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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Amém

O que você acharia se um pai, de classe média, ou baixa, comprasse para seu filho um carro de último tipo, caro, financiado em quatro anos, sem ter certeza de poder arcar com o pagamento do empréstimo até o seu final?
Ou, uma mãe, só para satisfazer seu ego, custear uma viagem para a filha adolescente à Disney, nas mesmas condições anteriores?
Analogamente, os prefeitos e governadores, após ganhar a eleição, contraem empréstimos para realizar obras com aparência, às vezes eleitoreiras, para nutrir suas vaidades, e pior, para quem vier futuramente a ocupar o cargo, arcar com o pagamento desses empréstimos. Na maioria das vezes, deixam de fazer as transformações sociais na saúde, educação e infraestrutura, tão necessárias.
Isso não é, no mínimo, um ato irresponsável? Infelizmente, é o que vem acontecendo em vários municípios e em nosso Estado. Agora mesmo, o governador do Paraná anunciou que vai contrair um empréstimo de 1,7 bilhão de reais para o ano 2012. E o ano de 2011 se passou e, praticamente, não se viu nada de positivo. Tem tempo para se reverter esse quadro. Vamos torcer para que isso ocorra, para o bem do povo de nosso Estado.
O Executivo governa o dinheiro do povo, o Legislativo elabora leis e deveria vigiar os gastos do primeiro.
O Judiciário tem a função de julgar as disputas e os atos irregulares dos cidadãos e do Estado. O Ministério Público deve fiscalizar o cumprimento das leis.
O Tribunal de Contas é um poder que, praticamente, só existe no Brasil e, muitas vezes, é uma força que pressiona os prefeitos para serem cabos eleitorais de seus parentes. “Quase” que um abuso de poder.
Tem Câmara de vereadores que, no seu dia a dia, não elabora leis necessárias, para o bem da população. Muitas vezes é simplesmente um órgão certificador de todos os atos do Executivo. Sem contestação, sem fiscalização da administração, sem o contraditório quando há dúvidas e, pasmem, votam a favor por unanimidade, mesmo sem, na maioria das vezes, ter pleno conhecimento do que estão votando. Parece uma situação de faz de contas. Uma fantasia. Desta forma o povo é desrespeitado. As leis, os números, balanços não sofrem uma análise mais apurada. Porém, quando a coisa aperta, os culpados são sempre os antecessores.
Até quando tudo isso?
Até o eleitor fazer sua parte, vigiando, fazendo passeatas em forma de protestos, acionando a imprensa séria, denunciando ao Ministério Público, aos Tribunais de Contas, que é o foro onde deve haver alguma resposta a essas demandas.
A população, também, pode usar as redes sociais para se organizar, se orientar e quiçá, promover possíveis protestos ordeiramente. Fechando estradas intransitáveis, para que a grande mídia pressione os que detêm o poder, no sentido de sair do discurso e fazer o mínimo necessário. Será que isso é pedir muito?
Dentro da administração pública existe o principio da boa fé. Se uma administração está cobrando algo que sabe que não é devido, está ferindo esse principio. Quando isso acontece, deve agir o Legislativo, bem como, o Ministério Público e ocorrer, também, o necessário protesto da população. Todavia, isso não vem ocorrendo.
O hábito faz o monge e, esse hábito dos legislativos serem sempre a favor dos executivos é um mau hábito. As pessoas são criaturas de seus hábitos. Esses atos são portas diretas para o esgoto da corrupção. Assim, os Executivos deitam e rolam.
Há sim políticos honestos, bem-intencionados, que disputam eleições e assumem funções públicas para transformar suas Cidades, seus Estados e seu País em lugares melhores para toda a população. Como as pessoas comuns não devem se omitir, participando direta ou indiretamente da política.
Contudo, também existem aqueles que querem comprar aviões, locar helicópteros, desnecessariamente, visto que têm representantes em todo o Estado. Gastos esses, a meu ver, desnecessários, em detrimento de carentes que continuam morrendo em filas do sistema público de saúde.
Falta serenidade para os muitos detentores de poder. Quando são contrariados há uma arrogância e um ataque destemperado, acobertado pela imunidade parlamentar. Seja numa contestação grande ou numa simples arguição de alguma atitude ou de um fato qualquer. Até numa simples solicitação de um documento público, que é direito do cidadão. Esperneiam, e se fazem de arautos do bem. Só para divulgar que estão diminuindo os gastos na Assembleia Pública do Paraná, a imprensa diz que serão gastos em torno de cem mil reais em outdoors. Precisa essa divulgação tão demagógica?
Que bom se os deputados não viessem, somente, com migalhas aos municípios Que os deputados federais elaborassem leis e não só devolvesse parte do que é retirado do povo pelos impostos pagos e, que os vereadores não dissessem amém a tudo que os Executivos mandam.
Infelizmente, os serviços públicos gerados pela alta carga tributária não condizem com os serviços apresentados à sociedade.
Amém!
Dagoberto Waydzik

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