
Eterno e intocado,
O mar está num patamar acima das pretensões dos homens.
As marés levantam e abaixam suas águas
Lavando a vergonha do vermelho sangue
Das eternas guerras humanas.
Os terrenos são comprados,
Usurpados, doados,
Vendidos e possuídos,
Divididos.
Feitos campos de brigas,
Manchados pelo sangue,
Pela vergonha das poções do sangue
Provocadas por quem se acha donos das mesmas.
A terra inflamou
E cresceu em cavas de inúmeros e incontáveis corpos nela enterradas.
A terra putrifica,
O mar purifica,
Faz a chuva nascer
Sopra,
Refresca o continente e,
Às vezes varre a terra.
O mar tempera a vida com seu sal,
Conserva a carne, mas também:
Corrói o litoral
Destrói pilares mal construído pelos homens.
Pilares construídos com argamassa do amor,
Da lealdade sofrem com as intemperives
Porém sustenta-se
Com a manutenção dos bons exemplos.
Reciclam-se,
Prevalecem de geração em geração.
Estruturas erguidas com ganância,
Com egoísmo,
Com ódio tornam-se tênues.
Pode até ter a forte do aço,
Mas será corroído pelo fel ácido,
Constante como o suco de um limão.
Apodera-se de cada ressentimento,
De cada insulto,
De cada traição.
Dói num único ponto da barriga.
Queima, machuca, destrói.
Não vive,
Cega,
Tropeça,
Cai,
E jaz inchando mais a terra.
DAGOBERTO WAYDZIK

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