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segunda-feira, 5 de julho de 2010

A velhice está fora de nós

Eu estava no afamado salão do barbeiro Jenilton, esperando minha vez para um corte de cabelo. Na cadeira, toda inclinada, o profissional fazia a barba de um cliente.
Tratava-se de um iratiense tradicional, respeitado, bem-sucedido e com 92 anos de idade. O estimado senhor contava-nos que, há alguns dias atrás, não conseguiu vacinar-se contra a gripe sazonal, na nossa cidade. Como tem propriedades e parentes na capital, foi para Curitiba a fim de efetivar sua intenção. Chegou, acompanhado da filha, ao posto de saúde. Então, disse: “filha toma minha carteirinha de vacinação e, vá ao balcão pedir para eles me vacinar, enquanto eu fico sentadinho naquele banco fingindo-me de velhinho, assim, talvez, eles me apliquem a vacina”.
É admirável como uma pessoa com 92 anos, lúcido, atuante em seus negócios, dirigindo um opala 77, que comprou zero quilometro e que conserva até hoje, não se sinta velho. Que lição de vida esse senhor dá para todos nós.
Outro modelo exemplar é do engenheiro civil Waldir Pedro Xavier Tavares, que com um currículo invejável, com mais de 80 anos de idade, presta serviços, honoríficos, como conselheiro do CREA-PR.
Assim, conheço vários exemplos de outros cidadãos que, mesmo com a idade física avançada, espiritualmente permanecem sempre jovens.
Ora participando de um movimento filantrópico, ora num esporte qualquer e, até mesmo atuando profissionalmente com sua madura experiência. Produzindo, contribuindo para nosso país, mas, principalmente, vivendo plenamente. Essas criaturas ostentam sabedoria, devoção e ação em seu dia a dia.
São os exemplos positivos de uma sociedade que, ainda não respeita essa fase do ser humano como deveria respeitar. Sobretudo, com a falta de uma aposentadoria digna, de uma política atuante na saúde, um programa de lazer para aquele que tanto contribui para o desenvolvimento do país. Contudo, espera-se que sempre continuem lutando por esse sonho de um envelhecer tranqüilo, mesmo com tantos descasos praticados com a dita terceira idade.
Muito diferente da sociedade de outras nações que, realmente, agem com a reverência e admiração que todos os idosos merecem.
Aliás, o respeito aos mais velhos deve ser a linha mestre que conduz uma sociedade, uma família. Não deveriam depender de leis, para uma fila prioritária de banco, para um assento de ônibus, para uma vaga especial de estacionamento, etc. Isso, antigamente, era lei natural dos homens. Essa prática, de ação respeitosa com as pessoas mais frágeis, tornava o ambiente espiritualmente mais positivo. Reduzia os atritos entre a massa humana.
Como disse uma amiga: “é impressionante que o respeito e a gentileza tenham que ser determinados por lei.”.
O resgate da educação familiar é fundamental. O Estado não educa o Estado, apenas, instrui. A família é quem realmente educa.

Dagoberto Waydzik
Engenheiro Civil

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