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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O PÓS ELEIÇÃO

O período depois das eleições é de assentamento da poeira da campanha. É de preparo mais apurado para governar e legislar, conforme o cargo eletivo.
A democracia não pode ser reinventada, porque senão ela não teria sido inventada. Não se pode dizer que não há condição da política mudar sua natureza, ou seja, deixar de existir as relações de adversidades entre as partes. Isso seria como uma vacina contra as possíveis mudanças democratizantes.
Deve-se compreender a democracia como um pacto de convivência com base na aceitação da vitória eleitoral do outro, mas também da legitimidade, da liberdade do derrotado, objetivando buscar a construção do progresso ordenado e pacífico de uma comunidade. Democracia não é só a eleição. Não é só a prevalência da vontade da maioria. Não é só a lei do mais “forte”. Se assim o fosse não adiantaria ter democracia política se não forem reduzidas as desigualdades sociais.
Qualquer proposição da população, seja de quem quer que seja, deve ser avaliada, mensurada e refletida se ajuda ou atrapalha o avanço do processo de democratização da sociedade. Esse é o verdadeiro objetivo da maturação e compreensão democrática.
As guerras refletem o inverso da democracia, pois é negada a legitimidade do inimigo. Não se leva em conta sua opinião, sua posição, a ponto de não se permitir sequer o seu pronunciamento. Abolem-se os espaços públicos onde as opiniões dos cidadãos possam ser expressas e divulgadas.
Grande parcela do eleitorado, menos politizada, vota ainda em troca de favores, promessas e benesses e, acham que está certa essa atitude. Dizem que a política é assim mesma. É a base clientelista do político populista.
E o pós-eleição? Não há regra que fale que os detentores dos cargos eletivos tenham necessariamente que se comportar de forma adversarial ou amigável. Contudo, o atual sistema político estimula formas mais competitivas, como se fosse uma concorrência comercial.
Quando alguém é eleito, sua primeira providência, antes mesmo de assumir o mandato, é escolher os seus colaboradores. Tudo parece aceitável, mas na verdade não o é! Não pelo menos na forma que é feito, visto que, ao fazer isso, o eleito o faz como se estivesse delimitando um campo de participação em que não se podem transitar os que não são de sua confiança. Há como uma privatização desse espaço público. Muitas vezes não é levada em conta a competência e nem a real atribuição ao cargo desse integrante da equipe.
Infelizmente, parece que o nosso sistema leva a restrição da participação, a dificuldade do trânsito de pessoas, de organizações e inclusive de idéias, por parte de quem conquista o poder.
O eleito tem o dever de legislar e governar para toda a população sem distinção qualquer que seja.
Torcemos para que haja o amadurecimento político dos eleitos do Brasil.

Dagoberto Waydzik

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