
A história pode ter várias concepções.
Na narrativa, o narrador conta os acontecimentos sem preocupação com as causas, os resultados ou a própria veracidade.
Na história pragmática o historiador procura mudar os costumes políticos, corrigir os contemporâneos e, o caminho que utiliza é o de mostrar os erros do passado.
A palavra história vem do grego e, significa testemunho, no sentido daquele que vê, ou através de cruzamento de dados de fontes diversas. (Wilkipédia)
Uma história pode ter mais de uma versão. Pode ser de um povo, de uma região, de uma época e quando é contada somente por um só, pode ter nuance pessoal e às vezes distorcida do que realmente aconteceu.
Não se passa pela vida sem deixar marcas. A edificação de uma casa, o plantio de uma árvore, a educação de um filho, a lembrança de uma cantiga, um fato marcante qualquer, uma amizade, um benefício a alguém, ou um malefício a um povo, como o fez Hitler. Porém, muitas vezes um “historiador” mascara ou pesa demais na caneta, ao escrever parte dos acontecimentos de um fato, visando moldar a narrativa com suas tendências e caprichos.
Vivi parte de minha vida atrás de um balcão de armazém de venda de secos e molhados. Muitos jovens, hoje, não sabem o significado disso, mas trata-se de um ponto de venda onde o freguês escolhia o que queria e o atendente pesava, media, empacotava ou embrulhava a mercadoria, tudo vinha a granel. Havia uma interação entre o cliente e o caixeiro. Foi onde eu ouvia muitas histórias. De pessoas simples e abastadas. De eruditos e analfabetos, mas eram histórias que martelavam em minha cabeça. Graças à visão de meu pai, mesmo sem ter oportunidades de ter estudado, ele sempre fazia a assinatura de um ou mais jornais e, eu os lia todos. Na equação do que eu escutava e interpretava, resultava sempre uma conclusão de minha parte.
Fornecíamos aos operários de olarias, de madeireiras, funcionários públicos, políticos e o povo em geral, isto na década de 60 e 70.
Com certeza, o desvio da grande empresa alimentícia Sambra para a vizinha cidade de Ponta Grossa, foi por equívocos dos detentores do poder e dos empresários da época e, também, por mérito dos políticos daquela cidade. Talvez, não por maldade, mas porque na época havia um pensamento, equivocado, que uma empresa não nascida em nossa cidade, pudesse atrapalhar os interesses dos empresários locais em vários sentidos: com certeza, haveria mais oferta de trabalho; mais disputa pelos os bons trabalhadores; os empresário-diretores locais teriam que remunerar melhor seus empregados.
Comentava-se, na época, que aqui fizeram proposta para a empresa Sambra de que era preciso aceitar sócios majoritários locais e pagar um preço diferenciado pela energia a ser fornecida. Pelo lado da Princesa dos Campos havia oferta de terreno, infra-estrutura e até isenção de impostos, por um determinado período. Ora, não precisava ser um economista para tomar uma decisão: para onde iria à instalação da tal empresa.
Aqui, o morador simples do município não tinha muitas opções de emprego. No campo se trabalhava na agricultura. Na área urbana as vagas eram, principalmente, em olarias e madeireiras da sociedade rica da época.
Em muitas dessas indústrias, a prática era de manter armazéns próprios de mantimentos, onde os funcionários tinham que se abastecer. A energia, quando havia, era fornecida pelo patrão. As moradias ficavam dentro do pátio do fábrica. Tudo isso somado pelo empregador, no final do mês, não sobrava dinheiro, às vezes, para registrar um filho que acabava de nascer. Por isso, em muitas ocasiões, aquelas crianças tinham duas datas de nascimento, uma correta e outra cartorial.
Foram ciclos pelo qual nossa cidade e a região passaram, mas muitas vezes a parte que fica registrada não é a mais verdadeira.
O que os antigos deixaram de fazer em favor do povo: paciência. O que fizeram de bom ao progresso da região e ao desenvolvimento de suas empresas: parabéns! Cada época tem o seu contexto, vicissitudes e decisões.
Vivemos, também, uma época, na década de 80, em que sequer há registro dos fatos e acontecimentos, sejam políticos ou sociais, mas essa parte pode ser contada em outro momento. Nossas reverências a quem escreveu e registrou parte de nossa história, contudo, muito ainda ter que ser escrito. Escrever histórias não é prescrever caprichos.
Agora, o que interessa no momento, não se sabe se para todos, é que devemos lutar para que a duplicação da BR-277 não seja desviada para a outra BR, aquela que passa por Ponta Grossa. Devemos nos unir. Cobrar de políticos daqui, e dos que obtiveram votos por aqui, que abracem essa causa, sejam eles de onde for.

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