento excessivo dos lotes. Fazem de conta que não sabem de nada.
Só resta fiscalizarmos, cobrar dos governantes atitudes pró-ativas e, também fazermos a nossa parte para preservar o nosso planeta.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

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