
Refletir sobre o crescimento de uma cidade e seus problemas significa pensar sobre algo a respeito do que muita gente acha que tem “a” resposta na ponta da língua. Mas, na maioria das vezes os problemas advêm da falta de planejamento. Isso deve ser discutido por profissionais da área, aliado com a vontade política dos detentores do poder.
O assunto não significa que os nãos especialistas não devem se pronunciar. Muito pelo contrário! Também é direito deles deliberarem sobre coisas que afetam suas vidas e seus destinos, nos terrenos da política, da economia, da cultura e da organização do espaço que vivem.
Ademais, a cidade é, igualmente, um centro de gestão do território, por sediar o comércio, o povo e as empresas. Entretanto, nem tudo se resume à economia! Da importância de uma cidade para fora de seus limites físicos, assim como do poder. A cidade é um centro de gestão do território não apenas enquanto sede de empresas (privadas e estatais, mas também enquanto sede do poder religioso e político). Além do mais, uma urbe não é apenas um local em que se produzem bens e onde esses bens são comercializados e consumidos, e onde pessoas trabalham. Uma cidade é um local onde pessoas se organizam e interagem com base em interesses e valores dos mais diversos, formando grupos de afinidade e de interesse. Menos ou mais bem definidos territorialmente com base na identificação entre certos recursos desejados e o ambiente, ou na base de identidades territoriais que os indivíduos buscam manter e preservar.
Sob um ângulo social abrangente, ou seja, que leve em conta os interesses legítimos de toda a sociedade, o desenvolvimento que importa não é ou deve ser meramente econômico, mais sim sócio espacial.
O desenvolvimento é, nos seus termos mais simples, um processo de mudança para melhor (conforme o desenvolvimento), um ação constante de busca de mais justiça social e melhor qualidade de vida para o maior número possível de pessoas.
Se uma cidade produz mais e mais riqueza e, se essa riqueza assim produzida e o crescimento da cidade se fazem à custa da destruição de ecossistemas inteiros e do patrimônio histórico-arquitetônico, se a conta da modernização vem sob a forma de níveis cada vez menos toleráveis de poluição, de estresse, de congestionamentos; se é assim, falar de “desenvolvimento” é ferir o bom senso.
São vários pontos a ser questionados. Será que as gerações futuras merecem que se deixe construir na beira dos rios, arroios e córregos? Que se permita a aprovação de loteamentos e construções em áreas que sofreram e são passíveis de enchentes? Que se permita o adensamento com construções geminadas, ferindo a lei de uso e ocupação do solo? Que não se respeite as leis de acessibilidade e mobilidade humana? Que se construa em parques de lazer, ferindo o principal objetivo do mesmo que é a liberação de um amplo espaço para a mobilidade e o lazer de toda uma população? Que o destino e tratamento do lixo sejam inadequados? Que se permita construções em encostas e abertura de ruas com declividade maior que 30%?
Todas essas questões devem ser avaliadas pela população, pelas entidades, pelas lideranças e pelos detentores do poder. Principalmente, na hora de escolher quem vai governar a cidade, quem vai legislar e quem vai proteger essa população.
Os agentes públicos deveriam incorporar o princípio da responsabilidade sobre seus atos. Agir de modo a que os efeitos de sua ação sejam compatíveis com a permanência da qualidade de vida presente e futura.
Por isso, não devemos nos ausentar da responsabilidade de vigiar, cobrar, denunciar, divulgar esses atos nefastos, acima citados.
Dagoberto Waydzik

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