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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Bar do Gusto

A origem do termo bar vem da palavra barra. Na França, nos anos de 1700, as tavernas tinham uma barra, barre em francês, em todo o comprimento do balcão para evitar que os bitruqueiros se encostassem demasiadamente. É uma barra para se apoiar os pés.
Em Irati existiram muitos bares tradicionais. Por incrível que pareça, o ambiente de um bar é uma espécie de culto da filosofia popular. Tenho vaga lembrança do Bar e Café do Tadeu, em frente ao cinema do seu João Wasilewski, importante local de encontro de personalidades da época da década de 60 e 70, creio eu.
Vivi perambulando, também pelo Bar do João Waydzik, meu tio, na esquina da Vicente Machado com a Rua Fernando Rocha. O clima era muito bom. Lá corriam soltos os jogos de sinuca, pebolim e, o famoso e proibido jogo do bicho, além da gozação do pândego falecido tio João.
Talvez o bar mais tradicional, de minha época de infância e juventude, foi o famoso Bar do Maluf, dos irmãos Nacim e Sofia. Ali nos deliciávamos com os sorvetes de pistache e o picolé de coco queimado, além de um dos melhores quibes da região. Era o encontro da juventude e da velha guarda. Do boêmio e dos fregueses mais contidos. Dos políticos e dos aspirantes a empresários. Surgiu dali grandes transações comerciais, namoros e até casamentos. Infelizmente depois dos dois irmãos o outro irmão, o Nagib, não conseguiu tocar o estabelecimento por muito mais tempo, como gostaríamos. Foi uma grande perda dos apreciadores da boa convivência dos botecos em geral.
Os bares são importantes locais de convívio. São pontos de encontro, de descontração que começa com um bom e vocacionado dono. Se o titular é chato, o bar azeda. Muitas vezes são lugares pitorescos e, nem todos vingam por muito tempo. Há bares e bares, de todas as ordens e de ordem nenhuma. Jeitosos e chinfrins. Antigos e modernos.
Um dos mais antigos de Irati foi aberto no ano em que nasci 1960, pelo senhor Aleixo Gavlak e, até hoje em funcionamento graças ao seu filho Augusto Gavlak. Creio que é o mais antigo estabelecimento do gênero da nossa região. É o único bar que conheço que você não entra pela porta da frente, mas por um portão lateral, e nem por isso intimida o freguês. Lá se compra uma deliciosa broa caseira, feita pelos familiares do Gusto, há muitos anos. Além do dia a dia, onde são servidas todas as bebidas e aperitivos, o local conta, há quase duas décadas, com uma tradição: o jantar das sextas feiras. Iniciado pelo sargento Alceu, entre outros e até hoje no comando o Zécão Nunes e o Marcelo Menon, todos de alta patente. Praticamente durante todo o ano uma pessoa, de uma confraria seleta, que freqüenta esse bar, franqueia as carnes e saladas a todos do grupo e a alguns convidados. Reina no local uma democracia ímpar. Todos falam e todos são ouvidos, pois são obedecidas as devidas formalidades dos apreciadores de bares. São pessoas de todas as classes, todas as profissões, todas as torcidas, cores políticas numa convivência fraterna e amigável.
Parabéns à família Gavlak por manter esse ambiente há praticamente meio século, isso é bastante raro hoje, em qualquer lugar do mundo. Dziekuje (obrigado) Gusto.
Então vamos seguir a máxima do falecido jornalista Horácio Braun (1950 – 2007) que disse: “vamos beber que é para não comer de estômago vazio.”
Zdrowie (saúde)! Prosze, jedna ostatnie! (Por favor, uma saideira).
OS: Os homens pedem desculpas às esposas, para as quais os bares nem sempre são vistos com bons olhos, pois temem seus efeitos sobre seus maridos.
Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

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