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sábado, 3 de janeiro de 2009

O turismo desgovernado


Não tenho um conhecimento muito profundo de turismo, mas conto com alguns milhares de quilômetros em viagens de passeio, trabalho e pescarias, assim creio que tenho certa noção para falar sobre o assunto.
O Brasil está atrasadíssimo no quesito turismo e o Paraná mais ainda.
Estive, nestes festejos de réveillon, na bela e histórica cidade de Antonina do litoral de nosso estado. Fundada há aproximadamente 300 anos ela possui uma riqueza histórica, urbanística e cênica excepcional, porém, uma estrutura turística mal dirigida, quer pelo governo municipal, como principalmente pelo governo estadual. Tem lá uma baía que poderia ser mais bem aproveitada para esportes náuticos, passeios e pesca esportiva. Têm rios para prática de rafting. Possui ainda: picos para prática do rapel, trilhas e montanhismo. Há uma beleza nas fachadas dos casarios estilo luso-brasileira sem igual, porém poucos estão devidamente conservados. Foi lá construída uma igreja no distante ano de 1715, portanto há 293 anos. Está no local instalada a primeira loja maçônica do Paraná. Alojou-se na cidade o imperador Dom Pedro II. Existe um antigo complexo industrial de armazéns portuários construídos pela rica família Matarazzo, que estão abandonados e deteriorando-se. Falta treinamento ao pessoal de hotéis, restaurantes, pousadas. Possui, ainda, um belo teatro, uma usina hidrelétrica e um porto. Com certeza com tudo isso o maior potencial econômico da região é o turismo. Esse setor é uma indústria “limpa” que os governadores do estado vêm relegando ao segundo plano. É uma lástima ver tamanho descaso com essa riqueza turística. Se houvesse planejamento em conjunto entre os governos das esferas municipal e estadual, um plano diretor de turismo colocado em prática, certamente haveria uma freqüência maior a este local. O dinheiro gasto por esses possíveis visitantes geraria imposto, com isso o governo investiria em conservação dos prédios históricos, limpeza de ruas, limpeza do mangue, em saneamento básico, e com isso trazendo qualidade de vida aos moradores locais. O turismo, bem gerido, com outras atividades correlatas emprega direta e indiretamente as pessoas e geram riquezas para a região. Aumenta os espaços de lazer, capacita a mão de obra e melhora o nível de educação da comunidade.
Quando de nossa visita à Antonina tínhamos um passeio agendado, um mês antes, com uma embarcação pela baía, o qual foi desmarcado três dias antes de nossa chegada. Tivemos que suar para conseguir outro barco para fazer a atividade. Contudo, com esforço próprio conseguimos um barco de pesca que nos atendeu modestamente, embora num trapiche em precárias condições, passeio esse, que a agência de turismo disse ser impossível naquele dia. E o casario dos Matarazzo? Não poderia ser adaptado nos moldes do “Puerto Madero” em Buenos Aires, guardada as devidas proporções?
É incrível o desgoverno do turismo no estado do Paraná. Quando é que vão abrir os olhos para essa importante fonte histórica, cultural e de beleza natural dessa cidade?
É preciso salvar o turismo de Antonina. Governadores salvem o turismo em nosso estado.

Um comentário:

  1. Com relação ao litoral paranaense, seja cidade histórica ou até o municípío mais novo, Pontal do Paraná, que engloba vários balneários está sim esquecido tanto pelo governo municipal como pelo estadual. Não se dá uma estrutura adequada aou turismo. Fora da chamada ALTA TEMPORADA os moradores não tem geração de renda. E aí aparecem todos os outros problemas relacionados a desemprego, como furtos e outras coisas mais sérias. Embora não seja especialista, acredito que nosso litoral tem potencial sim, mas não está tendo o devido respeito.

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