Você tem consciência de sua importância na comunidade?
Participação popular é um dos cinco princípios da democracia. Sem ela, não é possível transformar em realidade parte da história humana. Os demais princípios são: igualdade, liberdade, diversidade e solidariedade.
“Refiro-me aqui à participação em todos os níveis, sem exclusão prévia de nenhum grupo social, sem limitações que restrinjam o direito e o dever de cada pessoa tomar parte e se responsabilizar pelo que acontece no planeta. Em resumo, cada um de nós é responsável pelo que acontece nas questões locais, nacionais e internacionais. Somos, literalmente, cidadãos do mundo e, portanto, corresponsáveis por tudo o que ocorre. A única forma de transformar este direito em realidade é através da participação”. (Herbert de Souza)
Muitas vezes reclamamos de tudo o que acontece em nossa cidade. Do trânsito, da sujeira das ruas, das enchentes, da violência e de muitos outros problemas. Mas, o quê realmente estamos fazendo para diminuir os problemas da comunidade?
Num artigo de Fábio Barbosa, da Folha de São Paulo, discutiu-se qual seria o segundo tema mais importante para a sociedade brasileira, já que há concordância que o primeiro é a educação. Chegou-se ao consenso que a cidadania seria a matéria que mais necessita ser trabalhado entre os brasileiros.
O comportamento dos brasileiros, de uma maneira geral, não é o que se espera de um cidadão. Os pequenos delitos (também os grandes), os casos de tolerância, o desrespeito às leis de trânsito, a corrupção, a negligência com o meio ambiente, o vandalismo de alguns jovens, impactam negativamente na comunidade.
Em minhas costumeiras caminhadas pela cidade, semanalmente, observo certas atitudes absurdas. Na Rua Antônio Cavalin e na nova perimetral, próxima ao Clube União Olímpico, é gritante a condução de veículos em alta velocidade. Ainda, ontem mesmo, na perimetral, observei uma enorme quantidade de lixo jogado nas calçadas, carros e motocicletas em alta velocidade, postes e luminárias depredadas.
Se olharmos para o meio ambiente nota-se a aceleração de loteamentos e conjuntos habitacionais inadequados. Lotes pequenos demais, com impermeabilização excessiva, em encostas muito íngremes, que não permitem o solo absorver adequadamente as águas de chuvas, como as últimas, que provocaram enchentes em nossas cidades.
Só para ficar nesses dois temas aonde queremos chegar? É evidente que não é só o dever do poder público zelar por tudo isso. A cidade é nossa, e nenhum de nós está liberado do dever de auxiliar no processo de recuperação da mesma.
Devemos denunciar os que transgridem as normas de trânsito. Devemos solicitar melhorias na sinalização e colocação de lombadas adequadas e regulamentadas nas duas ruas citadas. Devemos solicitar que haja policiamento nesses locais, e não só de passagem dentro dos veículos, mas sim parados nas horas de pico. Afinal, somos cidadãos e temos esses direitos. A rua pertence a todos, mas o pedestre é o que devia ser mais protegido.
A consciência ambiental deve ser cobrada nas escolas, em nossas casas para que não se jogue lixo à toa nas ruas, nas praças e quintais. Cobrar a colocação de lixeiras pelo poder público, de sanitários públicos, contudo, cobrar disciplina de educação ambiental, não só em escolas, mas em entidades, igrejas e quaisquer tipos de reuniões. De nada adianta o bom trabalho de nossa secretaria municipal do meio ambiente se o povo não faz sua parte. Que bom se o fumante não jogasse a “xepa” do cigarro no chão, guardasse e levasse ao lixo de sua casa, já que não há lixeiras suficientes. Que bom se todos recolhessem as fezes de seus cães em passeios pelas ruas.
Precisamos de ações práticas, coerentes no dia a dia, e precisamos também trazer a sociedade para mais perto do Estado. O Executivo deve ser cobrado através dos conselhos, pelo Legislativo e pelo Ministério Público, coisa que muito pouco vem ocorrendo atualmente. Precisamos cobrar dos eleitos os votos recebidos, pois pagamos impostos e merecemos o retorno dessa enorme carga tributária.
No dia 27 de maio de 2011, na praça Catalunha, em Barcelona (Espanha), cartazes repudiavam a violência policial, pediam “democracia real já!” e um mundo mais justo para todos. No dia 3 de junho de 2011, na praça da Sé, em São Paulo, os cartazes exibiam mensagem bem diferente: “compra-se ouro”. Enquanto uns discutiam fins de privilégios políticos e dos banqueiros, por aqui oferta-se o crédito fácil e outras bobagens para aliciar o povo.
Devemos ser menos passivos e mais atentos e participativos. O problema não é dos outros, como gostamos de pensar. Necessitamos ter maior influência no Estado. O importante é participar. O que você não faz também afetará a todos.
Não vamos nos resignar!
Dagoberto Waydzik

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